Um developer indie japonês perdeu acesso às receitas internacionais da versão Steam do seu próprio jogo depois que um banco recusou processar as transferências, alegando preocupações relacionadas ao conteúdo da obra, mesmo sendo uma edição adaptada para todas as idades.

O caso envolve a desenvolvedora Mousou no Mayu, criadora de Hustle Battle: Card Gamers, um RPG de construção de decks com visual anime. O título foi lançado originalmente em dezembro de 2024 em plataformas japonesas voltadas ao público adulto, como DLsite e Fanza. Já a versão publicada no Steam, lançada em março de 2026 pela editora Kagura Games, foi modificada para atender ao público geral.

O problema começou quando a Mousou no Mayu deveria receber um pagamento internacional vindo da Kagura Games. Em vez disso, o Daishi Hokuetsu Bank entrou em contato sugerindo que a transferência poderia ser recusada. Segundo relatos publicados pela desenvolvedora no X, o banco fez perguntas vagas sobre o jogo, incluindo se a receita vinha “de um jogo com garotas”, indicando preocupação com o conteúdo da obra.

No dia seguinte, a desenvolvedora compareceu pessoalmente ao banco e recebeu a resposta definitiva: o pagamento internacional ligado às vendas da versão Steam não seria aceito. O banco afirmou que realizou uma “revisão aprofundada do conteúdo do jogo” e concluiu que as personagens “aparentam ser menores”, classificando o material como problemático, mesmo após ser informado de que a edição distribuída no Steam era para todas as idades.

A situação se tornou ainda mais séria quando a Mousou no Mayu foi avisada de que futuras transferências domésticas também poderiam ser bloqueadas, o que afetaria diretamente receitas vindas da DLsite e da Fanza. Segundo a desenvolvedora, o banco deu um prazo de um a dois meses para que ela encontrasse outra instituição financeira para receber depósitos.

O caso não parece isolado. Recentemente, a developer Mai Itsuki, do círculo indie Ren, relatou situação semelhante após o Resona Bank bloquear transferências internacionais ligadas aos seus jogos adultos, alegando “certos riscos” sem fornecer detalhes específicos. Mesmo apresentando documentação que comprovava a legalidade dos títulos no Japão e nos Estados Unidos, o banco manteve a decisão.

A discussão ganhou repercussão entre desenvolvedores japoneses e figuras públicas locais. O ex-membro da assembleia de Tóquio, Zenko Kurishita, criticou publicamente o uso de critérios subjetivos por instituições financeiras para bloquear pagamentos de obras legalmente comercializadas.

Nos últimos anos, bancos e processadoras de pagamento têm adotado políticas cada vez mais rígidas contra conteúdos adultos, incluindo jogos e visual novels, mesmo quando os produtos seguem as leis locais e passam pelos filtros exigidos pelas plataformas de distribuição. Para muitos developers independentes, isso cria um cenário em que receitas legítimas podem ser bloqueadas sem critérios transparentes ou possibilidade clara de recurso.

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Comentários
1 comentários
Makoto Bakura4 meses atrás
O que vai acontecer é que daqui a pouco o pessoal vai inventar um jeito de pagar e receber os pagamentos sem depender dos bancos e cartões, porque os caras agora tão inventando mil desculpas pra ficar com a grana e não pagar