Claymore: quando é preciso se tornar um monstro para combater monstros
Desta vez temos um anime que passou por poucas e boas no que diz respeito à sua audiência. Aqueles que assistiram, porém, costumam guardar boas impressões, principalmente pelos seus traços marcantes e pela forma como a obra consegue se tornar única dentro de um tema bastante recorrente entre os animes do gênero. Estamos falando de Claymore, uma história que mistura Dark Fantasy, ação, horror e drama em um mundo medieval onde criaturas chamadas Yoma se alimentam de seres humanos e podem até assumir a aparência de suas vítimas.
É nesse cenário que conhecemos Clare, uma guerreira pertencente a uma organização misteriosa criada justamente para combater essas criaturas. O detalhe é que, para enfrentar os Yoma, a própria organização utiliza os poderes desses monstros para transformar mulheres em guerreiras capazes de lutar contra eles. Assim, Clare não está simplesmente enfrentando criaturas sobrenaturais, ela também carrega dentro de si parte daquilo que a humanidade mais teme. Sua jornada será marcada não apenas pelos combates, mas também pelas descobertas sobre sua própria existência e pelos segredos perturbadores escondidos por trás desses poderes.
O mangá de Claymore foi criado por Norihiro Yagi, que começou sua publicação em 2001. A adaptação para anime chegou em 2007, produzida pelo estúdio Madhouse que desenvolveu diversos trabalhos importantes da animação japonesa. A série possui 26 episódios e utiliza como base o mangá de Yagi, combinando fantasia medieval, horror corporal, monstros que se passam por humanos, tragédia e uma boa dose de drama psicológico.
O mangá de Claymore foi criado por Norihiro Yagi, que começou sua publicação em 2001. A adaptação para anime chegou em 2007, produzida pelo estúdio Madhouse que desenvolveu diversos trabalhos importantes da animação japonesa. A série possui 26 episódios e utiliza como base o mangá de Yagi, combinando fantasia medieval, horror corporal, monstros que se passam por humanos, tragédia e uma boa dose de drama psicológico.
Um dos elementos mais interessantes de Claymore está justamente na ideia central de humanos que precisam utilizar o poder dos próprios monstros para combatê-los. É quase uma tragédia grega temperada com fantasia sombria, para proteger a humanidade, essas guerreiras precisam se aproximar cada vez mais daquilo que deveriam destruir. E quanto mais utilizam esse poder, maior se torna o risco de perderem aquilo que ainda possuem de humano.
A obra também se destaca pelo desenvolvimento de suas personagens femininas. As guerreiras de Claymore são extremamente poderosas, cada uma carregando sua própria história, personalidade, conflitos e cicatrizes. Clare, em especial, está muito longe de ser uma protagonista cujo único objetivo é ficar cada vez mais forte.
A adaptação da Madhouse, entretanto, não contou toda a história do mangá. Quando o anime chegou ao fim, a publicação original ainda tinha muito caminho pela frente. Por esse motivo, os episódios finais seguem um caminho próprio e apresentam acontecimentos que não correspondem exatamente ao desenvolvimento posterior do mangá. Isso não significa que a adaptação tenha perdido completamente sua identidade; pelo contrário, Claymore conseguiu preservar boa parte da atmosfera e das características que fizeram a obra se destacar. Mas quem quiser conhecer a história completa precisa recorrer ao mangá.
Até o momento, Claymore continua sendo um daqueles animes que despertam o desejo dos fãs por uma nova adaptação, seja uma continuação ou um remake para adaptar a história do mangá de maneira mais completa.
Também é importante lembrar que Claymore surgiu em uma época em que a disputa pela atenção do público de anime era simplesmente uma briga de gente grande. Em torno daquele período estavam obras como Monster, Naruto Shippuden, Bleach, Death Note e Code Geass, além de diversos outros títulos que também conquistaram grande destaque. Portanto, mesmo uma produção com uma identidade bastante forte precisava disputar espaço com alguns dos maiores nomes que fazem muito sucesso saindo hoje.
E talvez seja justamente aí que esteja uma das melhores características de Claymore. Diferentemente de muitos animes de ação, seu objetivo não é simplesmente colocar a protagonista diante de inimigos cada vez mais fortes para que ela também se torne cada vez mais poderosa. A história constantemente coloca Clare diante de uma questão muito mais sombria, até onde alguém pode ir para continuar sendo humano?
É nesse ponto que Claymore ultrapassa a simples fantasia medieval e entra no território do horror psicológico. As batalhas são importantes, mas existe algo muito mais assustador por trás delas, a possibilidade de que, para vencer o inimigo, você precise se tornar exatamente aquilo que jurou combater.
Por isso, embora tenha elementos que possam lembrar outras histórias de fantasia e ação, Claymore passa muito longe da ideia de "guerreiras mágicas". Aqui, o poder tem um preço, a força pode representar uma ameaça e a vitória pode significar perder uma parte de si mesmo.
Para quem gosta de Dark Fantasy, horror, criaturas sobrenaturais, personagens femininas fortes e histórias que não têm medo de colocar seus protagonistas diante de dilemas bastante pesados, Claymore continua sendo uma indicação que merece ser revisitada.
E como disse anteriormente, não é uma obra pra criança, por conta da violência, apesar de variar de um streaming para outro, afinal, como explicar que se você precisa se tornar um monstro para proteger os humanos, em que momento você deixa de ser um deles?