Olá, leitores da coluna J-neration! Depois de duas semanas sem posts, por tarefas particulares, finalmente voltei com um tema abrangente e polêmico. Refiro-me a todas as classificações que têm surgido no universo J-Music, sem falar nas várias vertentes do Visual Kei. Para esclarecer um pouco assunto, você provavelmente já ouviu o termo “J-Pop” ou “J-Rock” na Rádio Blast! ou em qualquer outra mídia que se trata de música japonesa e são exatamente essas classificações que vamos discutir aqui.
Esses termos (J-Pop, pop japonês e J-Rock, rock japonês) surgiram no fim da década de 90, devido a uma grande gama de artistas japoneses que aumentavam rapidamente no Japão, influenciados por outros no começo da mesma década. Essa influência era notável, gerando uma característica em comum nas bandas e a partir destas semelhanças construíram-se os gêneros rock e pop japonês. No entanto, a discussão começou no momento em que os estilos foram consolidados: como separar o pop do rock? Várias bandas, até hoje, não tem definição, transitando sobre os estilos (posso facilmente citar “Glay”, “L’arc en Ciel”, “HIGH & MIGHTY Color”, entre outras).
Hoje, para complicar a situação, criam-se termos como “J-Metal” e “J –Punk”. Se um gênero musical é uma característica em comum entre artistas, influenciados por outras bandas que as “impulsionaram”, quais seriam as primeiras bandas representantes do “J-Metal”? Alguns fãs acreditam que uma delas seria “X-Japan”. Então vejamos algumas músicas: “X”, “Rusty Nail”, “Weekend”... Essas sim podem ser consideradas “metal”, pelo o que se entende no ocidente. Porém, “X-Japan” foi ainda mais marcado em seu país por músicas como “Tears”, “Forever Love” e “Crucify My Love”, todas elas melódicas, com temas românticos e sem a agressividade do metal. Já “J-Punk” seria influenciado por “Judy And Mary”, que no começo de seu trabalho foi marcado por batidas rápidas com um vocal feminino, o que indiscutivelmente influenciou bandas como “Shaka Labbits”, “Go!Go!7188”, “Chatmonchy”, entre outras. E assim como dissemos há pouco, “Judy and Mary” não tinha um estilo único, compondo músicas acústicas e eletrônicas.
Assim, todas essas rotulações de estilos “J-alguma-coisa” nos parece uma definição do que não pode ser definido, comprimir a arte a uma pequena parte dela afim de criar grupos, mesmo que todas as bandas “agrupadas” num gênero tenham pouca coisa em comum, seja entre si, seja para com o gênero inserido.
Isso fica ainda mais claro com o que conhecemos por “Visual Kei”. Este, traduzindo, significaria “linhagem visual”, ou seja, bandas que se expressam também através do seu visual. Ora, se todas as vertentes do “VK” (Visual Kei) seguem algum estilo visual (seja oshare, seja kotekote, seja eroguro), não estariam todas inseridas no VK? E mais: tratando-se de bandas, muitas apenas as ouvimos, sendo o visual dela, na maior parte do tempo, ignorados pelos ouvintes das mesmas. Assim, como podemos avaliar somente o visual de uma banda, encaixá-las em determinado grupo, mesmo que a música entre uma e outra tenha poucas características em comum? Da mesma maneira, fãs se perdem em discussões sobre gêneros, sobre qual banda é “eroguro” e qual é “oshare”, muitas vezes não chegando à conclusão alguma. E a discussão, assim como “J-Pop” e “J-Rock”, começa na raiz. Qual banda pode ser enquadrada como VK? Algumas ditas desse gênero no começo da carreira perdem se desfazem das características visuais marcantes, tornando-se “Não-VK” (como Siam Shade), e outras são discutidas até hoje se algum dia pertenceram ao estilo (como L’Arc~en~Ciel).
Mesmo assim, novos gêneros continuam surgindo, novos rótulos, a ponto de construírem um estilo musical/visual onde “L’Arc~en~Ciel” e “SID” estão juntos, sendo que a influência e tempo de uma banda nada têm a ver com o da outra; qualquer pesquisa rápida sobre o perfil das bandas/integrantes comprova isso.
Essas classificações são apenas uma forma de dividir fãs, julgar-se mais conhecedor que outro e excluir/confundir aqueles que tentam saber um pouco sobre um artista que lhes chamou a atenção; mais do que isso, talvez seja hora de pensarmos até onde podemos considerar realmente gênero musica ou apenas influência.
Acredito que essas reflexões sobre o tema não terminam aqui, mas abrem espaço para uma discussão muito mais profunda, onde entram discriminação, egocentrismo e ignorância. Obrigado a todos que leram até aqui, peço que me desculpem por não ter postado nada de novo na semana passada e nos vemos daqui a sete dias. Mata raishuu!
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