Com certeza, 2011 foi um ano de grande movimento para o metal nacional em diversos sentidos: tivemos grandes polêmicas e grandes debates, tivemos grandes lançamentos e gratas surpresas, shows e turnês de bandas nacionais atingindo palcos internacionais, entre outros acontecimentos.

Para falar sobre o ano passado, sobre as expectativas para este ano, lançamentos e, principalmente, para se apresentarem formalmente para os leitores e ouvintes do Brasil in Metal, os bem-humorados e perseverantes membros da Nostoi deram o “ar da graça” por aqui. Se você não conhece a banda, corra para as colinas, mas não se esqueça de levar seu MP3 com as músicas que a banda já tem lançada e se preparar para o álbum que vem por aí.

Brasil in Metal: Nostoi é um poema grego, além de significar regresso ou retorno. O nome foi dado pela ex-vocalista da banda. Após sua saída, a banda não pensou em mudar o nome nenhuma vez?

Marco: Não teve porque vermos alguma mudança. A saída da Rafaella foi amigável, partindo dela, assim mesmo como foram todas as saídas de todos os integrantes que já passaram pela banda até hoje, tanto que ainda tocamos músicas compostas em conjunto com os mesmos, como no caso de “The Vulture”. Mesmo com a saída dela, a banda já começava a criar certa identidade, e uma mudança de nome poderia ser bem complicada.

Leandro: Nunca cogitamos essa mudança de nome, não. Com as idas e vindas que a banda já teve, virou até uma piadinha interna... a gente sempre “retorna” pra Nostoi (risos). Mas é um bom sinal, porque assim nunca iremos acabar de verdade, estaremos sempre retornando aos palcos! Além disso, é um nome bem conciso e que foge do nome padrão de bandas de heavy metal, o que condiz com nossa proposta também.

Nienna: Não, nunca pensamos. Pelo menos nunca discutimos isso desde que eu estou na banda. Todos gostam do nome e é isso aí! /,,/

Brasil in Metal: Vocês possuem composições diversas. Qual a linha de raciocínio que a banda usa para compor as músicas? Vocês possuem algum “tema” de que gostam de tratar mais em suas letras ou preferem a aleatoriedade de ideias que surgem de cada membro?

Nienna: Nossa linha de raciocínio é simples: fazer o que a gente gosta. Achamos péssimo nos prender a uma única coisa. Claro que essa liberdade tem um limite... não vamos compor música pop. Mas essa liberdade traz muitos elementos diferentes que possibilitam que a música fique mais rica.

Pedro: Nós não seguimos uma linha para compor as músicas, isso vai do momento e da inspiração de cada um. Isso pode ser visto na diversidade presente em nossas músicas.

Leandro: Aleatorieadade, zoação, alegria e tristeza, bom senso e falta de senso, amor e ódio, o que vier na hora!

Marco: Assim como na proposta sonora, as letras também bebem de diversas fontes. Assim, não apenas a temática das letras mudam, como também a própria época em que a história contada se passa.

Brasil in Metal: Do que vocês sentem maior falta no cenário do metal nacional? Qual é ou quais são as principais melhoras que vocês gostariam que fossem feitas?

Nostoi: É clichê a resposta, mas certamente falta um pouco mais de união e menos disputa entre os membros do cenário. Falta também um profissionalismo “de verdade”, que é difícil de ser alcançado, pelos custos materiais e pessoais que isso envolve, e sabemos muito bem que existe pouquíssimo apoio ao heavy metal no país, dificultando ainda mais as coisas pro nosso lado. Existem iniciativas isoladas, mas aí que mora o problema: elas não podem ser isoladas, têm que existir em conjunto pra que tenham mais força!

Brasil in Metal: Vocês possuem referências das mais diversas, do classic rock até o thrash metal e bandas como Destruction. Falando de bandas nacionais, vocês destacariam alguma como tendo real influência em suas composições?

Pedro: Pelo menos da minha parte tenho influência do Angra, que é uma banda que curto muito, e temos influência das bandas de metal de MG.

Marco: Da cena mineira, podemos destacar principalmente o Overdose como fonte de inspiração, principalmente em sua fase inicial, com direito até a já termos homenageado a banda em shows passados tocando “A Última Estrela”. Inclusive já ouvimos gente após isso dizendo que nunca haviam ouvido alguém fazer um cover deles!

Leandro: No meu caso não diria que eu tenho uma influência direta de bandas nacionais de heavy metal ou mesmo rock’n’roll, mas certamente sinto um toque de outros estilos musicais nacionais que me agradam, principalmente o Clube da Esquina, que eu cresci ouvindo, e o 14Bis, que acho melodicamente uma das bandas mais interessantes de Minas Gerais. Vindo do metal, ainda que não seja definidora na hora das composições, bebemos na fonte da clássica Overdose, que na década de 80 era a banda daqui que fazia um som mais limpo e melódico, numa região que imperava (ou impera ainda) as vertentes mais extremas do metal.

Brasil in Metal: Vocês estam terminando a produção do primeiro full-length da banda. Vocês já sabem ou já podem dizer ao fãs um pouco do que eles podem esperar do CD? Ele será lançado no formato convencional ou em digipack?

Leandro: Bom, sem revelar coisas demais, posso dizer que basicamente o CD é composto por músicas que já executamos ao vivo, apenas uma das faixas é inédita nesse sentido. As 3 faixas do nosso EP virtual, The Vulture também estarão presentes, com uma mixagem diferenciada, mais próxima do novo material. Vão ser 11 faixas que trazem bem a nossa ideia como banda, que é se divertir e deixar os limites do termo “heavy metal” de lado! Nos divertimos muito trabalhando neste CD, nos shows, nos ensaios, e é isso que a gente gosta de passar, então certamente será um trabalho gostoso de se ouvir, oscilando entre o rock’n’roll e o heavy metal, com muita porrada na orelha e, porque não, baladinhas pra abraçar a namorada no show!

Marco: Será uma verdadeira viagem, em breve entenderão. Gravamos novamente com nosso amigo Renato Kojima (baixista da Rosa Ígnea) e podemos adiantar que o trabalho está em excelentes mãos. Quanto do formato, ainda estamos estudando, mas em um primeiro momento devemos lançar em formato convencional apenas. Dependendo da repercussão, quem sabe... às vezes até rola um vinil para o pessoal mais old-school (risos).

Leandro: Ah! E se o encarte sair como o Marco está pensando em fazer, vai ser melhor que o CD (risos).

Brasil in Metal: Como sempre digo, é difícil escolher entre um filho e outro. Mas dentre todas as composições que vocês tem até o momento, qual vocês já definiram que será ou qual vocês apostam que será o “carro-chefe” do álbum? Por quê?

Nienna: O single será “When I Met Rock’n’Roll”. É uma música mais voltada pro rock e geralmente é a música que o pessoal mais agita no show. Mas acredito também que “Human Flood e the Girl”, “The Train and the Book” serão músicas favoritas de muitos!

Pedro: É difícil ter uma noção de qual será essa música, pois é algo inesperado, talvez uma música que a gente menos espera seja a mais abraçada pelo público. “Human Flood” é uma música que deixa uma boa impressão nos shows e “When I Met Rock’n’Roll” tem um refrão marcante.

Marco: Por um bom tempo, em minha visão, “The Vulture” foi tida como nosso carro-chefe. Foi a primeira música nossa a ser divulgada. Agora temos um plano já para outra, para a qual já temos inclusive idéia de video. Porém, a verdadeira marca registrada da banda é sempre aquela que o público mais curte, fazendo, como disse o Pedro, com que a sua escolha seja determinada mais pelos ouvintes, que a abraçarão, do que nossa.

Brasil in Metal: O álbum será lançado por alguma gravadora ou será independente? Vocês já tem uma data prevista para o lançamento?

Marco: O inverno brasileiro poderá estar mais animado, se é que me entende (risos). Assim como foi com o EP, vamos lançar de modo independente. Mas se tiver alguém de alguma gravadora lendo a entrevista, estamos abertos a conversas (risos).

Leandro: Independente mesmo, por enquanto. E certamente haverá um show de lançamento muito especial!

Brasil in Metal: Falando exclusivamente sobre a banda, como foi o ano de 2011? Quais os melhores acontecimentos para a Nostoi?

Pedro: Foi um ano importante para banda, porque lançamos a nossa demo e demos início a gravação do CD. Foi um ano de mudanças também, pois passamos a ter apenas uma guitarra. Tivemos acontecimentos marcantes, como o Stone Metal Fest, nossas músicas tocaram em rádios e expandimos nossos contatos nas redes sociais.

Marco: Só de termos conseguido lançar o EP o ano já valeu. Toda repercussão que tivemos sobre ele, ter nossa música sendo divulgada em programas de rádios (convencionais e onlines), tudo muito positivo.

Leandro: Foi foda pra caralho, fato!

Brasil in Metal: Obrigado pela entrevista, aguardo ansiosamente pelo lançamento do álbum. Parabéns pela gravação, grande abraço e muito sucesso pra vocês.

Leandro: Nós que agradecemos o espaço e o apoio Léo! Pode saber que assim que o CD estiver pronto, você terá um em mãos! Autografado e tudo, vai que a gente fica famoso e isso vale milhoes de dolares num futuro distante né? Abraço!

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Publicação original de 09/03/2012. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.

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