Muito bem, mancebos do rock. Desta vez o Brasil in Metal trouxe para um bate-papo produtivo, sincero e bem humorado Flávia Morniëtári, vocalista da banda paulistana de metal HellArise.
HellArise é uma banda 100% feminina composta por mulheres batalhadoras que estão, como inúmeras bandas nacionais, lutando para conquistar cada vez mais espaço.
Recentemente, Flávia foi destaque no The Female Vocalists of Extreme Music, um canal do YouTube que fala sobre as vocalistas do metal extreme ao redor do mundo, mas isso você confere na entrevista abaixo.
Brasil in Metal: Muito obrigado pela entrevista, meninas, é um prazer tê-las aqui no Brasil in Metal. Desde o início os planos eram para que a banda fosse 100% feminina ou isso apenas foi consequência do tempo?
Flávia: A gente que agradece o espaço!
E, sobre a pergunta: sim, a intenção desde o começo era ser uma banda feminina. Não tínhamos decidido sobre o direcionamento musical da banda ainda, quando começamos: a única certeza é que as integrantes seriam todas mulheres!
Brasil in Metal: Em pleno século XXI, você sente alguma diferença entre as dificuldades que vocês enfrentam como uma banda feminina e as dificuldades que o restante das bandas enfrentam?
Flávia: Olha, acho que só por sermos uma banda de metal no Brasil, já enfrentamos mais dificuldades que outros estilos. E, sim, ainda tem aquela galera que “olha torto” por ser banda de mulher. Mas como nosso foco é na música, não na aparência ou no fato de sermos mulheres, a gente tem percebido que o pessoal percebe isso e passa a respeitar mais.
Brasil in Metal: Você possui referências de outras bandas 100% femininas no mundo? E no Brasil?
Flávia: Ah, sim! As meninas sempre curtiram The Runaways, Crucified Barbara. Eu, particularmente, desde que comecei a resenhar para um site internacional uns bons anos atrás, garimpava bandas por aí, a grande maioria com mulheres apenas no vocal, mas descobri coisas muito boas — totalmente female metal — como o Astarte!
No Brasil, acho que a coisa toda começou com o Volkana (relembrem a entrevista com Mila Menezes). Mas faço questão de citar as nossas amigas e predecessoras do Panndora, Scatha e Mortarium!
Brasil in Metal:Vocês lançaram a demo Human Disgrace em 2010, que foi e continua sendo bem aceita pelos fãs e pela crítica especializada. Quais as metas e os planos para 2012?
Flávia: Bom, como a Mirella (Max), nossa baterista, fez o favor de quebrar o braço feio, com direitos a pinos e placas, nós tivemos que tirar umas férias forçadas. Não paramos 100%, continuamos compondo, tocando em casa, mas aproveitamos esse tempo para priorizar algumas coisas pessoais, trabalho, projetos paralelos etc. Agora que estamos de volta, já temos dois shows internacionais pra abrir (setembro e novembro) e um festival feminino no interior, com as meninas do Panndora e Mortarium, em outubro. Sobre os outros planos, farei suspense por enquanto, pois logo mais vamos divulgar novidades!
Brasil in Metal: Costumo sempre perguntar sobre os temas que as bandas abordam em suas músicas, pois acho uma parte importante do trabalho. Vocês possuem alguns temas que normalmente regram suas composições ou vocês compõem de acordo com o “sentimento do momento”?
Flávia: Quanto às letras, apesar de não termos um tema fixo, acho que problemas do mundo, como injustiça e violência, são recorrentes. Não temos um jeito fixo, uma fórmula para compor: algumas vezes começamos com um riff, outras, com ideias gerais de som, ou com a letra, ou um filme, um livro, sei lá! (risos) Qualquer coisa pode ser inspiração ou referência, sabe? Na nossa música, tudo é adaptável, contanto que a qualidade prevaleça.
Brasil in Metal: Recentemente você foi destaque na série The Female Vocalists of Extreme Music. Vocês sabiam que você seria destaque antes do vídeo ir ao ar ou para vocês também foi uma grata surpresa?
Flávia: Foi uma surpresa, uma ótima surpresa! Que, inclusive, só ficamos sabendo pelo Facebook da banda, onde mais de uma pessoa postou o vídeo e nos marcou nas tags!
Brasil in Metal: Pra vocês, quais foram os maiores destaques femininos (além de vocês, claro) no mundo do metal em 2011?
Flávia: Vai soar esquisito agora, mas vou falar de uma banda que não é totalmente feminina, que o pessoal adora descer a lenha e lançou um disco abaixo do esperado em 2011: Arch Enemy. Podem falar o que for, mas a é uma banda com música de qualidade, e nós, mulheres, devemos muita coisa para a srta. Gossow, porque, gostando dela ou não, ela abriu caminhos paras nós, mulheres que fazem uma música mais extrema! Antes, as bandas femininas eram meio restritas ao metal mais tradicional, e as “front-women”, ao gothic metal. Outra banda que faz um som pesado e diferente, The Agonist. Só pra deixar claro, não acho que a Angela e a Alissa sejam as melhores vocalistas femininas do mundo, conheço pessoas que não curtem os vocais delas, mas — vou polemizar aqui — acho que quem fala muuuuito mal delas tem é dor-de-cotovelo! (muitos risos)! Não podemos negar o papel que elas representam na música extrema hoje, gostando ou não do estilo!
Nota do entrevistador: Concordo com tudo, e, particularmente, gostei muito do Khaos Legions.
Brasil in Metal: O que a banda vê como principal dificuldade para um banda de metal se lançar, se firmar e crescer no Brasil?
Flávia: Primeiro, aqui no país, existe sim um preconceito quanto ao estilo. Melhorou muito de uns tempos pra cá, mas tem muito que evoluir ainda... *pokémon feelings* (muitos risos)
Nota do entrevistador: Piada mais infame que já recebemos em entrevistas. Adorei!.
Mas falando sério, acho que o problema é a cultura geral mesmo: tudo relativo à cultura, música e artes não é valorizado como deveria. O estilo — heavy metal — só dificulta mais a situação. Por mais que você invista, faça curso e se dedique, sabemos que beira o impossível, é utópico querer viver de banda no Brasil. Então todas nós temos nossos empregos (ou não! :P) e temos a banda pelo prazer de tocar, fazer música e poder dividir isso com as pessoas que gostam!
Outra grande dificuldade aqui — também tem relação com a cultura local — é buscar apoio, patrocínio, endorser, produtor sério etc. Então muitas vezes levamos, por exemplo, se for o caso de gravar algo, o dobro ou o triplo do tempo para gravar, porque como absolutamente tudo sai do nosso bolso, fica bem mais difícil conciliar tempo, dinheiro, trabalho, equipe e todo o resto. No caso dos shows, o que a gente acaba fazendo é juntar o pessoal das bandas que conhecemos e ou nos juntamos para tocar/fazer um evento ou “trocamos figurinhas” para recomendar lugares, indicar amigos etc. Como a gente não tem grana sobrando nem ninguém por trás bancando, a coisa só anda por essa colaboração mútua entre o pessoal do meio mesmo...
Brasil in Metal: Flávia, sempre um prazer falar com boas bandas por aqui (e com pessoas sinceras e bem humoradas também!). Espero continuar tendo notícias de vocês, e sempre notícias melhores. Acompanharemos de perto o trabalho e contém com o Brasil in Metal sempre.
Flávia: Novamente, agradecemos pelo espaço e atenção! Quem quiser saber mais sobre a banda e apoiar nosso trabalho, acesse nosso site e curta nossa página no Facebook. E, se tudo der certo, teremos novidades para contar em breve! Beijos a todos!
Serviço:
- Site da HellArise
- Página da HellArise no Facebook
- Twitter da HellArise
- E-mail de contato com a HellArise
- Canal da HellArise no Youtube
Publicação original de 16/07/2012. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.