Hoje aqui no Brasil in Metal teremos a honra de entrevistar ninguém mais, ninguém menos que Mila Menezes. Pra quem não conhece ou não ligou a pessoa ao nome, Mila foi uma das fundadoras do Volkana, que, por sua vez, foi uma banda de thrash metal, formada no final da década de 80.
O Volkana era originalmente formado apenas por mulheres, sendo elas: nossa entrevistada, que era baixista; Karla Carneiro, na guitarra; Ana Lima, na bateria; e Elaine, no vocais. Porém, a formação da banda mudou antes mesmo de gravarem o primeiro álbum, e entraram para banda Marielle Loyola assumindo os vocais, além de Sergio Facci na bateria. Essa ficaria conhecida como a formação clássica da banda.
A banda foi muito importante para o cenário nacional do metal, e provaram o valor feminino com seu ótimo trabalho. Abaixo, uma foto de Mila hoje e dela nos tempos de Volkana. Reparem que os anos foram generosos com nossa entrevistada. E por falar em entrevista...
Mila Menezes — Volkana
Brasil in Metal: Mila, primeiro gostaria de dizer que é um prazer entrevistar você aqui no Brasil in Metal. Você foi baixista de uma das mais importantes e notáveis bandas de metal feminino do Brasil, a Volkana. Como a banda começou? As integrantes já se conheciam?
Mila Menezes: Nós morávamos em Brasília. Na verdade a banda Volkana nasceu porque eu tinha feito parte de uma banda com amigas que tocavam já: Marielle (Arte no Escuro; Escola de Escandalos), Débora (Detrito Federal), Syang (PUS).
Mas, como eu não gostei do estilo do AUTÓPSIA (Death Metal), resolvi sair e montar minha propria banda. Aí montei-a com a Karla (que cantava e tocava guitarra) e com a baterista Ana Lima. Mais tarde, Marielle e Débora foram chamadas para participar da nossa banda e aceitaram. Chegamos a convidar a Syang, mas ela ja estava com o PUS.
BM: De onde e de quem veio a ideia para o nome? Ele tem algum significado especial para vocês?
MM: O nome foi dado por mim. Foi achado no dicionário junto com o Flavio Pio, na época meu namorado. Era sonoro, forte e o significado tinha tudo a ver: “Flor que nasce do lixo”.
BM: Quando a banda começou, qual foi a maior dificuldade que a banda enfrentou? E, com o passar dos anos, essa dificuldade continuou a mesma, melhorou, ou apareceram outras dificuldades?
MM: A maior dificuldade sempre foi manter todas com o mesmo objetivo comum. Fazer com que todas pensassem sempre na mesma direção foi complicado. No final, eu acabei me casando e engravidando primeiro, o que fez com que a banda tivesse que dar um tempo... E, logo depois, me mudei para o interior, onde vivo ate hoje.
Esse foi o motivo do Volkana não tocar mais... Nos afastamos.
BM: Vocês eram normalmente classificadas como uma banda de thrash metal, porém, ouvindo seus álbuns, é notável uma gama muito maior de influências. Dentro do thrash mundial, quais eram as inspirações de vocês? E dentro do thrash nacional?
MM: Nossas influências eram diversas: Rush, Motörhead, Ramones, Black Sabbath, gostávamos do Ratos de Porão, Inocentes, Sepultura, Metallica, Voivod, Runaways e muito mais... A Marielle gostava de Mercy Full Fate. Era uma mistura... Led Zeppelin...
BM: Vocês regravaram clássicos do rock’n’roll e do punk, como “Whole Lotta Love”, do Led Zeppelin, e “Pet Sematary”, do Ramones. De quem foi a ideia de regravar esses clássicos? Algum motivo especial por ter escolhido essas duas músicas dentre tantas outras?
MM: Escolhíamos o que a banda inteira gostava e concordava em gravar. Só isso...
BM: A banda se separou algum tempo após o segundo CD. Como foi tomada essa decisão? Houve algum membro que foi mais relutante em encerrar as atividades da banda ou foi uma decisão de comum acordo entre todos?
MM: Além da minha gravidez, cada uma estava em uma direção nessa época. Tentávamos fazer musica mas divergíamos muito quanto ao que queríamos produzir... e a banda foi ficando sem musicas novas, sem projetos e sem apoio... Aí, com o nascimento do Yan, meu filho, eu tive que me ausentar mesmo e acabamos dando um tempo.
BM: Em algumas oportunidades a Volkana cogitou a possibilidade de retornar, inclusive em 2008 você e a Mariele (vocalista que gravou o primeiro álbum) cederam uma entrevista onde disseram que a banda estava voltando. Essa volta aconteceu?
MM: Não. Nós tocamos em São Paulo em agosto de 2009 e só. A Marielle mora em Curitiba, eu moro em Bauru... Temos filhos que ainda dependem da gente... Ficou complicado...
BM: Em alguma das vezes em que a banda cogitou essa possibilidade de voltar, pensaram em gravar material novo?
MM: Sim. Inclusive produzimos algo novo a distância. Tinha gente querendo produzir a gente, mas não dava pra largar tudo aqui e tentar novamente em São Paulo... Não tínhamos 20 e poucos anos mais. (risos)
BM: E você, Mila, como tem sido a sua vida desde a separação da banda? Você tem mantido algum contato com o meio musical?
MM: Bom... A maternidade pirou minha cabeça. Não consegui fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Me dediquei a estudar e cuidar do meu filho aqui no interior pra ele ter qualidade de vida. Não toquei mais até porque eu gostava do Volkana, não tinha vontade de tocar por tocar.
BM: Você ainda acompanha o metal nacional? Atualmente quais bandas desse cenário você destacaria?
MM: Não tenho acompanhado, não. Na verdade, me afastei da musica em geral.
BM: Você tem filhos, Mila. Algum deles tem idade suficiente e já demonstrou interesse pelo mundo musical? Eles escutam o estilo de som que você ouvia ou ouvem algo diferente?
MM: Eu tenho o Yan, que hoje tem 14 anos. Já é meu fã... Usa camiseta do Volkana e do Brasil Heavy Metal.(risos) Mas ele curte mais rap e gosta de videogames (fanático). Outro dia falou que queria aprender violão, mas não sei não (risos)... Veremos isso mais tarde.
BM: Mila, agradeço muito a você pela entrevista e te dou os parabéns pela sua carreira e pela importância que você e suas companheiras tiveram para o metal nacional e para ajudar na conquista de um espaço maior para as mulheres no meio do rock/metal.
MM: Eu que agradeço o carinho e quem sabe o Volkana não volta por uns tempos, quando isso for possível. Temos muita vontade. Pode crer. Beijo a todos.
Publicação original de 13/10/2010. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.