Eles estão chegando
Opa, como vão, pessoal da RB!? O começo do ano chegou, e, com ele, vários ótimos filmes que estrearam no fim de 2011 nos EUA chegam só agora por aqui. Entre eles, dois, principalmente, me chamaram a atenção: As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne e A Invenção de Hugo Cabret. O primeiro, uma obra clássica dos quadrinhos em todo mundo adaptado para os cinemas por ninguém menos que Peter Jackson (O Senhor dos Anéis) como produtor e Steven Spielberg como diretor. O segundo, um filme de Martin Scorsese que simplesmente recebeu onze indicações ao Oscar deste ano.
Pois bem, enquanto Hugo Cabret só estreia no Brasil em fevereiro, Tintim chegou dia 20 deste mês e, ao menos pelos números de bilheteria alcançados por aqui, já faz grande sucesso. Trata-se de um filme de animação diferente dos demais. Mistura humor, ação e mistério tão magistralmente que certas vezes nos pegamos nos perguntando a qual gênero o filme pertence além do tão dúbio “animação”. Trata-se de um longa que, além de agradar as crianças, também se mostra interessante ao público adulto uma vez que a infantilidade e a subestimação do espectador não existem em nenhum momento. Por fim, a animação é divina em todos os aspectos e faz as cenas mais rápidas parecerem reais. Conheça esse clássico dos quadrinhos que recebeu uma adaptação à altura para o cinema:
Tintim?
As Aventuras de Tintim é o título de uma série de histórias em quadrinho desenhada pelo autor belga Hergé. A primeira história foi publicada em 1929, e, desde então, o autor continuou produzindo mais capítulos até sua morte, em 1983. Trata-se de um clássico dos quadrinhos em todo o mundo, principalmente na Europa. A obra já recebeu várias edições especiais e até episódios animados para a televisão anteriormente.
As histórias envolvendo o personagem, um repórter belga, misturam na dose certa tudo o que um leitor de quadrinhos procura: ação, mistério, humor e, não menos importante, uma trama muito bem escrita e prazerosa de se acompanhar. Tintim procura por mistérios para que futuramente possam ser publicados no jornal. Desta forma, o personagem principal possui aquele senso de confusão e curiosidade indispensável para qualquer protagonista infantil. No entanto, ao contrário do que se possa pensar, não faltam às aventuras temas adultos. Além da fantasia e mistério já esperado, entram também a ficção científica e temas políticos recorrentes à época em que as histórias foram publicadas.
Assim, As Aventuras de Tintim é uma série acima de tudo extremamente versátil e simpática no que diz respeito a gêneros. Valores como amizade, justiça e boa-vontade, os quais são exaltados e representados em Tintim, fazem tudo de uma simplicidade e funcionalidade muito bem calculada.
O Longa
Somos apresentados ao jovem repórter Tintim, o qual, com seu cão Milu, procuram por mistérios a serem resolvidos. Tintim encontra um famoso navio em miniatura perto de sua casa para ser vendido e o compra. Mal sabia ele que aquele navio era alvo de uma pessoa bem perigosa, a qual não mediria esforços para consegui-lo. Tintim diz que não quer vender e o leva para casa. Ele deixa a miniatura por lá e sai intrigado por conta do interesse das pessoas naquilo, decidido a descobrir mais sobre o que aconteceu com a embarcação real. É então que ele descobre sobre um mistério que envolve dois capitães, piratas e tesouros. A aventura começa por aí, bem pequena, e toma proporções gigantescas conforme o enredo avança.
Tintim conhece o Capitão Haddock, peça fundamental na história e personagem clássico dos quadrinhos. Os dois se juntam para resolver esse mistério e, se possível, ganhar alguma recompensa no fim. Para isso, cada um passa por situações extremamente adversas, que demandam força tanto física quanto moral. Através de socos, chutes, piadas e deduções, o filme, além de tudo, fala sobre superação interna e força de vontade.
Análise
Os personagens se veem em lugares e situações os quais nunca imaginaríamos se levarmos em consideração o começo do filme, tudo de forma bem rápida e sem deixar a ação parar nem por um momento. Aliás, essa é uma característica bem marcante no longa: a ação quase que interrupta. Depois que as coisas engatam, não há mais nenhum momento de descanso, e tudo acontece bem rapidamente.
Essas sequências, no entanto, poderiam se tornar entediantes caso tratassem apenas da pura e simples ação, mas não é isso que acontece, felizmente. O surrealismo dessas cenas casa-se perfeitamente com o humor nelas presente. Junto com lutas e situações tensas, são comuns tiradas humorísticas de muito bom gosto, como se tudo fosse, na verdade, uma grande brincadeira. Quando se vê, tudo já aconteceu, e os personagens estão prontos pra outra como se nada tivesse acontecido. O melhor é que nem eles, personagens, nem nós, espectadores, em nenhum momento nos cansamos.
Através da grandiosidade do enredo após a história se desenvolver e dos destinos para onde os personagens vão, a sensação que fica é que tudo pode acontecer. A fantasia se faz da melhor forma e os perigos são só um detalhe dentro de uma causa maior. A amizade entre Tintim e Capitão Haddock se assemelha a outras famosas do cinema, como aquela entre Dr. Emmett Brown e Marty McFly em De Volta para o Futuro. Apesar da amizade já ser um tema bem saturado, muitas vezes desenvolvido com certa rapidez e falta de fundamentos, a amizade em Tintim é um dos pontos altos do filme.
Além disso, a técnica de animação é um show à parte e faz qualquer um perceber a fluidez dos movimentos, desde aqueles que nunca viram uma animação na vida até outros que já possuem certa bagagem nesse gênero. Pra se ter uma ideia, foi utilizada uma tecnologia que captura movimentos de atores reais e as transmitem para os personagens. Essa é a mesma técnica que foi usada em filmes como O Senhor dos Anéis para representar personagens como Gollun, que, aliás, conta com o mesmo ator para representar Capitão Haddock. E, apesar de toda essa tecnologia empregada, a obra ainda se mantém fiel ao traço original de Hergé e não tenta ser nada extremamente diferente dele, o que dá ao longa um toque refinado e retrô.
Por fim, e não menos importantes, as sequências de ação, tão presentes no filme, são simplesmente geniais. Em especial aquela em que dois navios se confrontam em meio a uma tempestade em alto mar. Tratando-se de uma animação, absolutamente todos os ângulos de câmera são possíveis, e aí sim podemos ver a qualidade do longa. Em suma, é tudo muito bem acabado. Eu diria que apenas a música, que não se mostrou em nenhum momento algo muito marcante, e talvez o gancho do fim deixaram a desejar.
Por Fim
As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne é, pelo conjunto da obra, uma animação fantástica e bem interessante de se ver. Confesso que quando me dei conta, os créditos já estavam subindo e eu nem havia percebido quanto tempo tinha se passado.
Um personagem simpático, um enredo simpático e uma narrativa simpática. Tudo isso fazem de Tintim um filme tão fácil e receptivo que chega a ser surreal. É como se já conhecêssemos o personagem e aquela história há anos e só agora tivéssemos os reecontrado.
Publicação original de 25/01/2012. 5 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.