Resenha de Cold Finger Girl, de Chiaki Kuriyama (DefSTAR Records, 2011). Nota: 8,0.

― (Bêbado) Você gosta de Ferraris?

― Ferraris... Lixo italiano.

― Hahaha!

― Você quer me foder?

― (Surpreso) Hahaha!

― Não ria. Você quer me foder, sim ou não?

― Sim.

― (Enfia uma espada samurai no estômago dele) E agora, garotão? Você ainda deseja me penetrar?... Ou fui eu quem penetrou você?

Se você não se lembra deste diálogo é porque provavelmente não habitou este planeta nos últimos dez anos. Gogo Yubari é uma menina de 17 anos que mata por diversão. Guarda-costas principal de O-Ren Ishii, um dos nomes na lista de vingança da Noiva de Kill Bill Vol. 1, belíssimo exercício de estilo de Quentin Tarantino.

O filme foi um dos pontos do cinema da década passada e o maior propulsor da carreira de Chiaki Kuriyama, a talentosa menina que interpretou Gogo Yubari. Também estão no currículo papéis em Battle Royale, Ju-on, Azumi 2: Death or Love e Yōkai Daisensō.

Workaholic de primeira — ela emenda séries de TV, filmes e dublagens em profusão —, Chiaki, agora com 26 anos, experimenta um lado musical. Mas, diferente do que se poderia esperar, os CDs não soam como uma atriz que inventou de fazer música. “Cold Finger Girl” é incrivelmente natural.

A bela voz de Chiaki é acompanhada por um instrumental vigoroso na faixa-título. Destaque para o guitarrista com aquele timbre de Fender Jaguar que faz qualquer fã das bandas de Nagoya sorrir. Refrão roqueiro e eficiente na medida certa. A Sony, como faz com quase todos os artistas que agencia, deu um jeito de enfiar “Cold Finger Girl” numa abertura de anime. Nesse caso, o escolhido foi LEVEL E, uma comédia com toques sci-fi que era publicada na Weekly Shōnen Jump.

“Getsumen Nanchakuriku”, o b-side, não é tão legal quanto a faixa principal, mas não faz feio. O estilo dessa é mais macio, com uma letra bonitinha sobre a lua. Um pop sem medo de ser feliz.

Uma grata surpresa, já que a cena pop japonesa anda um horror. Cantoras com vozes estridentes, grupos de 10 ou 15 menininhas que mal menstruaram em poses eróticas, boy bands tão sinceras quanto uma entrevista com o Fábio Assunção. Só não é deprimente porque o resto do mundo também vai por um caminho parecido.

Chiaki, claro, faria mais sucesso se fosse escoltada por uma matilha requebrante ou contasse preferências sexuais em programas de variedades. Como não é o caso, provavelmente vai se perder no meio das pilhas de singles que inundam as prateleiras das lojas toda semana. Mas, para os amantes de boa música, está aí um nome para prestar atenção.


Publicação original de 01/02/2011.

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