Quando eu me mudei para os EUA, eu pensava que a vida aqui seria melhor/fácil, isso em minha doce inocência de um menino de 18 anos que deixou o país para ir estudar e trabalhar em outro lugar. Porém, mal sabia eu que melhor e fácil não andam juntos. Minha vida aqui com certeza está muito melhor, afinal eu tenho meu canto, meu Audi TT (usado, mas é meu e está pago) plus outros apetrechos tecnológicos como Xbox, PC, Apple, iPod etc. Muito melhor do que me encontrava no Brasil; Mas não quer dizer que é fácil.
Um dos motivos por não ser fácil é que mesmo eu, que sempre fui uma pessoa que trabalhava e estudava, não tinha contas a pagar e não tinha um chefe louco, biruta, que muda de ideia toda hora. Mas que, ao mesmo tempo, é um exemplo de vitória. Resumidamente, ele é a briga eterna entre o bem e o mal, não esquecendo que ele é brasileiro, o que, na mente dele (acho eu), lhe confere o direito +2 de ser mal-educado com os conterrâneos.
Muitas pessoas acham que porque eu moro aqui a vida é fácil, alegre e saltitante. Porém, todavia e todas as adversativas possíveis, a vida aqui não é uma maravilha, mesmo porque a crise veio e achou que podia ficar. Parecia pra mim um karma, porque o Brasil não estava com a bola toda quando eu vim pra cá e, quando eu vim, aqui ferrou e o Brasil brilhou, parecia coisa do demo. Muita gente se ferrou aqui de um jeito horripilante, mas agora já está muito melhor. Para ter uma ideia, quando eu cheguei aqui, achava que havia muita grana rolando, principalmente nas gorjetas, mas, agora que a economia já esta se aquecendo, eu vejo como agora, sim, que está bom. Principalmente pro meu chefe, que voltou a fazer muita grana.
Acabei falando do meu chefe e do trabalho, mas não expliquei o que eu faço. Aqui nos EUA eu sou o famoso “Valet” — acho que o termo vem do francês —, vulgarmente conhecido na terra tupiniquim como o famoso “flanela” ou manobrista. Só que aqui a vida é muito diferente e consigo tirar uma ótima grana disso. Somando com a gorjeta a vida fica ainda melhor. Fora todos os carros que você dirige e famosos que você vê. Em minha lista de famosos estão Morgan Freeman, Nicolas Cage, Kevin Bacon, Fran Drescher, Brad Pitt, Anne Hathway, Arnold Schwarzenegger e muitos outros. Outra coisa legal é que, se você possui um amigo ou conhecido no ramo de paparazzi e você liga pra esse conhecido quando você vê uma pessoa famosa, se ele vem e consegue uma boa foto, você acaba ganhando uma grana com isso. Aqui tudo o que se faz é recompensado (não pensando que você faz por causa do dinheiro, mas porque é um incentivo); a mentalidade deles é assim e ajuda muito no final do mês.
Moral da história pra mim aqui é: quanto mais eu fico aqui, mais eu preciso do Brasil, mais eu preciso dos meus antigos amigos, com os quais agora eu só falo por MSN ou Skype (e a diferença de horário não ajuda). Outra coisa é que nunca fiz tanto dinheiro em minha vida; sou feliz, mas, ao mesmo tempo, tenho saudades da minha vida ai. Quero voltar? SIM, mas só para passar férias. Por quê? Porque eu nunca me senti tão seguro na minha vida, e isso porque aqui, além de ter uma polícia bem equipada, a educação é outra, e SIM, tem gente muito pobre aqui. A diferença é a ajuda ao acesso para que o cidadão tenha educação e poder então ter uma chance de trabalhar e ser alguém na vida.
Não quero fazer este post muito longo e cansativo. É mais uma comemoração pra mim de uma vida diferente, melhor e mais difícil. Também faço faculdade aqui e comentarei mais sobre todo o resto futuramente. Qualquer pergunta ou duvidas é só perguntarem nos comments.
Abraço e que a força esteja com todos vocês.
Publicação original de 11/02/2011. 6 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.