Resenha de EVE TO DAWN, de LOUDNESS (Tokuma Japan Communications , 2011). Nota: 7,0.
O LOUDNESS da última década pode ser facilmente definido com uma só palavra: irregularidade. A banda lançou canções interessantes que seus fãs nem se quer ouviram falar, já que fogem de qualquer coisa que possa ser associada à palavra “modernidade” da mesma forma que nossos visitantes e ouvintes fogem da página de doações. Os que arriscaram tiveram trabalho considerável separando o joio do trigo.
Revendo, “BREAKING THE TABOO” dividia espaço com a chata “DYNAMITE” em BREAKING THE TABOO, “EXULTATION” tinha em “POWER GENERATION” seu oposto e assim aconteceu muitas vezes.
O novo álbum, EVE TO DAWN, também poderia ser classificado assim. Cada vez menos extremo do que aquela massa sonora que a banda vinha produzindo, o CD combina elementos recentes com cacoetes da fase de ouro do grupo.
A mistura possibilita que riffs massacrantes em afinações graves conviverem com refrões mais melódicos como em “THE POWER OF THE TRUTH”, “HANG TOUGH” ou “GONNA DO IT MY WAY”. Surpreendente é perceber que os andamentos lentos foram quase totalmente abandonados, a banda dispara em alta velocidade como nos anos 1980, vide “COME ALIVE AGAIN”.
“SURVIVOR”, “KEEP YOU BURNING” e várias outras faixas do tracklist poderiam estar tranquilamente em qualquer lançamento daquela época (o que não quer dizer necessariamente que são todas boas músicas). Os tappings de Akira Takasaki e as levadas fluídas reaparecem como herança direta. Era só adequar à produção daqueles discos.
Aliás, o verdadeiro o ponto fraco de todo o material recente da banda é justamente a má produção administrada pelos próprios integrantes. O resultado sonoro é geralmente abafado, pouco definido e barulhento, prejudicando principalmente os vocais já limitados pela idade avançada de Minoru Niihara.
São trinta anos de carreira comemorados com este EVE TO DAWN e essa nova década parece que vai ser a menos tumultuada da carreira do grupo. Sem trocas na formação, mudanças de proposta ou planos de marketing fantásticos para fazer sucesso no Ocidente, o LOUDNESS segue tranquilamente com todos os seus erros e acertos. Bom para eles.
Publicação original de 10/10/2011.