Resenha de HERALDIC DEVICE, de ANTHEM (Victor Entertainment,Inc, 2011). Nota: 8,5.

Raramente alguém pôs em dúvida que inovação e heavy metal não se dão muito bem um com o outro, e até hoje ninguém incluiu entre as virtudes do estilo o seu caráter de transformação constante. Essa relação de caráter auto-excludente põe em causa a natureza do fã de metal e o próprio desenvolvimento da cena em guetos fora do mainstream.

Então, é até arriscado constatar que o ANTHEM prefira após uma grande turnê de comemoração ao seu aniversário de vinte cinco anos, cheia de participações de ex-membros e resgates de músicas perdidas, não oscilar numa difícil escolha de fidelidades, buscando novas saídas sem descaracterizar o que a banda sempre simbolizou.

Teclados nem um pouco discretos harmonizam o instrumental em “THE SIGN” e “WAYFARING MAN”. Por vezes, o grupo acelera os andamentos em atmosferas densas, reforçadas por um peso abissal das guitarras com timbres modernos. A fluência de Akio Shimizo nos solos continua assustadora.

Obviamente, ecos dos anos 80 reaparecem naqueles refrãos tão indissociáveis dessa época que só por esse fator já soam divertidos (veja os ecos de Scorpions em “BLIND ALLEY”). É até surpreendente que esses cacoetes não tenham permeado todo o disco dado o clima de comemoração.

O ANTHEM poderia ter apelado para as hoje habituais regravações ou gravações de shows temáticos com um álbum clássico. Pelo contrário, sem barganhar sua sobrevivência com os fãs, a banda buscou novos caminhos em um tracklist de faixas inéditas frescas e relevantes.


Publicação original de 12/07/2011.

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