Resenha de Zankyō REFERENCE, de ONE OK ROCK (A-Sketch, 2011). Nota: 5,0.

O hardcore melódico fez mesmo discípulo em todo o planeta. O ONE OK ROCK atende a todos os requisitos do gênero: a ênfase nos vocais limpos, um baterista técnico que exibe seus dotes com bumbos duplos ultraprecisos e gritos ocasionais num verso e outro. Seu contraste em comparação aos colegas ocidentais é o alto teor pop presente no som da banda, o diferencial, para o bem ou para o mal, deste Zankyō REFERENCE.

Não sem motivos, o vocalista Taka foi membro do NEWS, uma daquelas boybands cata-cata sob a égide da empresa de talentos Johnny & Associates. O baixista e o guitarrista também tiveram seus dias de escravidão juvenil no HEADS, grupo de hip hop que conseguiu uma ou outra aparição na TV japonesa.

Mesmo que Taka cante boa parte do tempo com um timbre limpo, “LOST AND FOUND”, “ANSWER IS NEAR” e “NO SCARED” oferecem um rock agitado com traços do emo e sugestões ocasionais de screamo nos gritos onde há muito pouco para distingui-los de uma longa lista de grupos semelhantes que surgiram em meados dos anos 2000.

O lado mais leve da banda, “C.h.a.o.s.m.y.t.h.” e “Pierce”, é pop quase tão sacarino quanto o passado dos seus integrantes, um cruzamento entre o Jonas Brothers com o que seja lá que bandas como o Paramore tocam.

Apesar de uma consistência instrumental notável até pela idade de seus integrantes (todos variando entre os 22 e 24 anos), o ONE OK ROCK é deveras infantil. Tudo é bem tocado, produzido e cantado, mas muito comportado e certinho. Eu não duvidaria se me dissessem que eles são um nome memorável para os fãs do estilo que fazem parte, mas acho que já sou velho demais para gostar disso. E também não duvidaria se no futuro praticassem um som não tão adolescente. Ao menos, tem potencial para isso.


Publicação original de 18/10/2011.

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