Resenha de JUDGEMENT DAY, de BALZAC (DIWPHALANX RECORDS, 2010). Nota: 10,0.
O ano passa e uma enxurrada de lançamentos do BALZAC sempre vem em companhia. Podem ser CDs, DVDs, LPs, VHS, EPs, singles, projetos paralelos ou todo e qualquer tipo de parafernália — CDs, roupas, brinquedos etc. Mesmo um fã da banda se perde em meio a tanta coisa. No entanto, o que importa sempre sobressai e os novos álbuns sempre encaixam-se nessa classificação.
JUDGEMENT DAY é mais uma das muitas pérolas da extensa discografia da banda. Não enxergar isso é estar em uma dessas três categorias de ouvinte:
- Achar que a banda é só uma cópia de Misfits;
- Só gostar dos CDs que têm músicas que parecem Misfits;
- Ser chato.
O BALZAC nunca negou ser uma resposta nipônica aos pais do horror punk, mas a banda também nunca se limitou só a isso — e se tivesse se limitado, nunca teria chegado ao ponto de prestígio que estão. Desde o início, HIROSUKE e seus comparsas flertavam tanto com a estética dos Misfits quanto da outra banda de Glenn Danzig, o Samhain. No entanto, diferente do horror desmiolado de um Astrozombies, as letras dos japas lidam também com o medo e a solidão. As canções variam entre hinos punk melódicos, noise e rock industrial. E desde 2008, no lançamento de Hatred: Destruction = Construction, esse lado industrial tem sido aperfeiçoado mais e mais.
A primeira faixa do discurso é “K.A.K.U.S.E.I”, uma abertura que mal te deixa ganhar fôlego para a porradaria de “THE COUNTDOWN TO DEATH BEGINS”. HIROSUKE continua berrando feito um porco e os riffs e levadas da música são tão raivosos quanto. O disco segue pesadíssimo por faixas como “PSYCHOMANIAC”, “SIGH” e “DETEST YOU”. “PARADE III” é absurdamente atordoante em seus meros trinta segundos de duração. Mas tudo bem, se você não gosta de rock pauleira e gritaria, como diria o meu pai, fique tranquilo. Tem muito mais em JUDGEMENT DAY.
A banda faz um punk bublegum em “RED INDIAN’S ROCK”, lembrando muito grupos japoneses da década de 80 como COLOR e Kamaitachi. DYNAMITE TOMMY deve ter ficado feliz ao ouvir essa música. “THE LIES BEHIND IT ALL” e “NOIZE OF SPACE VAMPIRA” são as mais claramente influenciadas pelos toques eletrônicos de que falei antes. As músicas são ótimas e mesmo um purista não pode negar que a identidade da banda está ali. Se você é fã de THE MAD CAPSULE MARKETS ou mesmo do Dir en grey fase SixUgly/VULGAR, essas vão fazer você sorrir.
Já “TO HEAVEN”, “DIVE” e “JUDGEMENT DAY” são daqueles hinos que fizeram o BALZAC tão famoso. Cheias dos clássicos ôôôs irresistíveis. Impossível não chacoalhar qualquer parte do corpo ao ouvir! Menções especiais para duas faixas lindíssimas: “BLACKENED” e “I CRY INSTEAD”. Essas me deixaram com lágrimas nos olhos só de sentir toda a nostalgia da minha adolescência.
Sabe aquelas tardes jogando videogame, andando de skate, matando aulas com os amigos, assistindo aulas de recuperação ou indo a shows para se acabar na roda de pogo? Essas músicas são a melhor definição disso tudo. A época em que você era feliz, não um indie chato intelectualoide preocupado com a nova salvação do rock. Nada de trabalhar, seu único compromisso formal era com a diversão. Sua única preocupação eram as garotas. Talvez hoje você arrume alguém — afinal, as garotas só queriam os caras mais velhos! —, mas duvido que tudo não era mais simples... O BALZAC é assim. Rápido, urgente, barulhento e um pouco emotivo, exatamente como um adolescente. Bons tempos...
Publicação original de 17/01/2011.