Resenha de D+SECT, de Moi dix Mois (Midi:Nette, 2010). Nota: 3,0.

Alguns meses atrás foram divulgados o tracklist e a capa do novo álbum do Moi dix Mois. D+SECT já podia entrar para a história por ter uma das artes mais bregas do Sistema Solar, mas a baixa qualidade não se estende só à pavorosa capa do CD. Mana conseguiu, mais uma vez, lançar um punhado de canções totalmente insípidas.

A abertura instrumental “In Paradisum” e a faixa “The Seventh Veil” já entregam a sensação de mais do mesmo. Impressionante que, desde 2007, a banda não lançava um disco, mas mesmo assim as músicas soam exatamente iguais. A fórmula “introdução climática + guitarras pesadas + lamúrias” é usada em exaustão, tornando a audição dos cinquenta minutos do álbum uma tarefa digna de Hércules. Os riffs são tão manjados que é difícil de acreditar que esse é o mesmo cara que compôs canções com belíssimos solos de guitarra como “baroque” ou “Bel Air” na sua antiga banda, o MALICE MIZER.

A péssima produção pasteuriza o desempenho dos músicos contratados, vide o baterista Hayato. Sua bateria foi sacrificada ao ponto de resumir-se a barulhos que lembram uma metralhadora, parece que o cara nem usa pratos em seu kit. Quando a banda não é comprimida em excesso ou embrulhada em orquestrações megalomaníacas, os caras até soam melhor, como em “unmoved”, do DVD Dixanadu~Fated “Raison d’être”~Europe Tour 2007 ou em “Dead Scape”, única música decente desse novo CD.

Diferente de seus anos no MALICE MIZER, Mana desde o início do Moi dix Mois, em meados de 2002, aposta na obviedade. Talvez porque seja exatamente o que seus fãs querem, talvez porque seja confortável não sair do lugar comum. Quem sabe a nova década faça algum bem a ele. De qualquer forma, D+SECT é pouco inspirado e nada criativo. Suas músicas vão se perder em meio a todos os outros lançamentos da discografia da banda (que nem são tantos assim se você considerar a quantidade de CDs que um artista japonês padrão lança). Indicado somente para fãs xiitas.


Publicação original de 02/01/2011.

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