Resenha de TK Best Selection in Epic Days , de Tetsuya Komuro (Sony Music Entertainment, 2011). Nota: 3,0.
O título TK Best Selection in Epic Days e essa cara de quem está com a mão amarela na capa do CD não escondem que até Tetsuya Komuro sabe que já viveu dias melhores. Preso e multado em 500 milhões de ienes por fraude, o homem estava devendo até as pensões da ex-mulher. Além de passar por esses percalços financeiros, perdeu todo o poder que tinha na indústria, estando agora totalmente subjugado ao presidente da avex group holdings, Masato Matsuura.
Esta coletânea retrata a época em que a grama era mais verde e o ar mais fresco para Komuro. No século passado, quando o produtor e hit maker costumava ser um Midas do faturamento musical: tudo em que tocava atingia o topo da Oricon em menos de um dia.
Como quase todas as canções pops que explodem no mainstream, as músicas de TK Best Selection in Epic Days soam datadas ao máximo. “Opera night” e “Too Shy Shy Boy!” trazem à mente imagens de pistas de dança com salarymen requebrando com suas calças sociais na altura do pescoço.
Pior que os arranjos cafonas são os vocais de Komuro. O desempenho dele em “Haitoku no Hitomi~Eyes of Venus~” da dupla V2 (onde o outro integrante era YOSHIKI) são além do risível. Sob um instrumental speed metal importado diretamente do X JAPAN, Tetsuya parece cantar dopado por gás hélio.
Tudo bem que pequenas pérolas aparecem aqui e ali, como a dance “Gravity of Love” ou a bela instrumental “Pure ‘Hyper Mix’”, mas os tais dias épicos de Tetsuya Komuro só foram épicos para ele e sua conta bancária, pouco engrandeceram a música.
Publicação original de 27/07/2011.