Resenha de TOXIC, de the GazettE (Sony Music Entertainment, 2011). Nota: 5,0.
Deve ser frustrante ser do the GazettE. TOXIC é o melhor álbum, tecnicamente falando, lançado por eles desde Disorder, de 2004. Anos de separação que amadureceram a voz outrora medíocre de Ruki e contribuíram para uma clara evolução de seus instrumentistas. Não se trata mais daquele the GazettE de “FILTH IN THE BEAUTY” (talvez o último the GazettE com que você se importou). Uruha e Aoi fogem dos vícios que as afinações graves costumam criar e Reita e Kai não são só mais promessas, mas bons músicos empenhados em mostrar serviço.
O problema é que ouvir TOXIC torna-se uma atividade extremamente penosa a partir da quarta faixa. “VENOMOUS SPIDER’S WEB” e “SLUDGY CULT” como boas músicas que são, aparentemente, pareciam o início de algo de valor. Riffs densos, desempenhos acima da média, linhas melódicas marcantes. Porém, de “RED” para frente o CD embarca num loop eterno de modelos de composição. Cada música parece, discriminadamente, ecoar ideias da anterior.
A meia-boca “MY DEVIL ON THE BED” aparece ali pelo meio do tracklist, dando a sensação de que algo interessante pode surgir em seguida. Então, “UNTITLED”, com uma das introduções mais cafonas do ano, faz você tirar todas as suas fichas da mesa de apostas.
Os urros dos backing vocals são tão frequentes que quando realmente deveriam fazer a diferença, como em “PSYCHOPATH”, passam despercebidos graças ao cansaço causado pela reprodução constante dos mesmos clichês. O peso do grupo é devidamente comprimido, deixando frágil aquilo que no estúdio provavelmente soava como uma cacetada no tímpano.
É particularmente esquisito constatar que eles poderiam ser uma das bandas mais adoradas por sua produção musical caso não estivessem subvertidos a lançarem produtos sempre dentro daqueles cacoetes que agradam o faro de seus empresários. Ruki e seus companheiros condenam inúmeras possíveis boas canções para atender as demandas de vendas necessárias para seus primeiros lugares nos rankings da Oricon.
Quase dez anos depois da sua formação, a banda confirma o que aqueles fãs fervorosos quando partiram relações com o grupo ao longo dos anos bradavam aos quatro ventos: o the GazettE poderia ser bem melhor do que é.
Publicação original de 12/10/2011.