Como se não bastasse o fato de termos dublagens ruins de animes aqui no Brasil, ainda vem um cara e acaba com tudo.

É isso mesmo, gente.

Mas deixem-me começar do princípio (parece redundância, mas não é): eu estava sentada em frente ao PC, ouvindo a Rádio Blast!, pra variar, quando minha mãe chega das compras e diz que trouxe uma coisa pra mim. Fiquei feliz e até tirei o headphone pra receber esse presente. Aí ela jogou no meu colo a coisa mais inusitada e assustadora que vi até agora: uma revistinha da Turma da Mônica Jovem.

É. Ela fez isso, sim. Minha mãe deu um gibi da Turma da Mônica para uma garota de 17 anos.

Enquanto olho o gibi, chocada, minha mãe diz (como se tivesse me dado um notebook da Apple): “é um mangá!”. Coitadinha, minna... a intenção dela foi boa. Ela sabe que gosto de mangás. E devemos admitir que a capa diz: “em estilo mangá!” (o que não tem nada a ver). Eu reagi da melhor forma que pude: “mãe, isso é um gibi”. Ela diz, com um olhar assassino: “mas tem escrito na capa que é um mangá”. Quando ela lança esse tipo de olhar, eu desisto de argumentar.

O nome da edição? “Turma da Mônica Jovem 24: O Caderno do Riso, Parte 2”.

Não desconfiei, como otaku, que aquilo seria tão desastroso. Para não decepcionar minha mãe (que estava me olhando, por sinal), olhei a capa da revista. Estava a ponto de abrir o gibi quando olhei para o Cebolinha. Aliás, pra ser mais exata, quando olhei para o que ele tinha em mãos: um caderno semiaberto cuja capa era preta tinha letras brancas um tanto desajeitadas, as anunciavam: CADERNO DO RISO.

Não. Não podia ser. Aquilo era demais pra mim. Abri a revista só para confirmar, mas no fundo eu já sabia — quando vi uma réplica da Misa desenhada no estilo Maurício de Souza, eu tive a prova: aquilo era uma paródia do nosso estimado Death Note!

Surtei. Sério. Folheei as páginas, procurando alguma coisa que me dissesse que não era o que eu pensara... Mas , lendo a sinopse da edição anterior (sim, além de me trazer um gibi, minha mãe trouxe a parte número 2 de uma história), tive vontade de queimar o gibi — não o fiz pelo simples motivo de aquilo ter sido um presente me ofertado com muito carinho. Vou transcrever a sinopse para vocês:

Na Edição Anterior...

Cebola encontra o Caderno do Riso e comprova que esse objeto mágico funciona mesmo. Querendo fazer todos mais alegres, ele provoca ataques de riso em todo o mundo e fica conhecido como o Grande Palhaço. Para descobrir a identidade do autor dos ataques, o Prof. Licurco se torna o Detetive L. Mas muitas surpresas ainda aguardam a turma!

É assim. É exatamente assim. E, deixe-me preveni-los:

O Death Note é chamado de Caderno do Riso. O Kira é conhecido como O Grande Palhaço. O detetive L é um professor maluco que põe um saco na cabeça (detalhe, nesse saco tem aquela letra “L” muito bem desenhada que adoramos) para esconder sua verdadeira identidade — como se ninguém soubesse que é o professor disfarçado. O shinigami que acompanha Light, Ryuk, é um anjo chamado Ângelo, que, de semelhança com Ryuk, só tem as roupas. Em vez de morrerem, as pessoas têm ataques de riso. Existe um outro “Palhaço”, e ele é uma garota, assim como existe um outro Kira, que é a Misa Amane. Só que, em vez de ela ter um outro caderno, ela arranca as páginas do caderno original. Ah, outra coisa: para esconder o caderno, em vez de armar uma armadilha muito bem-bolada para quem tentar encontrá-lo (como faz o Light em Death Note), o Cebolinha faz uma ridícula capa falsa para o caderno, na qual vemos escrito: “Querido Diário”.

E o mais incrível de tudo: sabe quais os primeiros nomes que o Cebola escreve no caderno?

“Ermenegildo” e “Teobaldo”.

Gente, ninguém merece. AMF que me perdoe, e o Maurício de Souza também, mas se essa história de estar fazendo revistinhas com a “turma crescida” e os traços “semelhantes aos de mangá” já era ruim, parodiar o Death Note foi o fim. Estou decepcionada com o Maurício. Quando era pequena (até uns dez anos, mais ou menos), eu adorava ler os gibis da Turma da Mônica. Na versão de criança, mesmo, e com os traços normais e histórias originais... Era simplesmente perfeito. E foi assim que meu gosto pela leitura se tornou ainda maior... Mas agora... Bem, vocês podem imaginar como eu me sinto em relação a isso, já que somos todos otakus e Death Note é um dos animes/mangás mais perfeitos da história.

Tudo bem, as opiniões divergem, e respeito isso: alguns dizem que isso é bom, pois as crianças precisam ver que nos animes não há só violência. Mas, convenhamos, nenhuma criança de dez anos vai assistir Death Note em sua versão original. E devemos lembrar também que o anime/mangá mostra claramente que Light só mata criminosos (antes de ele ser influenciado pela “aura” do caderno e se tornar malvado).

Mas a intenção deste post não é criticar nem o Maurício nem o gibi: é saber a opinião de vocês. E aí, minna?


Publicação original de 02/02/2011. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.

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