Resenha de heavenly, de KUROYUME (avex trax, 2011). Nota: 7,5.
Nem era preciso ser vidente para apostar que o KUROYUME teria dificuldades para manter a qualidade ou, na melhor das hipóteses, superar o que foi produzido pela banda na sua encarnação passada. Por quê?
Bem, primeiro que não é todo dia que bandas clássicas voltam e se arriscam a lançar material inédito. Depois, porque, desde sua estreia, a dupla parecia totalmente descaracterizada, soando como um arremedo da carreira-solo de KIYOHARU.
Agora, se foi broxante topar com lançamentos mornos, é prazeroso perceber que heavenly parece traçar um caminho mais empolgante. O que foi apresentado e, MISERY ou ARON surge mais bem definido e formatado.
A faixa-título “heavenly” tem efeitos eletrônicos, duas guitarras e um jeitão de rock moderno na produção. O baixo não soa apagado como antes e os versos e o refrão são mais agradáveis, com uma pouco daquele bom gosto pop que costumava ser sinônimo do nome do grupo.
Porém, o grande atrativo do CD é a releitura de “BORN TO BE WILD”. KIYOHARU e Hitoki conseguem fugir da obviedade sem descaracterizar o hino, adicionando os elementos citados acima dum jeito realmente interessante.
Provavelmente é a única forma que eu aceitaria ouvir o clássico do Steppenwolf hoje — quem ainda não cansou de matérias de jornal com tiozões pançudos em encontros de motoqueiros ou propaganda de automóveis com a música que atire a primeira pedra!
O single não é essencial, nem vai se tornar clássico, mas prova que algo de bom está acontecendo no novo KUROYUME, afinal.
Publicação original de 21/08/2011.