Oi, gente! Já faz bastante tempo que não posto aqui, não é? Quero pedir desculpas, mas isso aconteceu pelo simples fato de que... nada de novo tem acontecido! E, pra variar, minha internet mal abre uma página no Firefox (tem internet lerda até na China!). Mas aí eu fiquei pensando e descobri algo que não contei aqui ainda: minhas viagens por outras cidades da China. Tive a oportunidade de conhecer outros lugares além de Pequim, como Xangai, Xian, Shenzhen e outras cidades menores. Vou falar um pouco sobre elas hoje.

Xangai

Como todos vocês já sabem, Xangai é uma baita cidade global, capitalista e, como no resto do país, com MUITA gente. Quando fui pra lá, pude notar algumas diferenças bem marcantes entre a cidade e Pequim. Em primeiro lugar, Pequim parece uma cidade fechada que abriu do nada pro capitalismo e pro ocidente, e agora tem vários prédios luxuosíssimos e pessoas que não sabem que uma bolsa Prada com pedras brilhantes é pra usar à noite. Já Xangai segue o padrão ocidental, pois era colônia da Inglaterra. Lá tem vários prédios coloniais, e a cidade lembra bastante lugares como São Paulo, por exemplo. A segunda diferença gritante foi o fato de que em Xangai praticamente todo mundo falava inglês (coisa que você só encontra em certas áreas de Pequim) e o pessoal de lá era mais educado que os pequineses. O metrô é enorme, acho que é até maior que o de Pequim, e as pessoas empurram menos (!).

A foto acima é do Pudong, a região mais “futurista” de Xangai, com vários prédios estranhos e altíssimos, a maioria empresarial. No centro é possível ver a Torre da Pérola Oriental, um dos pontos turísticos da cidade.

Xian

Talvez vocês nunca tenham ouvido falar da cidade, mas provavelmente já ouviram falar dos guerreiros de Terra-Cotta. São guerreiros de pedra que foram descobertos no século passado, e que agora aparecem aos montes nas miniaturas trabalhadas em vários materiais. A cidade fica localizada no noroeste do país e, na verdade, não é muito interessante. É uma das cidades turísticas a qual todo visitante tem que ir, mas se não for, também não vai perder muito (?). Fora os guerreiros, o único ponto legal de se visitar é a mesquita da cidade, pra ver os chineses muçulmanos da região (quando visitei, presenciei até um funeral!).

Esses guerreiros de Terra-Cotta são em tamanho natural! E tinha até cavalo de pedra junto com eles. Só não me perguntem a história disso aí, porque na hora da explicação eu fui tirar fotos haha.

Luoyang/Shaolin/Kaifeng

Essas três cidades são visitadas numa sequência, pela proximidade. Em Luoyang eu fui nas grutas Longmen, que tem zilhões de budas de todos os tamanhos possíveis cravados na parede, e no jardim das peônias (muito bonito, por sinal).

Depois de Luoyang, o turista vai pra Shaolin. Se não me engano, cheguei a falar da cidade aqui no blog, mas vamos repetir, então. Shaolin é uma cidade completamente voltada ao kung fu. Além de escolas que só ensinam isso, também tem o Templo de Shaolin, com monges lutando kung fu e tudo o mais. É um lance bem turístico mesmo, a religião fica mais escondida ali do que nos outros templos budistas que já visitei. E foi o primeiro lugar na China no qual eu vi algo sobre kung fu!

Alunos do Templo na cerimônia de “abertura”

A terceira e última parada é a cidade de Kaifeng, que poderia ser um grande passeio rolha se não fosse pelo parque temático da cidade, que imita construções e transportes da China antiga. A cidade mesmo não tem nada, se não me engano a gente levou um século pra encontrar um McDonald’s, e só conseguimos porque o Google Maps tinha a localização. Foi a primeira cidade interiorzão a qual eu fui, apesar de ser relativamente grande (2 milhões de habitantes), mas ninguém falava inglês e o hotel só tinha gororoba chinesa, até no café da manhã. Eu adoro comida chinesa, mas aquela feita no Brasil, porque a daqui é muito ruim :P. Pra vocês terem uma ideia, a única coisa do café que a gente conseguiu comer foi uma melancia, e olha que nem somos frescos com comida. Abaixo, uma foto de um dos atores que trabalhavam no parque temático:

Cantão e Shenzhen

Duas cidades localizadas ao sul da China, praticamente do lado de Hong Kong. São famosas por serem pólos industriais, modernas e grandes. Na verdade, não tem nada pra fazer em Cantão, nem ponto turístico lá não tem. O único lugar interessante de Shenzhen, na minha opinião, é o parque temático que imita os principais pontos turísticos da China em miniaturas. Tem até uma pequena Grande Muralha. Nesse parque também tem uma arena de rodeio (se é que dá pra chamar assim) onde tem encenações de lutas antigas, com direito a cavalos e acrobacias. Falando em acrobacias, no final do passeio também vimos um show de acrobatas lá.

No final das contas, tirei uma lição valiosa desses passeios: nome é tudo. Se a cidade é famosa, com certeza vale a pena visitar, porque tem pontos turísticos interessantes e o atendimento ao turista é bom. Se não tem nome, corre, Bino! Provavelmente é cilada, ainda mais se a cidade tiver menos de 2 milhões de habitantes. Agora, se você curtir uma aventura, souber um mandarim decente e gostar pra caramba de gororoba chinesa, então vai fundo!


Publicação original de 15/06/2011. 5 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.

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