Resenha de FINAL SUMMIT 2000~2010, de Vários (Sequence Records, 2011). Nota: 8,5.
São inimagináveis todos os motivos que geram essa busca ensandecida nos fãs de visual kei por toda e qualquer banda que existe. Mas, um deles é a certeza que cada um desses grupos ao menos criou uma única música boa. Também, com a cacetada de lançamentos que os caras fazem por ano, uma hora tinha que sair algo no mínimo aceitável.
TOMOZO é tão fã de visual kei quanto eu e você. Entrou em bandas, criou um selo próprio. O único problema do cara sempre foi uma falta de sorte inacreditável. Muitos dos seus amigos e ex-companheiros em grupos antigos deram sorte: HIZAKI faz fama no Versailles, Tsunehito foi parar no D.
Quando estava prestes a alcançar sucesso com o Black;List, o vocalista o deixou justificando uma doença de sua mãe (!). A frustração de TOMOZO foi tanta que sobraram xingamentos tanto para o cara quanto para a mãe dele em seu blog.
FINAL SUMMIT 2000~2010 comemora o período de vida da Sequence Records, selo do TOMOZO que fechou as portas no fim de 2010. O valor histórico ultrapassa a condição de mera coletânea caça-níquel.
Eile de Mu, FALCIOUNE, guleve e o mi’ze:lia aparecem sob uma razoável remasterização, provando que as bandas genéricas antigas não eram lá tão mais interessantes que as atuais.
O impacto que o DIR EN GREY e, em menores proporções, o Kagerou causaram pode ser observado em “Celtic” do pesadíssimo Since1889, “A stiff tells...” dos moribundos do gemmik, “Mabushii Hodo no Kurayami no Naka de” do exist†trace, “Sorrow” do LSD e “DESPERATE” do próprio Black;List.
“O-157” do +ISOLATION entrega, como sempre: foi uma cópia safada do Ɐ∀NTI FEMINISM (que aparece aqui com a perturbadora “SODAI GOMI”).
Caça-talentos, TOMOZO ainda aponta novos candidatos a sua lista de download: o Art Cube surge com riffs musculosos em “Shitsuraku Chō”, o pop rock fofo do Byakura em “Saishiki no Suzu”, os mini the GazettE do Venus em “Butterfly” e ZELGYER e ZABEL nas nervosas “MADLY POISON” e “agate”, respectivamente.
Os mais velhos reviverão memórias com o saudoso Pannic Channel em “Mujō Mayaku” ou as passagens do HIZAKI pelo SULFURIC ACID, Brain Hacker ou no trabalho solo do HIZAKI grace project, trabalhos claramente mais inspirados do que faz no Versailles. Até um embrionário ClearVeil tocando “uncontrol”, antes de seu contrato com a UNDER CODE PRODUCTION.
Além de um retrato fiel da cena visual por uma década, este CD triplo é o que sobrou de lembrança do exaustivo esforço de um moleque desesperado para ser o que seus ídolos são. Essa história já não aconteceu com você?
Publicação original de 03/05/2011.