Resenha de JUBILEE, de Versailles (WARNER MUSIC JAPAN, 2010). Nota: 4,5.
Este é, até o momento, o lançamento mais importante da banda. Tem um histórico dos mais interessantes na cena — igualando-se até mesmo a Higeki no Shūmaku, do Madeth Gray’ll. É o primeiro álbum major da banda, a consagração de uma carreira em constante ascendência. É também o primeiro lançamento sem Jasmine You, baixista bem querido pelos fãs que veio a falecer ano passado, que seria o ano oficial para o lançamento do disco. Facilmente Jubilee seria o lançamento mais importante do visual kei neste semestre, se pelo menos Kuroyume e SADS não tivessem resolvido voltar ambos de uma vez.
É um álbum histórico, sim, mas tenho que fazer um trabalho fugindo de qualquer análise passional. Fui ouvir com opinião neutra (tive que anular aquela visão permanente que tenho na cabeça: Kamijo gritando, vergonhosamente, no Chateau de Versailles) e não me surpreendi com o que ouvi. Versailles começou com uma proposta bem clara, ao menos para mim: Neo Speed Metal Progressivo. O álbum começa sem grandes surpressas com “God Palace -Method of Inheritance-”, orquestração cinematográfica que acaba soando como opera rock, ideia que a banda usa constantemente e que a torna o grande diferencial da banda ante as outras do mesmo gênero. Se, em principio, a música soa como qualquer outra, lá pelo meio não é diferente, com um adicional de uma voz à Iron Maiden que serve de ponte para mais um solo de Hizaki, sem qualquer traço criativo, e uma risível tentativa de falsete por parte de Kamijo. No entanto, “God Palace” encerra de forma apoteótica, muito bem sacada com um retorno ao opera rock do incio. É uma música grande, superior à embromação de “History of the Other Side”, mas sem a graça de “The Love From A Dead Orchestra”.
Depois de tão grande começo, temos “Ascendead Master”, single já bem conhecido, fraco. Menos fraco do que a terceira faixa, “Rosen Schwert”, que serve como uma nova “Shout & Bites”, ou seja, melodia mais pop e cheia de clichês do visual kei noventista. Esse tipo de música chega a ser uma vergonha para o tanto de talento que Hizaki e Teru tem. E, falando em Teru, ele volta a dar as caras em “Ai to Kanashimi no Nocturne”. O comecinho é de fazer qualquer um sorrir, uma risadinha interior; é uma música perdida dos tempos do Aikaryu! Claro, seguindo a estética Versailles, mais ainda assim com aquela animação da melhor banda de Teru. Depois dessa grata supresa, mais cansaço, pois “Amorphous” é mais outra baladinha visual kei que tenta camuflar a mediocridade com um violino. E mais cansaço, pois “Reminiscence” é um besteirol sem fim, uma guitarra (de ouvido, acho que é Hizaki) acompanhando um teclado. Só isso, dois minutos que não acrescentam em nada, nem tem os solos avacalhados que os fãs gostam de ouvir, e nem se deu ao trabalho de um serviço polifônico, que ia dar menos motivo para eu atirar pedras. Bem, até aqui temos metade do álbum.
A segunda metade tem início com “Catharsis”; a percussão de Yuki fazendo mistério, Hizaki com mais mistério e... agora sim, opera rock legítima! Não é arrebatador com “Bohemian Rhapsody”, já que segue no speed metal e fica mais parecido com Angra. Mesmo assim é bonito, um belo começo; mesmo que o resto da música não valha nada. A música seguinta, “The Umbrella of Glass”, é uma balada bonitinha, lembra bastante Lareine com, veja a coincidência, seu álbum de estreia major Fierte no Ume.
Agora entramos na ultima parte de Jubilee, com as duas últimas músicas. “Serenade” virou o vídeo de promoção do álbum, música esta feita em homenagem a Jasmine You, para fazer os fãs se emocionarem. Como toda música direcionada, ela funciona mais à quem ela foi feita, e já vi muito fã dizendo mesmo que chorou. Então, deve ter dado certo. Então o álbum acaba com “Sound In Gate”, que nada mais é do que Eddie do Iron Maiden falando qualquer coisa.
Em avaliação final eu daria ao álbum “2,0”, mas não tem como fugir da passionalidade — tenho carinho especial por Hizaki e Kamijo, então finjo que não vejo e dou nota mais alta.
Publicação original de 29/01/2010.