Eu ficaria escrevendo horas sobre como Santiago é uma linda cidade e como os chilenos são pessoas maravilhosas. Mas estou ciente que ninguém quer saber disso agora, então vamos ao que interessa.

Depois de muitas horas perdidas na fila, os portões se abriram pouco mais das 18h, horário local. Quando entramos, poucas pessoas se acumulavam em frente à grade, o que nos animou muito, estávamos muito perto do palco. A situação, infelizmente, mudou 30 minutos depois. Embora os chilenos fossem pessoas super simpáticas, na grade pareciam animais. Claro que argentinos e peruanos estavam ali no meio empoleirados, mas a maioria eram nativos. Se você, querido amigo, achou que os shows aqui no Brasil eram cansativos pelo empurra-empurra e pela encoxação, no Chile foi dez vezes pior. Muitos de nós, brasileiros, desistiram e acabaram indo para trás. Quatro perseverantes garotas (incluindo eu) permaneceram ali naquele pequeno inferno. Duas delas sumiram da minha vista e a terceira acabou no fundo também.

Foi nesse momento que todo o Caupolican escutou a voz de Gonzalo, responsável pela Noix, a empresa que trouxe a banda para América Latina. Ele diz, entre muitas coisas: “Mais cinco minutos”. Todos vão a loucura. Uma música do Paramore começa a tocar para a decepção de muitos, mas isso foi só uma pequena distração para a verdadeira surpresa. Eis que as luzes se apagam e a enorma bandeira estampada com a boca escorrendo sangue se ilumina de vermelho. Um por um, todos eles sobem no palco, e, por último, o mais esperado deles: Hyde.

Ele sobe com uma camisa aberta e um gorro cobrindo a cabeça, deixando os fãs impacientes para ver o seu rosto. A intro de “Devil Side” começa e o coro dos fãs gritam junto com o vocal. O privilégio de cantar o refrão ele deixa por conta da plateia, que mal conseguia respirar em meio ao tumulto, logo na primeira música. Na ultima estrofe, ele joga a cabeça pra trás, deixando descobrir totalmente o seu rosto e os cabelos loiros. Logo em seguida, a surpresa: “Sweet Vanilla”. A música não foi tocada em nunhum outro show da turnê, foi um privilégio exclusivo dos chilenos. É uma das minhas músicas favoritas e infelizmente não consegui aproveitá-la como queria, em vista do empurra-empurra. Nessa hora, decidi ir para trás ver o resto dos conterrêneos. “It’s Sad” começa e eu, aos prantos, corro em direção aos outros brasileiros. Durante “The Past”, consegui recuperar o fôlego para cantar, com o máximo das cordas vocais, “Secret in My Heart”. Foi aí que eu desabei: “Sweet Dreams”. Todos nós nos abraçamos e cantamos juntos, foi perfeito. Daí em diante, só alegria e diversão.

KAZ estava bem calmo, como de costume, vez por outra ia até a grade, mas, de modo geral, ficou bem quieto. A surpresa foi Ju-Ken. Muita gente é ou era totalmente indiferente a ele, mas, em cima do palco, foi o que mais agitou a galera. Fez várias brincadeiras durante o show, como pegar uma das rosas que encobriam o pedestal do microfone de Hyde, colocá-la na boca e cuspir as petalas na plateia. Também pegou um par de óculos escuros de um dos fãs e fez caras e poses. Agarrou com os dentes uma bandeira chilena... Enfim, o cara é totalmente retardado. Hyde, por sua vez, além de tirar vários suspiros de todas as fãs com a camisa aberta, rebolou e dançou quase que o show inteiro, ia até os cantos do palco e tocava na mão dos fãs que lutavam por um espaço na grade. Como esperado, disse: “Tengo hambre, quiero comer chilenos!” A frase foi dita pela primeira vez em um país da América Latina.

O show segue com uma sequência bem agitada: “Get Up”, “Vamp Addiction” e “Dolly”. Foi então que a banda quis relaxar tocando “Samsara”, música sem letra e aparentemente de 2 minutos, saltou para 4. Foi tocada impecavelmente. Seguiu-se com “My First Last” e, então, um dos momentos mais legais do show para mim: “Hunting”! Hyde perguntando “Where’s my lamb?”, apontando para a plateia aleatoriamente, levou todos a loucura. Então veio outra música que forçou mais um pouco nossa cordas vocais: “Angel Trip”. Antes que “Trouble” começasse, a intro da música se estendeu durante vários minutos, deixando todos com muita expectativa. Nesse momento, Hyde diz “Oh oh” e o público repete. Digamos que foi quando todo mundo soltou a franga, e “Live Wire” e “Sex, Blood and Rock n’ Roll” se encarregaram de conservar os fãs em ritmo acelerado.

Por fim, a pausa. Motivo de tristeza para alguns, pois significava que o show se aproximava do fim. Nesse momento, durante toda a ausência do VAMPS, o público gritava “Bang on, stomp everybody” incessantemente. Não pararam de gritar até que a banda voltasse ao palco. Em grande estilo, tocaram “Memories”, seguida das mais esperadas “Love Addict” e “Revolution”. Não me lembro muito bem em que momento um sutiã vermelho apareceu no palco e o Hyde colocou em cima da cabeça, pra delírio de alguma fã.

“Adeus, Chile!” Hyde gritou antes de começar “Midnigth Celebration”, a última música de praticamente todos os shows da turnê. Antes que a música terminasse, em meio aos saltos e berros, Hyde deixa a camisa escorregar, mostrando a famosa tatuagem de asas. Finalmente vimos a original, porque imitações eram o que mais se via nas costas de muitos fãs. Antes de saírem do palco, todos os membros da banda atiraram um brinde não identificado para o público.

Ao fim do show, nós, brasileiros, em êxtase, apenas nos reunimos e nos abraçamos. Alguns choravam. Muitos tiraram fotos nossas durante esse momento de confraternização. Algumas câmeras também foram apontadas. Ainda tentamos ver o VAMPS saindo do Teatro, mas chegamos tarde.

A noite terminou num barzinho, com alguns fãs chilenos. Foram os três dias mais especiais da minha vida, obrigada a todos os envolvidos. Fotos da galera que foi:


Publicação original de 09/11/2010. 3 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.

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