O tempo... tempo este que não passa, não fica, não deixa, não leva, não dá vida, não tira morte... Tempo, que tempo?! Quanto tempo? Há quanto tempo! Um mês, uma semana, um dia, uma hora, um minuto, um segundo... Basta isso, esse tempo, tão pouco tempo, tão demorado, para fazer uma vida; para destruir uma vida. Depois de um dia estafante, aquele no qual sequer você consegue se coçar, você para, respira e olha no relógio; conseguinte vem a exclamação assustada: “Já?!” Ou um dia entediante, no qual não se acha nada para fazer: para, se espreguiça, lentamente se vira, olha para o relógio e, com certo desprezo, exclama: “Ainda?!”. Para alguns, o tempo é massacrante e passa somente a duras penas; já para outros, o tempo é curto e incontrolável.

Nunca não há tempo, até mesmo para escrever estas poucas linhas o tempo me fez — nos fez — correr para sermos pontuais. Como diriam os poetas populares, criamos um monstro que nos engoliu, criamos o tempo e depois fomos recriados por ele, simples assim. Mas por que eu estou falando sobre isso agora? Oras, quero fazer algo antes que eu não tenha tempo pra isso, antes que eu adormeça surrada pelos dias, pelas horas, pelos anos, e já não seja mais época pertinente à isso.

Eis o tempo: ditador de nossos dias, que, em sua saudação irremediavelmente nazista de 10 para 12, nos aponta a mais um dia... a menos tempo.


Publicação original de 07/11/2010. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.

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