Barack Obama, o presidente dos Estados Unidos, está completando em janeiro 1 ano de mandato. Democrata, negro e com nobel da paz já no primeiro ano de governo, Obama foi eleito por boa parte dos norte-americanos que não estavam satisfeitos com o antecessor, o republicano e branco George W. Bush, prometendo graves mudanças nas políticas de governo. Mas uma análise mais aprofundada revela que nem tudo são flores no governo democrata. Relações entre alguns países ficaram, inclusive, mais conflituosas com a eleição do novo presidente. Seriam rupturas ou continuidades? Vejamos alguns aspectos.
O presidente está empenhado em sua cruzada pela criação do sistema universal de saúde. Nos EUA, a saúde não é um direito universal, não existe serviço público gratuito de saúde, apenas os mais variados planos privados. Obama está fazendo uma clara inclusão social dos setores mais populares, que não possuem renda para pagar um plano de saúde e, se precisassem, morreriam doentes (bem demonstrado no filme Sicko: SOS Saúde do cineasta Michael Moore). O democrata também liberou as pesquisas sobre as células-tronco, em contraposição ao seu antecessor Bush Jr., que as havia proibido para ser aliado dos setores religiosos nos EUA.
Já em termos de política externa, Obama demonstra uma preocupação, até agora, apenas no campo das ideias. Fez promessas e discursos emocionantes (Obama citou palavras do Alcorão em discurso no Egito), mas atendeu prontamente o general McChrystal, comandante militar dos EUA no Afeganistão, quando ele solicitou o envio de mais soldados. A guerra do Iraque, que hoje é tão impopular nos EUA e auxiliou na insatisfação com o governo Bush Jr., foi apenas deslocada para o Afeganistão. Os conflitos palestinos-israelenses parecem se intensificar com a eleição de um premiê de extrema-direita em Israel. Quanto ao fechamento da prisão de Guantánamo, que é alvo constante de críticas por violação de direitos humanos, os prazos são cada vez mais estendidos pelo atual governo.
Barack Obama é frequentemente alvo de críticas da mídia conservadora, inclusive decidiu por não receber mais repórteres e entrevistadores da Fox News, empresa de notícias que utiliza frequentemente de factoides e mentiras para desmoralizar o governo democrata (devem ter aprendido com a mídia brasileira). Obama ainda teve de lidar com uma crise econômica que estava em banho-maria muito antes de seu governo, os resultados começam a aparecer agora e parecem positivos. Mas os atentados de extrema-direita aumentaram nos Estados Unidos e as minorias que o apoiaram agora estão cobrando suas promessas. As importantes decisões ambientais, infelizmente, também não estão na pauta principal do governo democrata, como visto na reunião de Copenhague.
Pressionado por todos os lados, Obama está com a corda no pescoço. Tanto que uma pesquisa feita pelo instituto Public Policy revelou que os americanos começam a sentir saudade de George W. Bush: 44% da população diz preferir o republicano ao democrata, que aparece com 50% de preferência, uma diferença de apenas 6%. Nenhuma pessoa consciente pode aprovar completamente o governo Obama: há inúmeras falhas graves e lamentáveis. Por outro lado, temos que reconhecer que sua luta pelo sistema público de saúde já é um grande passo, em direção a mais justiça e inclusão social. Barack Obama representa uma nova etapa na nossa história, a do século XXI, com preocupações mais importantes sobre o destino de todos nós, ainda que poucas. Não é uma revolução brusca, mas um sinal do início de uma nova era.
Publicação original de 09/01/2010. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.