Como vão, meus queridos monstrinhos?! Recebi duas sugestões muito boas no Twitter sobre o próximo texto que eu deveria escrever (sendo uma do @Tchulio, que será meu próximo texto, e outra do @herbjailbird sobre dia das crianças)... o que se segue aqui é um relato de uma jovem adulta que GOSTA DEMAIS de anime e mangá, e já não é mais criança! (risos diabólicos)

Aos meus 7 anos eu conheci a finada TV Manchete (que descanse em paz); acho que boa parte das pessoas lembram que podíamos assistir, de tarde, Sailor Moon, Yū Yū Hakusho e o meu predileto: Cavaleiros do Zodíaco. Logo quando a Rede TV estava no início ela trouxe Fullmetal Alchemist, Tenchi Muyō e outros. Eu adorava, era dublado, era editado pelas emissoras, mas não era ruim, foram os meus primeiros contatos com anime — e, posteriormente, mangá. Muitos deles revejo até hoje, dublado mesmo, pra lembrar como era bom naqueles tempos (complexo de velhinha caquética MODE ON!!!).

Mas, contudo, porém, entretanto... houve uma época em que isso era mais legal, em que todos os meus colegas se reuniam na minha casa pra ver anime e brigar pra ser o Ikki, havia também aqueles sequelados que queriam ser o Seiya, mas a gente entendia. À medida em que fomos crescendo e entrando na adolescência, fomos nos dispersando, afinal de contas tínhamos coisas “mais importantes” pra fazer, pensávamos em namoros, fofocas, beijos, fofocas, sexo, falar sobre sexo, fazer sexo e daí por diante. Ainda frequentavam a minha casa dois ou três amigos que, assim como eu, não conseguiam tirar da cabeça o próximo capítulo em que iríamos descobrir quem estava por trás da máscara de Ares, e veríamos, depois de anos de pausa, o final da saga das 12 Casas do Zodíaco (CDZ na Bandeirantes). Éramos preocupados com tudo que os adolescentes de nossa idade deveriam naturalmente se preocupar, mas ainda gostávamos de anime e mangá, agora com uma visão completamente diferente da que tínhamos antes. Não era mais coisa de criança e, a essa altura, nós já sabíamos disso.

O real problema é que o resto daqueles que haviam crescido tinha vergonha de falar sobre isso. Até aí, tudo bem, nós compreendíamos isso também (afinal, não é legal ficar dizendo por aí que queria ser o Seiya de Pegasus, vocês me entendem, né?!), mas o que nos fazia mal é que aqueles que iam a nossas casas comer bolo de chocolate e beber Guaraná Antártica de garrafa servidos por nossas mães que acreditavam, assim como nós, que tínhamos bons amiguinhos agora riem de nós por nossas costas e nos chamam de crianças — e, pior que isso, nos ignoravam e fingiam nem nos conhecer mais. Tudo no início da adolescência passou a ser vergonhoso e gostar de anime era uma dessas coisas. Falando com um amigo meu daquela época, ele me disse: “Eu fingia que não via nada, que não gostava, mas, quando vinha pra Salvador, ficava horas na frente da TV procurando um anime, e quando a internet começou a se espalhar, aff... eu tinha que baixar todos os animes que eu ouvia falar, devorei Samurai X, Slam Dunk, Cowboy Bebop, tudo num mês. Hoje as coisas estão melhores, a galera já curte Dragon Ball, Evangelion, Death Note, mas muitas outras ainda chamam a gente de criança e dizem que nunca vamos amadurecer.” Eu, particularmente, sei bem sobre o que ele está falando.

É possível também apontar problemas com a própria família, que ficava preocupada pois seus filhos gostam de “desenho animado” (odeio esse termo). Muitos pais também cometem o erro de tentar afastar os filhos adolescentes desse “mundo terrível e obscuro” (meu Deus, por que será que o Júnior não faz coisas normais de adolescentes como ter problemas com a polícia e dançar o rebolation?!). No meu caso, não foi assim, minha mãe nunca me forçou a gostar de coisas que na verdade não eram a minha cara, e meu pai nunca se importou muito com esse tipo de coisas. Porém, conheço gente que já passou por isso, e filhos de pais que são praticantes ferrenhos de uma determinada religião também sofrem muito, principalmente na infância, tendo de reprimir o desejo de sair gritando: Ka meeeeee ha meeeeeeee haaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!

Já cheguei a ser motivo de risos por gostar de anime, garotos me evitavam pois me achavam estranha e meio nerd, sabe?! hehehe... Mas agora passo por um processo de adaptação maior, sou adulta, casada, responsável, boa amiga, meio tonta e cheia de defeitos que prefiro não falar aqui, como todo ser humano normal, mas ainda dizem que sou imatura e criança por gostar de anime e mangá. Sei que muita gente sofre por esse tipo de comentário, na verdade o que eu quero dizer é pra todos nós olharmos pelo lado bom: muitas das pessoas que falam isso são coisa pior que ser criança; elas são infantis, outras tantas vezes escondem suas reais vontades por conta das convenções e do status de popularidade. E quem disse que ser criança é ruim?! Pelo contrário: é bom e é bom demais, o que não pode, o que incomoda, e chega a ser feio é ser INFANTIL.

GOSTO DE ANIME E NÃO SOU INFANTIL!!! E qual o problema disso?! É exatamente por querermos ser tão adultos que esquecemos nosso lado bom, que é aquele que deixamos pra trás quando saimos da infância. Ser adulto com um toque de criança não tem problema, ser infantil e não ter a hombridade de admitir que gosta de anime e ainda por cima rir em alto e bom tom de quem gosta, disso sim é que deveriam sentir vergonha!

Enfim, graças a Kami-Sama tive uma infância muito boa e, por conta dela, me transformei num adulto melhor, mais aberto para as boas coisas da vida e sem vergonha de dizer o que quero, do que gosto e quem eu sou. Feliz dia das crianças, para todas as crianças de zero a 100 anos (porque depois disso é sacanagem contar a idade, né?!)

Até...

Pra quem quer ser criança por muito tempo ainda, veja as comunidades:


Publicação original de 09/10/2010. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.

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