Resenha de FUNKASTiC, de Suga Shikao (ariola, 2010). Nota: 7,5.
Para quem não conhec,e Suga Shikao é um importante artista japonês que tem em suas músicas uma agradável influência vindo do jazz, do soul e do funk (o original, não esse deturpado funk carioca). Talvez você já o conheça por ele ter feito algumas músicas que foram temas dos animes Boogiepop Phantom, Honey and Clover e xxxHolic. E, agora, ele lança mais um álbum de estúdio, com o nome de FUNKASTiC, que, pra falar a verdade, com esse nome eu fiquei muito “Nossa, tá se achando, heim”. Então vamos ver o que tem de fantástico nesse funk do Suga.
O álbum começa com a animada e dançante música “Party People”, que foi um dos singles que antecederam FUNKASTiC. Com um baixo poderoso, um riff de guitarra maroto e uma pitada de saxofone (de leve mesmo), te faz querer escutar o restante do novo trabalho. Só por ela eu já dava uma nota 8,5.
Na sequência, temos “Kyūjūichi-ji Kyūjūippun” (“91時91分”), a segunda faixa. Soul e funk music na VEIA, MANO! Saxofone, piano, pandeiro, baixo violento, guitarra frenética e uma superanimação. Sério, esta é a faixa mais legal do álbum, sem dúvida. Wilson Simonal1 e Tim Maia2 devem estar remexendo o esqueleto com sa música.
“Sayonara Home Run” é a primeira baladinha e não teve nenhuma alteração da versão do single. Abreviando tudo, esta música é a pra você ir ver sua namorada na festa, pois, depois da frenética animação das duas primeiras músicas, é melhor prevenir, né? Te acalma na medida certa; o problema é a próxima faixa...
...“Kizashi”, que é muito lenta, em relação ao começo do álbum. É uma balada mesmo, meio acústica, super legal. Mas é um pote de água fria no fogo inicial.
“Funkagerion” começa com um ritmo ditado pelo sintetizador seguido do batidão. Me fez lembrar duas famosas músicas do cantor, “Jūkyū-sai” e “NOBODYKNOWS”. Com momentos up e down, a sua libido musical volta a sentir um tremor pra ficar saliente.
“Tomato to Uso to Sentōki" é o soul voltando no melhor estilo ao seu ouvido. Não é uma música para dançar, e sim, para você “sentir” o som; em outras palavras, para curtir a vibe.
“Ameagari no Asa ni” é mais uma balada. É tipo a “Kizashi”, só que mais ritmada e animada, o que a deixa na mesmice. Realmente, este álbum tá precisando de um remédio pra impotência.
“Document 2010 ~Singer VS Rapper~” parece ser esse remédio. Eu juro, parece uma música ao vivo, mas eu tenho minhas dúvidas nisso, então se alguem descobrir me fala. O “rapper” é o Mummy-D e o “singer” é... preciso mesmo falar? Sim, ela tem quase a mesma animação do começo, então já pode esperar um “Q” de funk, ai vc junta ao rap do Múmia. Chique!
“Taifū wa Hokuhokutō ni Shinro o Kae...” começa numa batida louca “uhu! mãe, tô na trance usando ácido”, até que começa a letra e entra a guitarra a tira-colo. Só que a música fica nessa vibe louca o tempo todo, tipo legal, mas massante. Pelo menos não é desanimada.
“Natsuiro Time” não é uma balada, não é uma música dançante, não é uma vibe louca, não te anima, nem te desanima. Simplesmente te faz sentar e relaxar, pois é o famoso “pop-rock” do Suga em ação. Eu curti, tem um pianinho massa no fim.
“Keibetsu” começa na mesma vibe louca da outra música, mas ela começa a se transformar num funk depois. Essa já é pra dançar com as tchuca.
“Hajimari no Hi”, que já esteve presente como b-side de um single, é a última música do álbum e tem a participação do rapper Mummy-D. É a música pra você curtir um fim de festa sem desanimar, tem um ritmo legalzinho.
Conclusão é que... o FUNKASTiC é fantasticamente bom no começo e no fim, mas broxante no meio. Não digo que é decepcionante, só que, com tanto “egocentrismo”, eu esperava um pouco mais do álbum. Mas eu ainda o acho bem superior ao álbum anterior do cantor, o FUNKAHOLiC, que, por sinal, você o vê na cabeleira da moça na capa do álbum.
- 1 Wilson Simonal foi um famoso cantor brasileiro de soul music das décadas de 60 e 70. Faleceu em 2000.
- 2 Tim Maia também foi um cantor brasileiro influenciado pela soul music. Faleceu em 98.
Publicação original de 12/05/2010.