Salve salve, leitores do Ero:de. Como eu havia dito na matéria sobre a banda Z’ephyruS, irei postar agora, a entrevista que eu fiz com o Will, o vocalista da banda.
[Hana] Como nasceu a Z’ephyruS do modo que conhecemos hoje (formação da banda, formato, repertório)?
[Will] Bom, a banda começou em 2007 — com o Sunz e eu — numa época de muitas mudanças de formação, direcionamento e afins, já que buscávamos criar algo diferente do normal. Então, a gente precisava de uma banda versátil, sabe? Músicos que pensassem de maneira aberta, pra poder realmente misturar as influências de rock japonês com rock ocidental, trabalhar o visual, composições variadas, etc. Particulamente, achar um time que pense assim, sem rótulos ou preconceitos — e que ainda seja técnico o suficiente pra saber tocar — não é nada fácil (risos). Mas, depois do lançamento da “Cage” (em 2008), muitas pessoas da nossa cidade ficaram surpresas conosco, queriam saber “de onde é essa tal de Z’ephyruS?” e isso nos ajudou a atrair os membros certos. Diria que, em maio de 2009, antes do primeiro show em São Paulo (no Café Aurora, e onde o Shino ia ser — e não foi — a atração principal) foi quando a banda de fato surgiu, tanto pela apresentação quanto pela primeira sessão de fotos que fizemos pra divulgar a Z’eS.
De lá pra cá, nosso foco passou a ser músicas próprias. E agora estamos aqui! =]
[Hana] Como foi feita a escolha do nome para a banda?
[Will] Ahhh, é meio engraçado, porque a ideia do nome veio antes da banda em si. Desde 2006 já pensávamos em criar algo mais alternativo, e daí já comecei a pesquisar vários nomes possíveis, jogava no Google pra ver se já existia (risos), essas coisas. Nós tínhamos uma lista com uns 20 e reduzimos pra três através da votação de amigos e familiares. Zephyrus, que é um dos quatro deuses gregos do vento, foi um deles. Então, parei pra refletir o conceito de cada um, incluindo a pronúncia, e até a numerologia — sério! Em todos os quesitos, achei que era a melhor palavra, forte e universal. E, como passei a trabalhar a parte lírica, além de imagens e cores da banda, acabei optando pelo vento pra representar tudo isso e servir de metáfora pra vida em si — já que boa parte das canções falam mesmo sobre algo cotidiano que todos nós vivemos. Posso resumir pra você que seria como “a brisa e a tempestade” num mesmo espaço. E tem o detalhe do apóstrofo, que foi o jeito que achamos pra “citar” o visual kei na escrita — e diferenciar de empresas e produtos que chamassem “Zephyrus” (risos).
[Hana] Para uma música (cover ou não) entrar no repertório, qual o processo?
[Will] Humm, depende do nosso estado de espírito, haha! Houve épocas que misturávamos bandas muito distintas, e até complicava na hora de tocar com zilhões de afinações. Em outros momentos, escolhemos músicas que gostávamos (como “Gianism Sichi”, do Nightmare), ou então que representavam bem a essência do visual rock (uma das razões por termos escolhido a “Cage” do Dir en grey, por exemplo). Hoje, sinceramente, optamos por canções que os fãs gostem e a gente goste — músicas mais populares, eu diria —, porque as próprias já trazem algo mais particular. Acho que pretendemos ter pelo menos metade do set list com canções nossas, e a outra metade de influências mais próximas do nosso estilo — caso do Gazette, que é uma unanimidade aqui (risos).
[Hana] Quais instrumentos cada um de vocês tocam (mesmo que ainda não tenham feito isso na banda)?
[Will] Ahãmm, eu toco violão, componho no violão também, é o instrumento que mais gosto. Já tem um tecladista aqui em casa e não dá pra competir, e digo o mesmo dos outros rs... Acredito que o nosso “time de cordas” — Naito, Shad e Yuri — se viram bem com violões, guitarras, baixos e percussões, mas cada um é melhor na sua praia. Multi-instrumentista mesmo, creio que só o Shad, mas todos acolhem a opinião de arranjos dos demais e cuidam de suas respectivas partes.
[Hana] Qual o tipo de cultura que você mais gosta além da japonesa? (*enviada por Ingrid Madeira — São José, SC)
[Will] O nome da banda já é uma dica. Amo a mitologia grega e muita coisa antiga — como a egípcia e a cultura celta. Mas nem sou tão nostálgico assim, gosto de modernidade também, e tenho meus planos de morar um tempinho em Londres. Por fim, tenho a Itália no sangue, e acho que, culinária igual a de lá, não existe igual! (risos)
[Hana] Quando não estão na banda, o que vocês fazem? Estudam? trabalham?
[Will] Todos trabalhamos e estudamos. Eu sou formado em publicidade e acabei de abrir uma agência com alguns amigos. Sunz faz engenharia química (!), Naito estuda numa faculdade de audiovisual, Yuri e Shad são da área de informática. O Yukio é o mais novo, então, tá terminando o colegial e fazendo cursos técnicos.
E cada um tem seu hobby, né? É uma turma bem variada, com alguns parafusos a menos...
[Hana] O projeto é que a banda seja a vida de vocês e outra profissão uma espécie de “plano B” ou a banda existe na medida que for possível conciliar com suas profissões?
[Will] Boa pergunta. Com certeza, todos sonham que seja a nossa vida, a nossa profissão, mas não é tão simples quanto falar. Uma coisa é tocar em paralelo, outra coisa é tocar e tirar o seu sustento disso. É necessário tempo, dedicação, e às vezes investimento financeiro — porque a mídia geralmente quer ganhar algo em troca pra te divulgar. Ou então, você precisa cativar um belo público aos poucos, lançar um single que agrade multidões... É uma equação nada exata. Na medida que é possível, nós conciliamos com outras coisas. Porém, se começarmos a crescer, se o visual rock começar a crescer, então nós ficaremos felizes de abraçar a música por completo.
[Hana] Quem são os ídolos de vocês no mundo J-Rock e na música mundial?
[Will] Nossa, essa pergunta pode ter mil respostas! (risos) Como já disse, Gazette é uma banda que todos gostam de alguma fase, assim como o Dir en grey e o L’arc~en~Ciel, mas também ouvimos muito Luna Sea, D’espairsRay, Nightmare, SID, Girugämesh, Kagrra, MUCC, Alice Nine, entre outros. Particulamente, eu incluo o Gackt na minha lista. Já as influências ocidentais são bem mais diversas, mas posso citar dentro do rock o 30 Seconds to Mars, Muse, HIM, U2, Dream Theater, Linkin Park, System of a Down, Angra — e o Avenged Sevenfold, como unanimidade também.
[Hana] Com quem a banda sonha tocar ou abrir um show?
[Will] Uhum, acho que seria um sonho tocar com qualquer uma das influências que citei, e já até nos questionaram se abriríamos um show do Tokio Hotel, por exemplo — que não é visual rock, mas curtimos e seria um prazer. Fora festivais como o SWU, ou o lendário Rock in Rio, isso tudo é um belo sonho! Mas, outra coisa que eu adoraria fazer é sair em turnê com a Allumina e a Dreizehn XIII pelo Brasil, pela Europa... Teríamos três shows fodas e muita bizarrice nos backstages, com certeza! (risos)
[Hana] Existe alguma música que você queira muito colocar no repertório e ainda não foi possível?
[Will] Sempre pensei em tocar algo do Rentrer en Soi. Admiro bastante o Satsuki como vocalista e acho a extensão da minha voz similar em empostações mais líricas. Daí me vejo cantando “Protoplasm”, “Stigmata”, “Last Scene...” e “I Hate Myself and Want to Die”, que tem um refrão incrível! Mas, não sei, pode ser que um dia a gente toque. Em paralelo, penso bastante em gravações acústicas de músicas que a gente não toca nos shows, e algumas versões que poderíamos gravar pras pessoas ouvirem na tranquilidade de suas casas (ou “iPods”). Pode ser que role um Gackt, um Glay, um Miyavi ou um Acid Black Cherry em gravações assim.
[Hana] O que você escuta atualmente e quais gêneros musicais têm em comum com os outros integrantes?
[Will] Olha, tento ouvir um pouco de tudo — incluindo todo dia a Antena 1 no carro, músicas bem mais lights, né? (risos) Ouço Pain of Salvation, porque o Daniel Gildenlöw é uma das minhas maiores referências como vocalista. Também adoro a KT Tunstall, que é uma artista meio pop/folk/rock incrivelmente talentosa — às vezes até componho inspirado por ela, amo coisas acústicas! Tenho referências antigas muito ligadas ao Queen, Pink Floyd e o Guns N’ Roses, mas gosto de modernidade, não sou puramente nostálgico. Ouvi e adorei o novo álbum do Kill Hannah (banda de eletro rock de Chicago, muito boa), ouço Kings of Leon e Lostprophets (de tabela com meu irmão), ouço muito 30 Seconds, e até muito Paramore haha! Em comum mesmo, eu gosto de rock pesado tanto quanto eles (mas também gosto de leve), gosto de solos de guitarra e, assim como o Yuri, acho o Tetsuya (L’arc~en~Ciel) o melhor baixista do mundo! (risos)
[Hana] A Z’ephyruS vai lançar dois singles nas próximas semanas, “Frozen Times” e “Digital”. Como foi o processo de composição? E, já que você é o responsável pelas letras, do que elas falam exatamente?
[Will] É, de fato, essas músicas foram compostas pra fazerem parte de um mesmo single, sendo a “Frozen Times” nossa faixa principal. Foi a primeira canção que fiz pra Z’ephyruS, há mais de dois anos, e ganhou arranjos novos de um ano pra cá — com as gravações do PV (que atrasaram por problemas técnicos, mas ainda estão de pé). A sonoridade é bastante suave, nostálgica e doce. Em termos líricos, é uma letra sobre lembranças de um romance, e cada ouvinte vai interpretá-la da sua forma. Tem algumas referências ao filme A Casa do Lago e o clipe pode ajudar a transmitir sua mensagem.
Já a “Digital” foi composta pelo Sunz, durante improvisos comigo e com o Dani, e também ganhou uma nova roupagem pra ser lançada agora. É quase o oposto da “Frozen”, bem mais direta, pesada e agressiva — mas sem deixar de ser melódica. Minha ideia inicial era escrever uma espécie de hino de protesto, meio político-social, e daí acabei imergindo nos conceitos de Matrix, em algo bem cyberpunk, já que a faixa soa bem moderna. Enfim, nós queremos terminá-las até setembro/outubro pra que vocês ouçam dois extremos da gente, e pra ser o começo de outros trabalhos que pretendemos lançar daqui pra frente.
[Hana] E de onde surgem as inspirações pra você escrever?
[Will] De qualquer coisa, principalmente do cotidiano. Gosto de tentar filosofar de uma maneira “pop”, vamos dizer, mais acessível. É bom que as pessoas entendam o que você quer dizer, que a música transmita algo e não cause só um estado de entropia, como alguns intelectuais acabam fazendo. Prefiro dizer algo que acrescente mais do que confunda, sabe? Letra não é supérfluo e é vantajoso quando você consegue trabalhá-la direito, ao meu ver. E, como dá pra perceber, acabo misturando referências de cinema e literatura por serem coisas que amo, e que servem como um bom complemento de qualquer trilha sonora.
[Hana] Quais hobbies você curte que não sejam ligados a música?
[Will] Gosto de cinema e literatura, e incluiria o teatro, mas confesso que não frequento tanto como gostaria. Fiz caratê por oito anos e creio que foi um fator de imersão na cultura japonesa. Hoje, gostaria de praticar kenjutsu, assim como dança de salão com minha namorada — com quem divido alegremente vários destes hobbies. Penso em melhorar minhas habilidades de culinária, haha, e estou até começando a praticar pensando nisso como um hobby também. De resto, sou mais caseiro, então, troco facilmente uma balada por um barzinho ou uma reunião de amigos regada a pizza e videogame (risos).
[Hana] Já teve alguma situação engraçada ou estranha com relação a comportamento de fãs?
[Will] Por que sempre perguntam essas coisas? (risos) Já aconteceram algumas, como nos pararem em algum lugar e perguntarem se éramos da Z’ephyruS, geralmente por conta dos cabelos, haha... Mas, em 2009, nós fizemos um show em Jacareí em que, durante a apresentação, alguém jogou uma calcinha no palco. O Sunz pegou-a e colocou no pedestal do microfone, pendurada. Daí, no final, uma menina me chamou à beira do palco e entregou outra calcinha, que eu peguei, agradeci, e entreguei pro Yuri — que a colocou na cabeça (risos). Sempre damos risada quando lembramos desse dia.
[Hana] Como você imagina que estará a Z’ephyruS daqui a cinco anos?
[Will] Imagino que já teremos infernizado a vida de muita gente e grudado um monte de refrões na cabeça de vocês! (risos) Sério, é uma questão difícil, mas sem dúvida eu gosto de imaginar que seremos reconhecidos por aquilo que fazemos. No mínimo, teremos uns dois ou três álbuns completos registrados pra quem quiser ouvir e reouvir, uma base maior de fãs, uma banda mais madura... E, se Deus quiser, bons contratos, vários shows, e uma MTV mais legal do que a atual (risos).
[Hana] Qual o conselho que você dá para aqueles fãs que desejam seguir o caminho da música, mas que atualmente não têm muita sorte?
[Will] Vai soar muito Xuxa se eu disser “nunca desistam dos seus sonhos”? (risos) Ok, acredito que você não possa deixar de lado aquilo que realmente gosta, nunca! Mesmo que não dê certo no momento, pode dar certo no futuro, e pode te trazer bons frutos. Muito da minha vida atual em termos de amizade, amor e profissão têm reflexos dessa paixão, portanto não seria a pessoa que sou sem tocar, cantar, sem ter essa banda. Não é fácil, exige persistência, dedicação, sorte... Mas os bons momentos vão valer pra sempre, isso eu te garanto!
Agradeço ao Will pelo tempo dedicado à entrevista, e espero que os leitores curtam! Até a próxima! :D
Para conhecer mais o trabalho da Z’ephyruS, acesse o MySpace e participe da comunidade no Orkut.
Publicação original de 18/09/2010. 4 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.