Diálogos com uma puta:
[Estava Tiano voltando da boate a pé pra casa, já que esperar ônibus pro Leme nem rola e são só uns três postos, no máximo. Vai pela praia, porque é mais rápido e agradável de caminhar. Quando se aproxima uma puta. Chamaremos aqui de puta, porque não reparei se a criatura — feia como um chester vivo — era traveco. Pouco importa.]
Puta: “Oi”
Tiano: “...” (ainda andando)
Puta: “Oi, você, quer fazer um programinha?”
Tiano: (muito polido, até, pro horário) “Não, obrigado.”
P: (seguindo Tiano) “Só 15 reais, eu sei que você quer.”
T: “Não quero MESMO, mas valeu.”
P: “É só um boquetinho, 15 para me ajudar, que eu estou em necessidade.”
T: (pensando o que diriam as assistentes sociais) “Não quero nada não. Boa sorte.”
P: “Você tem que querer. Eu sei que você quer. Eu sinto no seu âmago.”
[Tiano nesse momento para de andar, porque começa a refletir que a puta sabe o uso da palavra “âmago”. Deve ter sido alfabetizada pelo menos até a 5ª série.]
P: “Um boquetinho, por sete só!”
T: “Meu bem, valorize-se!”
P: “Então você não tem dinheiro.”
T: “Notou que eu estou voltando a pé três postos da praia? Então, sem dinheiro.”
P: “Então, te mata!”
T: (olha a puta de cima a baixo) “Eu prefiro, é sério!”
[Tiano continua seu caminho. A puta IA falar qualquer coisa, mas um carro passou mexendo com ela e, tal qual vira-lata, saiu latindo atrás.]
Isso aconteceu há uma hora.
Publicação original de 11/01/2010.