O Brasil Game Show, BGS doravante, ocorreu neste final de semana (20 e 21/11) no Centro de Convenções SulAmérica, Rio de Janeiro. A equipe da Rádio Blast! foi ao evento e, agora, você acompanha a cobertura que fizemos de lá, de forma bem resumida e sucinta, já que aconteceram muitas coisas nos dois dias do evento. Bom, então vamos ao evento:
Infraestrutura
O local do evento era bem grande e espaçoso — mesmo com todos os estandes e com um público médio de 15.000 pessoas por dia, dava para se movimentar quase que tranquilamente. A entrada do evento tinha um interessante túnel do tempo com consoles desde a primeiríssima geração até os comtemporâneos. Infelizmente, o túnel limitava um pouco o apertado espaço para se entrar e sair do evento, o que causou um pouco de tumulto nos momentos mais cheios dos dois dias. Outro problema para andar no evento era o elevador, única forma de chegar ao mesanino, onde as palaestras ocorriam. Não sabemos o motivo, mas as portas que davam para a escada rolante se mantiveram fechadas nos dois dias. Os preços de alimentação não eram exorbitantes, embora no sábado a fila para comprar qualquer coisa tenha ficado bem grande, no domingo o problema não se repetiu.
A distribuição dos estandes e boxes era boa, tantos os de gameplay quanto os de empresas e alimentação. O pessoal que estava na Pump It Up ficou em um espaço apertado para suas atividades, infelizmente. Para o ano que vem, porém, a organização promete duplicar o espaço do evento, o que deve sanar grande partes desses problemas. No BGS 4, estandes maiores se destacavam: Sony/PlayStation, Seven, Blizzard/StarCraft II e Just Dance. Vamos falar delas mais adiante.
Um dos pontos principais da organização do evento era o quanto todos que lá trabalhavam: seguranças, staffs, as modelos fantasiadas, todos eram muito simpáticos e solícitos. Até quando não sabiam exatamente a informação, tratavam tanto público quanto imprensa tão bem que ficava difícil levar a mal. Esse clima se extendia até o organizador do evento, Marcelo Tavares, que falava com todos que iam perguntar algo sobre o BGS 2010 ou 2011, imprensa ou não.
Bom, filas. As filas existem e existirão em qualquer evento do gênero. Para gameplay, para pegar senha para as palestras. O que poderia ser feito era uma agilização para as palestras. Quanto a jogos, era realmente preciso um pouco de paciência. Se pegarmos a Tokyo Game Show, por exemplo, as filas também existem, são quilométricas e todo mundo enfrenta. Bom, o evento tinha um diversificado público de curiosos, fãs de anime, gamers das mais variadas vertentes, cosplayers e famílias. Várias crianças pequenas se divertiam a rodo jogando o game do Ben 10, por exemplo.
Atrações que agitaram o evento
O estande da Blizzard, com o campeonato de StarCraft II. Com certeza era o local do evento com a maior quantidade de fãs fiéis, que acompanharam todas as partidas do campeonato realizado no local. De tempos em tempos, uma camisa da Blizzard era jogada, era o momento em que ouviamos ovações do público. Nesse estande havia modelos vestidas com uniformes do jogo, inclusive uma com armadura de Ghost. Entrevistamos uma delas, mas infelizmente o som ficou ruim. Ela disse, porém, que trabalhar com esse público não era tão difícil, embora fosse interessante que as pessoas tomassem banho antes de ir para o evento abraçar elas.
Espaço Sony/PlayStation era um dos maiores do evento, com gameplay de God of War 3, testagens do MOVE (controle de sensor de movimento do Playstation 3), simuladores 3D de Gran Turismo e área para crianças. A Sony pretende investir pesado em games com a tecnologia 3D, auxiliada por um óculos especial. A tecnologia estava disponível para os visitantes da feira.
Gameplay de Mortal Kombat 9. Um dos estandes com maior aglomeração de jogadores, todos querendo testar o futuro título do clássimo jogo de luta. Testamos o jogo e ele está com uma jogabilidade muito mais competitiva, cenas mais violentas e um tratamento de primeira. Em um determinado momento, Hector Sanchez, produtor do game que estava no evento, habilitou Sonya Blade e Jax Briggs em um dos consoles, fez uns testes e logo retirou. Bom, isso confirma (primeiro no Brasil) esses personagens para a nova versão. Como o próprio Hector pediu, não publicaremos as imagens de Jax.
Seven Computação Gráfica. A escola de computação e design tinha um espaço próprio no evento, onde modelistas faziam seu trabalho artístico durante o evento, jogos eram disponibilizados para gameplay (Marvel vs. Capcom 2, Street Fighter IV, etc). NO local também ficavam as Pumps para o campeonato e freeplay, além de contar com a participação do pessoal do Mundo Canibal. O Kinect, do Xbox 360, ainda podia ser testado no local. O único grande incoveniente desse local era a música extremamente alta que ele tocava. Chegava ao ensurdecedor no início do evento e era muito incômodo até para quem passava.
Agora, um dos locais que causaram maior furor do público geral era o palco em que o Just Dance do Wii era jogado pelo púbilco. Primeiro, porque todos queriam tentar e o jogo é bem divertido. Segundo, porque no evento estava disponível o novo título da série, especial do Michael Jackson, com direito a um cover dançando e jogando para o público. Foi de um sucesso absoluto e um dos pontos mais divertidos de se passar, mesmo que para dar uma olhada. Em campeonatos, quem tivesse o maior score levava para casa um dos títulos jogados.
As palestras
Foram um ponto alto do evento. Bom para quem quer trabalhar na área do jogos, bom para quem apenas se interessa, bom para investidores. Os palestrantes se saíram muito bem e agora você lê um rápido resumo do que cada um falou.
Hector Sanchez, produtor de Mortal Kombat 9, falou um pouquinho de cada parte da produção do game. Muito simpático, e arriscando um português, jogou com o público e arrancou risadas de quem assistia. Quem assistia não conseguiu arrancar dele muitas informações sobre personagens do jogo.
Andreas Stock, da StockGames, discursou sobre a mudança no mercado dos games. O alemão apontou os games online, de browser e gratuitos como o futuro mais promissor para se trabalhar com games, devido a sua aceitabilidade muito maior entre o público, facilidade de programação e mídia. Ele apontou ainda a diferença que a indústria, o marketing e a produção desse tipo de jogo apresenta dos jogos de console tradicionais.
A Blizzard teve dois palestrantes: Fausto de Martini e Steve Huat. O primeiro, Fausto, é um brasileiro que trabalha com modelagem de personagens das cinematics da empresa. A cena em que o Marine recebe a armadura em StarCraft II, por exemplo, foi supervisionada por ele. Ter um brasileiro explicando o processo de criação de um dos maiores jogos do ano foi recompensador para quem quer seguir a carreira e interessante para quem é leigo. Huat falou do futuro de negócios da Blizzard, no Brasil e no mundo. Nós, da Blast!, perguntamos como, se ele não concordava que a pirataria, de certa forma, tinha criado terreno para que os jogos oficiais fossem lançados no país. Paradoxalmente, Huat afirmou que isso é, sim, uma realidade, mas que acredita que os brasileiros comprarão agora os jogos originais, com servidores mais estáveis e a preço acessíveis. Diablo III, mesmo sem data de lançamento, parece ser um título que será traduzido e vendido no Brasil. Pelo menos é mais provável que World of Warcraft, jogo mais antigo da empresa. Huat ainda afirmou que a escolha do Brasil para lançar os jogos também se baseou na grande penetração que PCs possuem nos lares brasileiros, se compararmos a consoles de videogame como PS3 ou Wii.
A Sony, única das três maiores produtoras de consoles presente no evento, foi representada por Anderson Gracias em uma palestra interessante sobre o mercado de games do Brasil. Explicações sobre as grandes taxas pagas aos jogos eletrônicos, tratados como jogos de azar pelas tarifas, definições do mercado cinza (produtos originais que entram de forma não oficial no nosso país, não dando respaldo para a Sony do Brasil) e como mudar a mentalidade do vendedor e do consumidor de videogame por aqui foram os principais temas. Ficamos ainda sabendo os planos da empresa pro Brasil, como a network brasileira, expansão da tecnologia em 3D e consolidação dos espaços de venda.
As palestras foram esperançosas quanto ao futuro dos games no Brasil. Como foi dito, quem quer trabalhar com o ramo saiu do evento cheio de novas ideias, e quem simplesmente adora jogar games saiu com uma certeza de melhoria do mercado para um futuro, quem sabe próximo. Culturalmente, as palestras foram um diferencial muito positivo e um grande acerto do evento.
Brasil Game Jam
Bom, o Brasil Game Jam foi praticamente um evento a parte do BGS. No Jam, equipes de faculdades desenvolviam um jogo, desde sexta-feira até domingo, com um tema bem específico. O que significa que o pessoal não dormia e viveu os três dias virado fazendo jogo. Eu, Tiano, tive que pegar um desses sobreviventes de reality show e entrevistar:
Contudo, nosso simpático entrevistado não foi um dos vencedores. Mas apareceu na Blast!, olha só! Os vencedores foram os paulistas da faculdade de Design de Games da universidade Anhembi Morumbi. De qualquer forma, todos os desenvolvedores estão de parabéns por aceitar e levar adiante o desafio.
Brasil Game Show 2011
O evento já tem data marcada: 5, 6, 7, 8 e 9 de outubro. Espera-se que muito mais empresas se unam para a próxima edição, que contará com o dobro do espaço da edição deste ano. Não sabemos exatamente quanto, mas se estima que muitos negócios foram fechados e parcerias feitas durante os dois dias do Brasil Game Show. Isso se reflete no próximo evento, que terá dois dias apenas para pdorutores, empresários e imprensa.
Outra novidade é a presença do Video Games Live e Brasil Game Music (apenas com bandas nacionais que tocam game music) acontecendo simultaneamente com o BGS 2011. Serão eventos em separado, ao que tudo indica, mas a realização será no mesmo dia e local. Provavelmente, os concertos fecharão alguns dias do evento, provavelmente o VGL feche o último.
Por fim, gostaria de agradecer ao pessoal da Aglomerado News pela ajuda e parceria na cobertura do Brasil Game Show 2010. Sem a ajuda deles, este post não estria tão completo.
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Publicação original de 22/11/2010. 10 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.