(como nem o Chaos nem o Kamus movimentam isto aqui, movimento eu!)
Em mais um episódio da querela entre a Microsoft e a União Europeia, a gigante de software decide voltar atrás na sua decisão de não incluir o Internet Explorer no Windows 7 e ceder ao mimimi à pressão da UE ao incluir, durante a instalação do sistema, uma tela adicional possibilitando ao usuário escolher o seu navegador. Não há, ainda, nada dito sobre quais navegadores serão incluídos (além do IE), embora as montadoras, ao vender computadores com Windows, tenham a possibilidade de fazer suas próprias listas.
Decisão compreensível, e posso enumerar circunstâncias mil:
- O Windows 7 já atingiu o estágio de RTM — isto é, produto finalizado, preparações para comercializá-lo em andamento.
- A Microsoft está lucrando menos e cortando gastos.
- A Microsoft vai ter que lidar com mais um processo de quebra de patentes.
De fato, não é possível apontar uma delas como a que motivou a Microsoft a pedir pra sair — mas sim, foi a combinação desses fatores que encurralou a empresa na disputa supracitada.
Por mais que eu odeie o IE e ache absurdo (ok, até sair o IE8 — finalmente a Microsoft acertou a mão) ele estar no topo dos navegadores mais usados, o mimimi protecionista europeu foi (e é) ainda mais absurdo. Assim como no caso do Windows Media Player, nenhuma imposição dessas, sempre sob a justificativa de “vantagem anticompetitiva”, vai sequer arranhar a participação dos media players/navegadores no mercado de modo que os media players/navegadores europeus se sobressaiam. Quem usa IE vai continuar usando IE, até porque, para eles, o navegador é a Internet.
Tanto que, em ambos os casos, os outros produtos relevantes na Europa também são americanos (iTunes e Firefox, respectivamente — Firefox com apenas seis porcento de presença a menos que o IE). Do mesmo modo, mais da metade dos acessos à Rádio Blast! vêm do Firefox, e do IE apenas um terço. E nunca foi necessário processar, multar ou sodomizar a Microsoft para isso.
Basta apenas saber fazer marketing, em vez de mimimi. Estou olhando para você, Opera.
Via Ars Technica
Publicação original de 24/07/2009.