Quem é webdesigner como eu provavelmente reconhece algumas deficiências do protocolo HTTP, em especial no que se refere à transferência de pequenos arquivos ao mesmo tempo. É o caso de vários websites, cujos visitantes têm que puxar, além do HTML, múltiplas imagens, arquivos CSS, JavaScripts, etc e tal, geralmente pequenos.

O problema disso? Embora o overhead de cada download individual seja baixo, este se acumula consideravelmente ao se baixar vários arquivos, e ainda mais quando o site define cookies; estes são transferidos para cada requisição HTTP, inclusive para tipos de conteúdo essencialmente estáticos, como imagens e scripts. A partir disso, existem várias técnicas para contornar esse problema, todas envolvendo diminuir o número de arquivos baixados ao se visitar uma página; o site da Rádio Blast! inclusive emprega boa parte delas.

“Mas AMF, já temos banda larga, não? Linha discada é passado, pra que se preocupar com isso?”, devem pensar. É claro, mas não quer dizer que devamos desperdiçar banda. Eficiência é sempre bom!

E foi pensando exatamente assim que a Google decidiu criar um novo protocolo de transferência de dados, com o objetivo de substituir o HTTP em algumas décadas: SPDY, cujo foco, apesar do nome, é justamente a transmissão eficiente de vários arquivos pequenos ao mesmo tempo. A ideia é usar uma conexão SSL única entre o visitante e o site, e toda a comunicação seria subdividida em quadros menores, para que múltiplas ações ocorram ao mesmo tempo. Assim, possibilita-se que arquivos pequenos, geralmente de menos de 1 KB de tamanho, sejam baixados mais rapidamente do que um arquivo grande já em andamento. Além disso, toda a comunicação seria comprimida, aumentando ainda mais a eficiência.

Os resultados são promissores e fazem jus ao nome do protocolo, com uma diferença de cerca de 50% a mais de velocidade em relação ao protocolo HTTP. A meta é chegar ao dobro.

No entanto, há alguns problemas: a exigência de SSL demanda mais de processadores, tanto de computadores normais como de servidores, e especialmente de celulares, que começam a ser cada vez mais utilizados para acessar a internet. Além disso, não é possível armazenar dados SSL em cache, sem falar na possibilidade de usuários ficarem mal-acostumados com tanta segurança (é necessário mesmo criptografar todos os dados?), a ponto de ignorarem ainda mais avisos de segurança, o que é prato cheio para estelionatários.

E há também algumas perguntas: como os navegadores vão utilizar o SPDY? O endereço da Rádio Blast! vai virar “spdy://www.radioblast.com.br/”? O SPDY vai ser feito do zero, ou será uma atualização do HTTP? Cenas dos próximos capítulos!

Fonte: Ars Technica


Publicação original de 12/11/2009.

Compartilhar
Comentários
0 comentários