Resenha de Under-World, de Merry (Victor Entertainment, 2009). Nota: 8,0.
Merry, uma das principais bandas do eroguro, nos traz treze faixas imponentes, que traduzem seu submundo musical.
Faixas
1. GI·GO
Faixa bem estilinho marcha militar, boa! Pensando bem, só a bateria, o resto tem um quê de música médio-oriental... deve ser ré menor frígio... Segue uma progressão de cromatismos, com algumas variações.
2. Friction ××××
Boa faixa, não muito violenta, mas bastante furiosa, enfática num geral. Tem backing estilo coro em algumas passagens, dá um ar divertido pra música — uma forma, parece, de contrabalancear com os constantes berros do Gaara, que, aliás, canta essa música na base do berro!
3. under-world
Essa já é mais paulada, embora o riff principal seja muito cru, o que é compensado pelo refrão e as pontes, que tem uma preocupação harmônica melhor, e dão um ar mais melodioso para uma música bem forte, o que deixa ela equilibrada.
4. Akai kutsu
Escutei o primeiro riff e achei que ia ser uma baladinha, mas é uma música dançante bem gostosa de ouvir. Os instrumentos não foram tão trabalhados, embora a linha de baixo tenha umas frases bem expressivas, é uma música mais pra dar um clima de dança, e mostrar a voz do Gaara. Embora ela seja muito monotônica, constante, no decorrer da música, sem variações... Não, essa música ficou um tanto quanto incógnita...
5. Gesshoku
Comecinho bem trevas, digno! Tem um ar bem denso, e o vocal do Gaara (embora tenha algum filtro) colabora pra intensificar esse clima. Embora o último minuto dê uma levantadinha no clima ruim e fique mais animada, de uma forma bem macabra, mas ainda animada.
6. Enzetsu ~Surrealism~
Ele está cantando de megafone de novo? (auehauehaueh) Música curtinha, tem um trabalho instrumental mais elaborado, embora dissonante em certo ponto, mas agradável ainda assim (?).
7. [human farm]
Música bem digna, forte, emblêmica. Legal o riffzinho de intro, bonito, a ponte é interessante, e o refrão tem uma harmonia bem bonita. O solo, que não é bem um solo, fica no riff base sobreposto com outra guitarra, muito interessante. A voz do Gaara é um bom destaque dessa faixa.
8. Piranha
Esse nome causa polêmica! Lembra algumas coisas mais antigas do Merry, lá da época do “Violet Harenchi”. Aliás, essas duas são bem parecidas até certo ponto, mas não muito... se lembram assim.
9. Katamichi kippu
Uma música que pode facilmente passar despercebida, meio que parece sequência da Piranha... Só dá diferença mesmo lá pro último minuto... Tem um ar meio circense, vários arpeggios e coisas assim.
10. Canary
Pô, essa começa na facada legal assim. Boa música, embora seja densa até o máximo que eu suporto, mas é agradável nas partes leves. Tem uma levada bastante parecida com a da Under-world, nas passagens instrumentais.
11. Tozasareta rakuen (Album mix)
Não ouvi a versão single dela. Não é a melhor música que o Merry fez, mas é muito bonita, e o Gaara consegue colocar muita emoção na voz.
12. Gekisei
Ah, a “Gekisei”. Sou suspeito pra falar dela, mas enfim, tentarei ser imparcial.
A intro sempre me lembra a intro de “Roundabout”, do Yes, não sei por quê. Acho que é o violãozinho e tal, embora o do Merry tenha umas coisas mais flamencas que o do Yes. A pós-intro, é bem trabalhada, mas de uma forma cru...
O grande destaque da música fica sempre para a voz do Gaara, que mostra do que é realmente capaz cantando. O baixo cumpre bem seu papel, dando liga entre a bateria e o resto da banda, colocando a sensação de completude, e nas que o vocal fica “sozinho” o resto da banda segura muito bem a música. A primeira mudança da música, o intermezzo pra parte mais agressiva é um jazzinho muito do gostoso, e o baixo faz um trampo fera (e me lembra um pouco “Dasei Boogey” do Nightmare). Aquela guitarra batida meio suja acaba combinando com o clima pré-violência que segue.
Acho divertido esse efeito que o Gaara coloca usando o megafone. Essa, na verdade, é a parte que eu menos gosto da música, é muito desordenada, embora alcance o efeito que pretende, ou seja, mostrar desespero. E a música então retorna para como começa, mas de uma forma levemente mais trabalhada. O SOLO DE VIOLÃO FLAMENCO CHUTA TODAS AS BUNDAS DO MUNDO. A tranquilidade que o Gaara usa pra tentar esconder o desespero iminente é emocionante.
E então ele explode, e coloca toda a tristeza que ele segura a música inteira, mas com aquele ar de um amanhã melhor (?).
Aí a música chega num final glorioso, com palavras gritadas a esmo, que, no entanto, fazem todo o sentido no contexto, e mostram o desespero humano em busca de respostas para a vida, a busca por um lugar, o desconforto com as mazelas do mundo e... tá, parei.
E a música morre junto com com a guitarra, que acompanha o desespero da voz, ficando cada vez mais suja e agressiva. Em suma, é uma música que vale a pena a paciência de escutar.
13. Fuyu no Castanet (Album mix)
Já tinha ouvido no single, é bonita, é natalina, e merece um troféu de boa harmonia.
Avaliação geral do álbum:
Consistente, bem amarrado, mesmo não sendo macumba. Traz elementos da época mais antiga do Merry, incorporados e misturados elementos mais recentes, criando assim um álbum que, a cada nova audição, se torna cada vez mais interessante. Três singles colocados neste álbum, todos de uma qualidade técnica inquestionável, embora não venha a agradar a todos.
Para os que gostam de músicas mais agressivas, mas sem perder de ouvir um bom trabalho técnico, é um álbum recomendado.
Publicação original de 22/04/2009.