A crise que era imobiliária, virou financeira e hoje é de todo o capitalismo já chegou às famílias. Os números são alarmantes: retração na produção, no consumo, no PIB, no orçamento dos municípios e no mais grave: o emprego. Estamos na pior crise desde a grande depressão da década de 30 e precisamos de uma solução equivalente: o Estado.
Uma das principais causas da crise é a farra dos capitais especulativos. Eles não têm compromisso nenhum em produzir para as nações (criando indústrias, gerando empregos, etc.) e vivem pulando de galho em galho em direção a mercados mais atrativos, isto é, com juros mais altos pra poder gerar mais riqueza a curto prazo. No atual estágio da liberalização financeira das fronteiras e da globalização, esses capitais podem andar livremente pelo planeta e sem contato com nenhuma base material, apenas gerando um dinheiro distante da realidade. O Estado pode promover a regularização financeira, com uma fiscalização mais rigorosa para evitar fraudes e excessos da “mão invisível”.
Do outro lado, o Estado pode salvar o que já foi devastado. Esta instituição, em oposição aos empresários que só têm interesse pelo lucro, pode promover um pacote de políticas públicas de habitação, infraestrutura, saúde, educação e desenvolvimento sustentável, gerando milhares de empregos. Os trabalhadores não devem pagar pela crise que foi gerada no sistema bancário. Por isso, o governo (obviamente, escolhido de forma sábia pela população) deve se voltar, antes de tudo, para manter os empregos e promover o bem-estar da população, para em seguida tentar salvar as instituições financeiras.
A saída para a crise é o Estado. Apenas ele, com sua alta capacidade de regulamentação e de orientar políticas públicas no sentido de minimizar os efeitos da crise, pode salvar as nações de consequências ainda mais devastadores das que já aparecem nos noticiários. Por isso, um modelo de desenvolvimento promovido pelo Estado que leve em conta o bem-estar social e o meio-ambiente deve ser pensado com urgência, ainda mais no atual estágio pra crise.
Publicação original de 24/03/2009.