O governo brasileiro pretende anunciar uma nova medida: anistiar todos os imigrantes ilegais e regularizar sua situação. Estimativas mostram que, no Brasil, aproximadamente 600 mil imigrantes vivem em situação ilegal. Apenas na cidade de São Paulo, vivem cerca de 150 mil bolivianos, entre ilegais ou não. Na contramão dos países europeus, o Brasil perdoa os estrangeiros e concede cidadania brasileira, para que eles tenham acesso aos serviços básicos.

Formados majoritariamente por, além de bolivianos, paraguaios, chineses, peruanos, chilenos, argentinos e colombianos, os imigrantes em situação irregular não podem tirar carteira de trabalho, identidade, título de eleitor, e também não podem ser atendidos nos hospitais públicos. Os maiores casos de trabalho escravo e semiescravo em centros urbanos são registrados contra esse grupo, pois eles não podem fazer denúncias já que também estão ilegais. A medida ajuda a combater a exploração e permite que essas pessoas utilizem o serviço público brasileiro.

Do outro lado do Atlântico, em vários países da União Europeia, os imigrantes estão sendo empurrados de volta para seus países. A Espanha está pagando 14 mil dólares para o imigrante que voltar para seu país, enquanto muitos outros são barrados na entrada. Em tempos de crise, um senador estadunidense defendeu que a Microsoft demita, primeiro, os trabalhadores estrangeiros. Na França, faz tempo que Sarkozy não recebe bem os imigrantes e grupos alemãs e italianos de orientação fascista espancam os vindos de fora diariamente.

A medida do governo brasileiro é boa. Contraria a onda de xenofobia que percorre a maior parte dos países desenvolvidos que, não só em tempos de crise, trata mal os trabalhadores que vêm de fora. Eles esquecem que a extrema pobreza em que vivem os países africanos e latino-americanos é resultado de sua exploração colonialista  e imperialista de poucas décadas atrás. O governo Lula, por sua vez, tem o desafio de promover a permanência desses imigrantes, oferecendo empregos e garantindo o acesso aos direitos fundamentais, como saúde e moradia.


Publicação original de 04/02/2009.

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