Policias entram em confronto com manifestantes (Foto: Daniel Haidar/G1)
Novamente a tentativa de negociação dá lugar à truculência nas atitudes do governador paulista José Serra (PSDB). Dessa vez, a Polícia Militar foi acionada para conter uma greve de funcionários e estudantes da Universidade Estadual de São Paulo (USP), o que gerou confronto entre grevistas e PMs no campus Butantã. A Polícia obedeceu a uma ordem judicial de reintegração de posse desferida pela reitoria e o governador apoiou a iniciativa.
Rasantes de helicóptero e gás lacrimogêneo versus pedras e ofensas foi o quadro do confronto da semana passada. O resultado foi mais de dez feridos, entre estudantes, professores e policiais. Os funcionários reivindicavam 16% de aumento salarial, mais 200 reais fixos e o fim de processos administrativos contra os sindicalistas que participaram de movimentos anteriores. Os estudantes se solidarizaram com a luta. Com a entrada da força armada, duas novas reivindicações: a renúncia da reitora Suely Vilela e a total saída da Polícia Militar do campus.
Independente de todas as críticas às greves, os funcionários têm o direito de fazê-las. O conflito é resultado de uma falta de diálogo aberto do poder público com os trabalhadores e estudantes. Além disso, nos remete a primeira vez em que a USP foi invadida, em 1968, nos anos de chumbo da ditadura militar. Serra defendeu a truculência que, num passado distante, havia combatido, alegando que a Polícia não cometeu nenhum exagero, apenas obedeceu a uma ordem judicial.
E que se cuidem funcionários e estudantes grevistas. Foi marcado um ato na Avenida Paulista para esta quinta-feira. Fora da USP, a PM não precisa de liminar para agir.
Publicação original de 16/06/2009. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.