Uma nova crise aguda atingiu os Estados Unidos. Alguns chamam de a “Nova Crise de 1929”, alguns apontam para a derrota do pacote neoliberal aprovado pelos grandes Tatcher e Reagan. Até George W. Bush já percebeu que o livre mercado não se segurará sozinho e ofereceu uma ajuda de 700 bilhões de dólares para os bancos quebrados pela crise. Ainda não se sabe ao certo qual é o futuro disso no mundo, mas muita coisa muda para o estadunidense comum.

Em primeiro lugar, o norte-americano está percebendo e preocupando-se com as coisas que acontecem à sua volta. O Congresso não aprovou a ajuda dos 700 bilhões de dólares, pois centenas de congressistas receberam e-mails e ligações de seus eleitores desesperados, pois não querem ver um investimento tão grande para salvar bancos. O estadunidense médio quer ver investimento em capital produtivo, gerador de empregos. Ele cansou dessa farra de fazer dinheiro a partir do nada.

Depois, o habitante da terra de Tio Sam deverá restringir seu consumo. Como os bancos estão receosos, não vão liberar empréstimos como os estadunidenses estão acostumados a ter. Portanto, é bom que as crianças se acostumem a comer mais comida caseira ao longo desse ano e do ano que vem e se prepare para Papai Noel com uma sacola pequena.

O “american way of life”, esse sim, está com os dias contados. Mas os países pobres continuam na mesma. Enquanto os países ricos temem a recessão, os pobres temem a fome. Mas esse problema não é de agora.

Ver: CartaCapital Nº 514 e 515

PS: No último sábado tivemos o recorde de audiência e participação no programa Plug In Baby, em que discutimos a legalização do aborto. Foi um programa bem legal, com um ótimo debate, civilizado e democrático. Se você não teve oportunidade de escutar, vá à página do Plug In Baby no Arquivo B! e baixe!


Publicação original de 02/10/2008.

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