Augusto Pinochet, ditador chileno — Um outro 11 de setembro

O Plug In Baby do dia 13 de setembro relembrou dois 11 de setembros na nossa história: o chileno, de 1973, que derrubou o então eleito presidente Salvador Allende para instalação de um regime militar sangrento sob o comando de Augusto Pinochet; e o estadunidense, de 2001, que derrubou as torres de um dos maiores centros empresariais e de comércio do mundo inteiro: o World Trade Center.

Em relação ao Chile, conversamos um pouco sobre as causas dos Estados Unidos apoiarem regimes militares que instauravam a censura à imprensa, à liberdade de expressão e praticava tortura nos países da América Latina em nome da democracia e da liberdade. Conversamos também sobre os antecedentes do golpe chileno e conversamos sobre e lemos um texto de Pablo Neruda, um dos maiores poetas latinos que o mundo já conheceu.

Sobre os Estados Unidos, conversamos um pouco sobre a origem dos talibãs, grupos fundamentalistas árabes treinados pela CIA para tomar o poder no Afeganistão, onde há pouco havia se instaurado um regime socialista pró–União Soviética, em pleno contexto de Guerra Fria. Além disso, comparamos alguns dados de números de mortos provocados pelos Estados Unidos nas guerras do Iraque e do Vietnã com o número de mortos pelo atentado “terrorista”.

O tracklist do programa foi dedicado a falar sobre guerra. Todas as letras são interessantes, mas destaque para as traduções de “People Are People” e “Boom!”. A fonte dos dados estão abaixo do tracklist. É sempre importante a consulta da bibliografia para não dizer que o locutor “pegou todos os dados da Wikipédia”. Abaixo das sugestões encontra-se um poema de Pablo Neruda, “Quem Morre”, que, apesar de não ter relação com o tema de hoje, é sempre importante de ser lembrado e lido.

  • Green Day - Wake Me Up When September Ends
  • A Perfect Circle - People Are People
  • Amy Winehouse - Some Unholy War
  • O Rappa - Minha Alma (A Paz que Não Quero)
  • Cidade Negra - Homem Que Faz a Guerra
  • Hadouken! - Declaration of War
  • Muse - Assassin
  • System of a Down - Boom!
  • Madonna - American Life
  • Smashing Pumpkins - United States
  • Joan Osborne - War
  • MGMT - Weekend Wars
  • [Vinheta: Tema de “O Carteiro e o Poeta”]

Assistir aos filmes: Zeitgeist, Machuca, O Carteiro e o Poeta.

Ler: “Guerra e Globalização”, de Michel Chossudovsky; “Confesso que Vivi”, de Pablo Neruda; A Roupa Suja da Ditadura Chilena; As “verdades” que Bush vende sobre o Iraque; Veja de 09/12/1998.

Pablo Neruda — Quem Morre

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca. Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.


Publicação original de 14/09/2008. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013. O áudio do programa não sobreviveu à migração de 2013.

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