Em 2008 comemora-se 100 anos do nascimento de Josué de Castro, médico e geógrafo de grande influência ao pensamento progressista do século XX e XXI. Em suas principais obras, Geografia da Fome e Geopolítica da Fome, o pernambucano discorreu sobre as causas da fome no Brasil e no mundo, além de também possuir escritos sobre desenvolvimento, geografia humana, população e muito mais. Negando a grande maioria dos pensadores até então, Josué desenvolveu sua teoria em torno da premissa que o subdesenvolvimento é um produto do desenvolvimento e da exploração colonial, e a fome se encaixa nesse sistema. O autor nega a teoria clássica de que os países subdesenvolvidos serão, um dia, desenvolvidos.
A fome, portanto, decorre dos fatores sociais e econômicos aos quais determinados países foram submetidos, já que a fome como uma epidemia não existe em todo o mundo. Antes da chegada dos europeus na África, por exemplo, as populações africanas não conheciam a fome. A fome era uma questão pontual no tempo, causada por uma seca grave ou uma peste, mas não era epidêmica como é hoje em dia. Os colonizadores levaram a monocultura de exportação, que acabou com a agricultura de subsistência, além de transformar violentamente as relações sociais.
Além de estudar a fome, Josué de Castro estudou a população. Seu estudo passa pela idéia de que o crescimento demográfico pode ser reduzido na medida em que a população é bem-alimentada e possui acesso à educação. Assim, além da população crescer lentamente, o país se desenvolve e eleva a qualidade de vida. Populações famintas e com semi ou nenhum acesso à educação se reproduzem rapidamente e agravam o subdesenvolvimento.
Josué nega as argumentações neomalthusianas (derivadas do economista Thomas Malthus) que diziam que o crescimento demográfico acelerado dificulta o desenvolvimento econômico pois as grandes taxas de natalidade formam uma população jovem e numerosa que exige grandes investimentos, sacrificando os recursos. Os neomalthusianos defendem o controle de natalidade para fazer o país crescer mas, no fundo, gostariam era que todos os pobres morressem pra diminuir a pobreza (na mesma linha de pensamento, os criminosos também poderiam morrer para diminuir a criminalidade — portanto, alguns neomalthusianos beiram o fascismo).
Alguns pensadores devem ser sempre lembrados e homenageados. Mais ainda se são brasileiros, possuem expressão mundial e se suas discussões são atuais. Os conceitos e os debates desenvolvidos pelo Josué certamente modificaram o rumo em que se pensavam temas como agricultura, fome e população. O autor do blog acredita que a difusão dos ideais de Josué de Castro pode contribuir para um desenvolvimento sustentável, justo e para todos os brasileiros.
PS: Já fiz o apelo para que os ouvintes do Plug In Baby lessem o blog. Agora é a hora de fazer um apelo para que os leitores do blog escutem o programa: todo sábado, 21h. Para quem não pode escutar a esse horário, todos os PIBs vão para o Arquivo B, link no menu à esquerda. É só baixar.
Publicação original de 10/09/2008.