Salvar donzelas em apuros: é clichê, mas ainda funciona!

Confere aí!

20/06/2016 Última edição em 20/06/2016 às 00:00:00

Salvar donzelas em apuros: esse é um enredo que tem servido de base para uma grande quantidade de games ao longo dos anos, colocando uma garota adorável e delicada em um tipo de situação embaraçosa (raptada por um gorila, aprisionada em uma torre ou coisas desse tipo), onde um herói forte e corajoso precisa resgatá-la. Embora já estejamos carecas de ver isso, a experiência tem demonstrado que salvar donzelas em apuros é um enredo clichê que vem funcionando bastante, mas por que será?

Os grandes designers sempre tiveram muito cuidado ao passar uma experiência para os jogadores, de forma que eles pudessem vivenciar alguma coisa e, para fazer isso, muitos recorreram à ajuda da psicologia e de outras áreas do conhecimento para entender a nossa forma de pensar, agir e apreender o mundo. Assim, os designers foram capazes de identificar alguns mecanismos que comandam e influenciam as nossas ações, conseguindo manipular o conteúdo dos games e fazer com que fiquemos conectados a eles.

Isso faz muito sentido quando paramos para pensar nos efeitos que um jogo consegue causar sobre nós enquanto estamos jogando. Veja o Fatal Frame 3: The Tormented, por exemplo, um terror psicológico que é acompanhado por uma ambientação escura, com uma trilha sonora capaz de criar um clima de suspense e elementos sobrenaturais que são de causar arrepios. Tudo isso e outras coisas foram pesadas durante a fase de design para que o jogo fosse capaz de passar uma experiência de terror psicológico para os jogadores.

Mas voltando ao caso dos jogos onde salvamos donzelas em apuros, nós homens, biologicamente, sempre fomos tomados por um desejo inato de cuidar bem de uma mulher e de protegê-la, e o fato de podermos vivenciar algo assim dentro de um game desperta o nosso interesse de uma forma insconsciente, ainda mais quando assumimos o papel de um personagem heróico e destemido, capaz de feitos incríveis, como Wander, que derrota gigantes para trazer de volta à vida a jovem Mono.

Mas você pode estar pensando que as mulheres também se interessam por este tipo de jogo e não têm esse lance de "biologicamente" no meio da história. É verdade, mas quando esse tipo de jogo surgiu, o público-alvo era predominantemente do gênero masculino, embora agora isso varie bastante de acordo com o game e a plataforma. Dizem que o maior público de jogadores de celular é composto por mulheres com mais de trinta anos, o que faz bastante sentido se você parar para observar a quantidade de pessoas que jogam no metrô durante o horário de ida e volta do trabalho. Mas fora essa observação, pesquisas mostram que as mulheres compõem 52,6% do público que joga games no Brasil.

De donzelas em apuros a protagonistas

Quando surgiu um jogo de ação trazendo pela primeira vez uma protagonista mulher, ninguém imaginava que faria um sucesso tão grande e que Lara Croft abriria o caminho para muitas outras que estariam prestes a surgir. De donzelas em apuros, as mulheres passaram a ser as heroínas nos games, participando de aventuras, matando zumbis e, até mesmo, praticando bruxaria contra monstros hostis. Vamos dar uma olhada em alguns exemplos para ver o que elas andam aprontando por aí.

Uma mulher usando vermelho sempre chamou atenção, agora imagina se essa mesma mulher carregasse uma arma, possuisse conhecimentos de espionagem e habilidades de artes marciais. Como se não bastasse, ela é muito charmosa e tem um certo ar de mistério quando aparece na frente das câmeras. Não são muitas as mulheres que conseguem causar o mesmo efeito que Ada Wong, uma das personagens de jogos da série Resident Evil

Quando o assunto é bruxaria, ninguém entende mais do assunto do que a sexy Bayonetta. Com roupas justas e salto alto, Bayonetta sabe atirar, bater e planar como ninguém, enfrentando todo tipo de monstros que surgem em seu caminho. O fato é que nem mesmo Dante (Devil May Cry), que possui sangue de demônio, seria páreo para a nossa bruxa. Alguns podem dizer "mas o Dante atira de cabeça para baixo", o que é legal, mas não supera a Bayonetta, que atira com o pé, e sem deixar os óculos caírem no chão, o que impressiona ainda mais.

Tifa Lockhart é uma garota boa de briga, dona de bar e apoiadora de um grupo rebelde. Suas habilidades em artes marciais são notaveis e, aliadas ao seu carisma e personalidade cativantes, é uma das personagebs mais importantes e queridas em Final Fantasy VII, onde surge como protagonista feminina. 

Enredos clichês ainda funcionam, e as mulheres nos games fazem sucesso tanto quanto os homens. É curioso notar que ainda existem  jogos com esse mesmo tipo de enredo que continuam a fazer sucesso, mesmo após a grande imersão a que os jogadores vem sendo submetidos a eles durante anos, e a lista de jogos não é pequena. É como o criador do Tetris disse uma vez: "A tecnologia muda drasticamente, mas o intelecto humano continua o mesmo, por isso uma coisa que fascinava há 30 anos ainda vai despertar interesse, e os melhores jogos vão sobreviver para sempre."

E quanto a você, já  salvou muitas donzelas em apuros?




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