Você já teve vontade de jogar o remake de Silent Hill 2, mas ficou com um pé atrás? Talvez por causa do preço bem elevado para um remake de 2024 ou por medo da proposta perturbadora que a série traz? Pois é, eu também!
Mesmo não sendo fã de jogos de terror eu sempre fiquei com uma pulga atrás da orelha com esse jogo, seja pela história que traz um forte apelo emocional, seja pela ambientação que traz aquela pegada de neblina densa que é de arrepiar, e aproveitando que estamos em mês de Halloween e que o jogo tinha entrado em promoção por alguns dias na Steam, decidi experimentar e trazer uma análise pra vocês respondendo a seguinte pergunta: Silent Hill 2 é tão assustador assim?
Silent Hill 2
Silent Hill 2 é um remake do game original lançado em 2001 pela Konami para o PlayStation 2 e que traz um forte apelo emocional envolvendo o protagonista dessa história. Esse remake foi produzido pelo Bloober Team em parceria com a Konami e está disponível pra PC, PlayStation 5 e Xbox Series.
Como eu estou com um cagaço enorme de jogar esse jogo, vou levar bastante tempo pra conseguir zerar ele, e por isso decidi dividir essa análise em algumas partes, e à medida que eu for evoluindo na história e na gameplay vou trazer mais insights sobre ele, mas eu preciso ser bem sincero com vocês, as próximas análises desse game só vão sair se eu tiver coragem suficiente pra conseguir jogar até o final, então não criem muitas expectativas, porque quando se trata de jogos de terror eu sou bem medroso mesmo.
Narrativa
Em Silent Hill 2 você assume o papel de James Sunderland, um homem que diz ter recebido uma carta de sua falecida esposa dizendo que ela o está esperando no seu lugar especial em Silent Hill. James, visivelmente abalado emocionalmente com a perda da esposa, decide ir em busca dela, sem pensar, com a esperança de encontrá-la nessa cidade que não é nem um pouco amigável.
E é aqui que a Konami mexe com a nossa cabeça trazendo um enredo muito profundo e pesado como esse porque mistura elementos de luto com outros sentimentos que o personagem nutre por sua esposa. Isso cria uma conexão muito forte com o jogador, ao mesmo tempo que mantém o mistério sobre o que pode ter acontecido, gerando a motivação necessária para a gente querer saber até onde vai o fim dessa história e se realmente encontraremos Mary em Silent Hill.
Algo que conseguimos notar é que James, diferente de outros personagens de outros jogos, não é a figura do típico herói ou cara durão, aqui nós temos um cara emocionalmente abalado por algum trauma do passado e a tristeza dele é tão profunda que conseguimos perceber nas suas expressões faciais e nas lágrimas que saem dos seus olhos quando ele se lembra da Mary, o que faz a gente se perguntar se ele a amava tanto a ponto de não conseguir viver sem ela ou se alguma outra coisa mais séria poderia ter acontecido para ele ter ficado assim.
Ambientação
Um dos motivos que me fez querer experimentar Silent Hill 2 foi a sua ambientação. A série tem como marca registrada o efeito de neblina que dá uma atmosfera de mistério e suspense muito fortes. Os cenários ficam ocultos pela névoa em boa parte do tempo e vão se apresentando aos poucos conforme você vai se aproximando de cada lugar. Além disso as dublagens dos personagens são muito expressivas, principalmente a do James, com uma profundidade emocional que faz você se sentir verdadeiramente conectado com o jogo.
Com o tempo descobrimos que Silent Hill 2 é um jogo hostil e a ambientação é tão opressora que o tempo todo você fica com receio de avançar e encontrar algum perigo pela frente. Esse efeito de opressão acontece por causa da trilha sonora que é repleta de tensão e pelo fato do seu campo visual ficar bloqueado constantemente, impedindo que você enxergue os perigos que estão à sua volta.
Desde o início nós percebemos que o game é projetado para nos sufocar e nos deixar apreensivos enquanto andamos pelas fases. Com certeza não é o tipo de jogo pra você ficar andando pelo cenário e admirando a paisagem. Aqui, até parar pra olhar o mapa você tem que ficar atento com o ambiente ao seu redor.
É interessante perceber como o game design consegue deixar você desconfortável, mas ao mesmo tempo a promessa embutida na narrativa de encontrarmos Mary em Silent Hill, ou pelo menos descobrir o mistério por trás de tudo isso, faz você querer continuar seguindo em frente.
Eu senti arrepios enquanto estava jogando e enfrentando os primeiros inimigos, que diga-se de passagem, eram bem bizarros, os chamados “Lying Figures”, e em várias situações fiquei com receio de continuar. A forma que eles foram modelados, as animações grotescas e os sons que eles emitem, somados à fragilidade do James, nos deixam verdadeiramente com medo.
E vale destacar que a combinação de neblina e trilha sonora consegue causar uma forte sensação de desorientação no jogador; mesmo que a gente tenha um mapa em nossas mãos indicando onde estão os locais que devemos ir, o efeito de desorientação provocada pela combinação de névoa e trilha sonora acaba dificultando saber para onde seguir, sem falar que muitas portas são trancadas e você não sabe quais consegue atravessar, algo que acaba confundindo um pouco.
Silent Hill 2 é um autêntico jogo de terror! Tudo no jogo parece ter sido criado nos mínimos detalhes para provocar medo e apreensão, até mesmo uma simples janela que leva dentro de algum lugar consegue te deixar com receio de ir adiante. Aqui nós sentimos receio de explorar cada lugar e avançar por cada esquina.
Atenção à classificação etária!
Esse jogo recebeu a classificação M nos Estados Unidos para maiores de 17 anos pela ESRB, porém no Brasil ele é classificado para maiores de 18 anos. Antes de jogar verifique se você tem a idade adequada.
Mas então você pode me perguntar, "por que eu jogaria um jogo que me causaria medo e apreensão?", e é aí que está a mágica da coisa: tecnicamente o jogo é muito bem construído naquilo que ele se propõe a fazer e o gancho que te mantém conectado é justamente a premissa apresentada na história que é cheia de mistério e disperta a sua curiosidade.
Gameplay
Você controla o James em uma visão em terceira pessoa, um personagem frágil e mentalmente abalado. A movimentação dele é lenta e se torna pesada quando ele está machucado, o que combina com o ritmo que o jogo impõe, porém se torna uma desvantagem clara contra os adversários que ele precisa enfrentar.
No início você percorre diferentes cenários sem encontrar um único inimigo por um bom tempo; passaram-se uns 20 minutos (e eu espero não estar exagerando) até eu encontrar o primeiro obstáculo e o jogo finalmente introduzir alguma mecânica de ação. Seria legal se o Bloober Team tivesse aproveitado esse tempo pra introduzir alguns controles simples que já ensinasse o jogador o que ele poderia fazer mais adiante, assim não ficaríamos apenas caminhando por tanto tempo.
Quando os primeiros adversários surgem, você começa com um pedaço de madeira cheio de pregos que arranca de uma janela para poder usar e conseguir se defender. Além disso, você consegue esquivar e, em alguns casos, evitar os confrontos. Isso é importante porque caso você sofra muito dano vai ter dificuldade de restaurar a sua vida, uma vez que o jogo não é muito generoso em te fornecer itens de cura e, quando fornece, é bom você guardar para usar quando realmente precisar.
Você coleta alguns itens pelo cenário de forma fragmentada e, conforme vai coletando outras partes, consegue combiná-los para realizar alguma ação útil como resolver puzzles.
Embora os inimigos tenham alguns padrões, eu não achei tão simples de ler e reagir aos movimentos deles, o que torna a IA imprevisível e o combate mais dinâmico. Eu também sofri danos frequentes que drenaram a minha energia, e uma vez que você sofre dano não é fácil restaurar sua vida. Silent Hill 2 exige que você gerencie bem os seus recursos e use-os de maneira estratégica.
Eu senti que o jogo faz de tudo pra complicar o nosso progresso e só depois de sofrermos maus bocados é que ele nos dá alguma recompensa, porém o mínimo necessário pra gente continuar avançando. Ele não é injusto, mas é bastante desafiador.
Level Design
O Level Design de Silent Hill 2 é baseado na estrutura Hub & Spoke, o mesmo estilo usado em Resident Evil 2, em que temos uma área central que são as ruas de Silent Hill que são conectadas a várias outras áreas que devemos acessar para explorar o mundo do jogo. Em Resident Evil 2 essa área central é a delegacia de polícia de Raccoon City que possui várias salas conectadas a ela que devemos explorar.
Em Silent Hill 2 temos um mapa de várias ruas da cidade que formam um hub extremamente natural, e você deve explorar lugares como bar, apartamentos, cafeteria e floricultura, precisando ir e voltar por onde passou à medida que consegue coletar itens como chaves e outros objetos para resolver um puzzle, por exemplo, como o da jukebox.
Nós temos um mapa que é dinâmico, que indica os locais que devemos ir e sinaliza quais áreas estão interditadas. Em algumas situações é bem óbvio qual direção você deve seguir, e o mapa ajuda de fato, mas em outras fica bastante confuso e o mapa parece não fazer nenhum sentido.
Essa ideia dele não fazer nenhum sentido acontece pela primeira vez logo após você pegar um item importante do jogo, que acaba acionando um comportamento na fase que a torna mais opressora, aumentando a dificuldade para conseguirmos progredir.
Gráficos
Desde que eu joguei Silent Hill 4: The Room para PlayStation 2, que foi a minha porta de entrada para a série, eu percebi que a direção de arte buscou retratar um visual realista enriquecido por texturas densas e sujas, como marcas de sangue e ferrugem espalhadas pelo cenário, que são possíveis de ver em diferentes jogos da série, inclusive nos mais recentes, e sempre trazendo personagens verdadeiramente bizarros que não fazem sentido algum e que conseguem causar arrepios tanto pela aparência quanto pelo som visceral que produzem.
Outra coisa que chama atenção são os efeitos de névoa! Quando chegamos na cidade de Silent Hill, há névoa por toda parte. Isso é algo que se tornou parte da essência da série. Talvez nos primeiros jogos isso tenha sido utilizado pra disfarçar as limitações técnicas da época em que era complicado renderizar muita informação na tela, mas hoje ela se tornou parte do design e tem um efeito fundamental de gerar claustrofobia, insegurança e o medo do desconhecido em cada passo que você dá no jogo.
A iluminação escura também tem um papel fundamental para criar a atmosfera de terror do game, algo que afeta o campo de visão do jogador e cria dificuldades para infrentar inimigos sem conseguir ter uma visão clara do ambiente.
Outra coisa que chama atenção e que aparece no HUD é uma moldura vermelha que fica cada vez maior quando o personagem sofre algum dano, o que também se reflete nas animações que mostra o James machucado e prejudica ainda mais o campo de visão, dando uma sensação de que é bem mais difícil evoluir quando sua vida está próxima do fim.
Conclusão
Joguei por umas 4 horas e posso dizer que Silent Hill 2 é verdadeiramente assustador. Ele foi projetado para causar medo e faz isso com maestria, usando muito bem os gráficos e a sonoplastia para criar uma ambientação sinistra que consegue nos deixar assustados, desconfortáveis e pensativos na hora de dormir, no entanto curiosos para continuarmos jogando para descobrir o que mais vem pela frente.
Se você tem uma mente sensível e não está acostumado com jogos de terror eu preciso te avisar que talvez seja melhor você não jogar esse jogo! Silent Hill 2 pode não ser um jogo pra você e pode afetar a sua saúde mental, criando dificuldade pra você pegar no sono à noite e fazendo você ficar com as imagens do game na sua cabeça durante algum tempo.
Por outro lado se você gosta de jogos de terror e consegue jogar sem sentir qualquer efeito colateral, Silent Hill 2 faz juz ao gênero e pode te proporcionar a experiência que você está buscando. Só reforço o cuidado com a classificação etária, que é algo importante! Jogue apenas se você for maior de 18 anos!
Eu vou continuar jogando Silent Hill 2 e trazendo mais análises conforme for evoluindo na história, isso, é claro, se a coragem permitir porque o jogo é realmente assustador e me deixou com medo! Não sei se vou conseguir tankar ele até o final!
Nessa primeira parte eu trouxe minha visão do que consegui captar nessas primeiras horas de gameplay e fiquei muito curioso pra saber até onde essa história vai e se o nosso protragonista vai conseguir sair de Silent Hill em segurança.
E quanto a você, já jogou Silent Hill 2? Ficou com medo de jogar ou foi tranquilo? Me conta aqui nos comentários!
Gostou da análise? Este artigo é uma adaptação do vídeo publicado no meu canal LDevGamer que você pode conferir abaixo. Se você curte ensaios sobre game design e quer ajuda pra decidir se um jogo vale o seu investimento, se inscreve lá!