Lá no longínquo ano de 2004, eu tinha muita inocência e um site chamado JROCKS (atualmente finado). Naquele ano, eu consegui realizar uma entrevista exclusiva com Val, baterista do DuelJewel. Como falei deles no último artigo do blog, resolvi republicar. Não tem nada demais, além de ser a primeira entrevista que um brasileiro fez com um músico do visual kei (que eu saiba — me corrijam se eu estiver errado). Segue:

Em certo dia de 2003, postei o link da JROCKS na BBS para estrangeiros do site oficial do Duel Jewel, dizendo que era um site sobre j-rock e que lá havia uma seção dedicada ao DJ. Por um acaso, Val, o baterista da banda, que sabe falar inglês e frequenta a BBS, leu minha mensagem e acessou o site. Em uma mensagem na própria BBS, no dia 27/12/2003, ele escreveu o seguinte (originalmente em inglês):

>iori, wow! Isso é tão legal! Não posso entender português, mas estou surpreso de que há tantas bandas visual kei. Continue o bom trabalho!

Essa foi minha deixa. Em janeiro deste ano, escrevi-lhe propondo uma entrevista via e-mail. Ele topou, mas avisou que demoraria para responder, devido ao montante de compromissos com a banda.

Provavelmente, na época, ele e os outros membros da banda ainda tinham que trabalhar em empregos de meio período ou coisa parecida.

Após acertar alguns detalhes, finalmente, no dia 9 de abril de 2004, recebi seu e-mail com as respostas para todas as perguntas. Agora você confere, na íntegra, traduzida do inglês para o português, a entrevista exclusiva que Val concedeu para a JROCKS, a primeira entrevista de um j-rocker para o Brasil!

Eu ainda usava esse termo besta, “j-rocker”, haha!

Como é ter uma banda independente no Japão hoje?
Val
: É muito difícil ter uma banda visual kei indie, porque hoje o estilo não é tão popular no Japão.

O Duel Jewel pretende se tornar uma banda major?
Val
: Queremos nos tornar uma banda major para que várias pessoas conheçam e ouçam nossa música.

Quais são as influências do Duel Jewel?
Val
: LUNA SEA, L’Arc~en~Ciel, La’cryma Christi, etc.

Sobre o que são as letras da banda?
Val: Queremos expressar o mundo de emoções humanas. Tristeza, raiva, prazer, dor, ternura, etc.

No Ocidente, os estilos musicais têm nomes. Entretanto, no Oriente a mídia não parece se preocupar em nomear os diferentes estilos existentes. Como o Duel Jewel define seu estilo de música?
Val
: Eu acho que os japoneses tendem a categorizar música mais do que outros países.

Tomei um fora do Val! LOL!

Val: Não tenho certeza se “visual kei” é um gênero musical, mas o Duel Jewel é “visual kei”. Mas nossa música tem vários elementos, assim não poderíamos dizer simplesmente “visual kei”. Talvez não haja um termo específico para definir nosso som.

É sempre assim. Todas as bandas afirmam categoricamente que o som deles é complexo demais pra ser classificado, ou inventam um nome esdrúxulo.

Há algum lançamento do Duel Jewel previsto neste momento?
Val: Não temos planos por ora.

Como vocês se sentem por serem conhecidos em países ocidentais como EUA e até mesmo Brasil?
Val: Estamos muito contentes! Seria maravilhoso impressionar pessoas de outros países.

Há alguma chance de vocês tocarem no Brasil?
Val: Nosso sonho é fazer uma turnê mundial :D

A banda Dir en grey está tentando se tornar famosa no mundo todo. Você acha que isso pode ajudar outras bandas visual kei a serem mais famosas entre o público ocidental?
Val
: O fato do Dir en grey se tornar famoso em todo o mundo dará grande impulso e estímulo, porque eles são respeitados por várias bandas visual kei.

Vamos falar de você, Val. Como você começou a tocar bateria?
Val
: Comecei a aprender bateria com minha mãe.

Quem são seus ídolos?
Val
: Junji do SIAM SHADE, Shinya do LUNA SEA, Pat Torpy do Mr.BIG, Mike Portnoy do Dream Theater, Dennis Chambers, etc.

O que você acha dos arquivos MP3 na Internet?
Val
: Hoje em dia, CDs não têm uma grande demanda no Japão por causa dos arquivos MP3. Por favor, sejam moderados! :D

O que você acha da atual cena independente japonesa?
Val
: É verdade que a cena independente japonesa se tornou forte, então eu acho que não há tanta diferença entre a cena indie e a major quanto antes. Mas a própria cena musical japonesa está estagnada, então, de qualquer jeito, é muito difícil ter uma banda.

Acho que o Val se referiu às bandas “independentes”, que, assim como as bandas major, também têm contrato com e devem satisfação para uma gravadora. A única diferença entre “gravadoras independentes” como PS Company e Under Code Records e majors como Universal Music Japan e Sony Music Entertainment Japan é tanto de dinheiro que os negócios envolvem. Sabia que as pequenas até negociam “o passe” de bandas pras maiores, assim como clubes de futebol fazem com jogadores? A banda e suas músicas são investimentos da gravadora, que eles podem conservar um tempo, valorizar e então vender, obtendo lucro, assim como vocês faz com imóveis e talvez gibis muito velhos.

De qualquer maneira, o Duel, na época, era uma banda independente MESMO. Não tinha contrato com gravadora. Eles não tinham dinheiro pra investir em marketing — o que inclui ter o mínimo de destaque nas mídias especializadas em bandas visuais. Só em meados de 2006 que eles foram contratados pela avex trax, pra então começarem a aparecer mesmo em revistas, sites etc. O preço disso você ouve nos lançamentos a partir da época.

Por favor, deixe uma mensagem para todos os fãs brasileiros do Duel Jewel.
Val
: Nós estamos muito felizes por haver fãs do Duel Jewel no longínquo país Brasil. Nos esforçaremos para sermos uma banda melhor, então, por favor, nos apóie.

Só pergunta criativa! Que beleza.


DuelJewel - Noah, 2003


Publicação original de 04/01/2012. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.

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