Resenha de ZERO, de BUMP OF CHICKEN (VAP, 2011). Nota: 7,0.

Com mais de quinze anos de carreira de identidade forte, domínio de certos clichês da música pop e, principalmente, um grande número de hit singles nas paradas nipônicas — sendo mais preciso, todos os singles a partir do terceiro atingiram os dez mais vendidos —, o BUMP OF CHICKEN parece a banda ideal para projetos como este aqui. “ZERO” é música-tema de Final Fantasy Type-0, mais um game da franquia eterna produzida pela Square Enix.

Um olhar atento a uma declaração recente do diretor Hajime Tabata revela claramente o modus operandi da situação: “Final Fantasy Type-0 não estaria completo sem sua música-tema, ‘ZERO’. A música é um componente essencial ao game. Durante nossos muitos encontros de produção com o BUMP OF CHICKEN, fizemos arranjos sérios para descobrir o que era necessário para completar este game. [...] Alguns dias depois, recebemos uma demo intitulada ‘ZERO’. Ter uma melodia, vocais, letras e performance especialmente criadas para o game fizeram, literalmente, meu coração pular. Me mostrou a seriedade do BUMP OF CHICKEN. Nós esperamos lançar o melhor dos dois mundos com esta colaboração.”

“ZERO” certamente cresce após algumas audições, mas é essencialmente uma colaboração, o BUMP OF CHICKEN criando com uma missão a ser cumprida. É uma balada tranquila, com tom meio cinematográfico, perfeita para um encerramento de história. Porém, monótona demais para uma música normal.

“Smile”, o b-side do lançamento e previamente disponível num projeto de caridade, é o exato mesmo projeto e estilo de música, só mais bem-executada. Também calma, de até uma duração maior que a anterior (8min36s contra 6min55s) e com bom refrão, solo e pontes que complementam muito bem o início melancólico da faixa. Não é cansativa como a sua gêmea e deve garantir momentos épicos ao vivo. Vale destacar os belíssimos timbres de guitarra, totalmente vintages.

De brinde há uma faixa secreta, uma brincadeira só com guitarra, palmas e um coro desajeitado dos integrantes. Diversão para os fãs.

Com efeito, ZERO confirma duas lendas musicais: a capacidade de uma boa banda soar bem mesmo estando presa a uma encomenda e a inibição criativa que um grupo, visivelmente mais talentoso que o resultado mostra, pode sofrer para adequar-se a propostas extra-musicais.


Publicação original de 21/10/2011.

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