Mais uma entrevista no Brasil in Metal saindo fresquinha do forno. Hoje, nosso entrevistado é o guitarrista Alexandre Tellini, da banda gaúcha Tierramystica.

Nosso entrevistado falou abertamente sobre tudo que lhe foi perguntado, com muita sinceridade e sem papas na língua, mostrando sua opinião sobre assuntos de interesse para qualquer fã ou banda de metal nacional.

Brasil in Metal: A banda nasceu no início de 2008. No período, consideravelmente curto, desse ano até os dias atuais, vocês conseguiram bom destaque no cenário. Falem um pouco de como foi o início da banda, como foi a escolha do nome e do estilo que vocês iriam incorporar nas músicas.

Alexandre Tellini: O Tierramystica foi concebido com trabalho intenso: desde o primeiro ensaio até este momento em que estou respondendo essa entrevista, ele nunca nos deu folga (risos)... Eu e o Fabiano (Müller) somos praticamente vizinhos, nos reunimos, pelo menos, quatro vezes por semana por 2 horas e discutimos novas metas, às vezes revemos algumas coisas, buscamos concepções, exemplos e novas ideias. O Chileno (Ricardo Durán) também é um cara que curte bastante discutir e filosofar sobre formas de se trabalhar artisticamente. Acho que é graças a isso, e não só pela parte musical diferenciada, com que em pouco tempo atingimos um reconhecimento bacana no cenário nacional. Sabemos exatamente o que estamos fazendo e sabemos nossos próximos passos com pelo menos 6 meses de antecedência. Planejamento é tudo.

A concepção de banda foi elaborada pelo Chileno e pelo Fabiano em um projeto anterior, o nome Tierramystica foi sugerido pelo próprio Chileno e, mais tarde, juntamente comigo, o Tierramystica foi fundado, depois, aos poucos, os outros integrantes foram se aproximando. Foi tudo muito natural, somos todos grandes amigos.

BM: Vocês incorporam elementos diversos da cultura sul-americana às suas músicas, o que é um diferencial do grupo. Seguindo essa mesma proposta, existe alguma banda que vocês consideram uma referência?

Tellini: Acho que, musicalmente, você sempre deve buscar inovar, senão você acaba copiando inevitavelmente. Toda banda de sucesso com uma grande identidade musical é uma referência, mas isso não significa que você tenha que imitar o som dela, entende? O Iron Maiden é o maior exemplo disso. Os cenários, a postura profissional da banda, sem estrelismos como vemos por aí, e a identidade sonora inconfundível fazem deles a maior banda do mundo.

BM: Cada integrante da banda deve possuir influências diferenciadas. Quais são as influências que todos os integrantes tem em comum?

Tellini: Fora o já citado Iron Maiden, gostamos bastante do Mago de Öz, de música andina em geral, principalmente do Tarancón, somos todos grandes admiradores do Holy Land do Angra, do Theatre of Fate do Viper, do Ride the Lightning do Metallica e por aí vai...

BM: Como vocês veem o cenário atual do metal brasileiro? Vocês acompanham o surgimento de novas bandas? Poderia citar algumas bandas nacionais que vocês consideram referencias do país, e algumas bandas que vocês ouviram recentemente e gostaram?

Tellini: O Brasil possui grandes bandas de metal, mas sinceramente acho que existe uma série de fatores que acabam comprometendo todo o cenário nacional. Vou te dar alguns exemplos:

O primeiro de todos é que não existem casas de show de pequeno porte de qualidade. São raríssimas, ou o produtor paga uma fortuna por uma casa grande para 2 mil pessoas e inviabiliza o evento, ou então acaba colocando as bandas num boteco onde o palco tem dois metros quadrados e não tem um camarim, retorno, microfonação nem nada... Aí fica difícil. Outro motivo é o número absurdo de bandas que existem, não que isso seja ruim, entende? O problema é que a maioria não tem comprometimento com nada. A maioria topa tocar de graça só pra brincar de rockstar, pra pegarem meninas ou achando que vão ser descobertos por um empresário rico, não possuem uma identidade, objetivos, um álbum pra divulgar, na real não fazem nada. Apenas servem pra tirar o espaço de artistas verdadeiros e comprometidos com uma carreira séria, geralmente essas bandas acabam em 2 ou 3 anos... O problema é que, quando acaba uma, surgem outras cinco iguais. Fora a maior praga de todas, que são as bandas cover. Eu detesto todas. E acredite, elas causam um grande estrago no cenário e, muitas vezes, os headbangers não sabem disso.

Quanto ao surgimento de artistas novos, te digo que boas bandas surgem a todo instante, de várias partes do Brasil. Posso te citar a Save Our Souls, lá de Porto Alegre, que fez alguns shows conosco, e a Venus Attack, do Michael Polchowicz, que é ex-vocalista do Hangar. Eu estou acompanhando as gravações do début deles e vem aí um trabalho muito bom.

O maior exemplo de artista dentro do heavy metal nacional é o Andre Matos, sem dúvida. Viper, Angra e Shaman são exemplos disso. Ele é uma referência, somos todos fãzaços do Andre, e será uma honra tocarmos com ele em Santo Ângelo, dia 7 de maio, e em Porto Alegre, dia 8 de maio. Outra banda que admiramos e que trabalha de forma exemplar é o Hangar. Tivemos a oportunidade de tocar com eles em alguns shows e os caras estão com uma estrutura matadora. São 2 toneladas de equipamento, ônibus, cenário e tudo mais. Claro, fora a competência dos músicos, que são todos feras ali. Nenhuma banda hoje no Brasil tem a estrutura que o Hangar tem. Nenhuma.

Ouvi o último álbum do Korzus e acho que eles estão com tudo pra se firmarem mundialmente, estão de parabéns. A The Ordher também gravou um vídeo-clip de primeira qualidade, é um grande material, e a Anaxes, de Caxias do Sul, também mostrou em seu álbum que possui bastante qualidade.

BM: Já existem planos para o próximo álbum? Possuem algum tipo de detalhes que possam serem divulgados, tipo, se os temas continuarão os mesmos, se haverá alguma participação especial já confirmada, etc.?

Tellini: Sim, vamos gravá-lo em um grande estúdio em São Paulo. Já estamos no término das composições e em breve iniciaremos a pré-produção. O Tierramystica não abrirá mão da identidade que o consolidou no cenário nacional. A diferença nos temas é que vamos abrir mais o leque, e não falar somente da cultura inca, como foi o A New Horizon. Trataremos de alguns pontos da cultura brasileira, maia, asteca, inca e por aí vai... Será uma celebração ao orgulho sul-americano, esta é nossa bandeira e, quanto mais vemos a babação de ovo pros gringos que não se sustentam mais com venda de discos, e que agora descobriram o Brasil (pois antes era raro virem para cá) e a situação atual do cenário metálico nacional, mais força isso nos dá para nos erguermos e seguirmos nossa caminhada. Quanto às participações especiais, vamos contar com o Ademar Farinha novamente nos sopros, e esperamos contar mais uma grande participação que ainda não posso divulgar. De quebra, o A New Horizon será lançado no México, Itália, Alemanha, França, Grécia, Rússia, Coreia do Sul e Japão no segundo semestre através de um selo japonês.

BM: Grande abraço e muito obrigado pela entrevista. O Brasil in Metal espera poder entrevistá-los novamente em outras ocasiões. Deixem um recado para os leitores, dentre os quais estão muitos futuros fãs do Tierramystica.

Tellini: Obrigado pelo espaço, estamos sempre abertos para falar com todos os fãs, blogs e etc... As portas estão abertas. Se você gosta do Tierramystica, siga-nos no Twitter, na comunidade do Orkut, procure o A New Horizon na sua cidade e, caso não ache, entre em contato com o [email protected] para adquiri-lo por apenas R$ 10,00. Agradecemos também aos patrocinadores Walczak Instrumentos, Espaço Cultural Zeppelin, Escola de Música Talenthos e à Made in Brazil pelo suporte! Prestigie o metal nacional e lembre-se: jamais se esqueça de quem você é e de que país você veio. Deixe as guampas, o Thor, as cruzadas e os vampiros para os europeus. Vamos ficar com nossa cultura que é tão rica ou mais que a dos gringos. Salve a América!

Serviço


Publicação original de 16/03/2011. 1 imagem desta publicação não sobreviveu à migração de 2013.

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