Boa noite, pessoal! Espero que tenham gostado do primeiro post, e muuito obrigada pelas sugestões. Estão todas anotadas e espero poder assistir todos os seriados em breve. Não se acanhem nas sugestões, quanto mais séries, melhor, haha!
Hoje vou falar de um seriado que eu sempre ouvia falar, mas nunca dei a devida atenção. Mas que nas últimas semanas, me prendeu de um jeito meio inesperado: Skins!
A série aborda o cotidiano de grupos de jovens britânicos de uma forma pouco convencional, com drogas e sexo em excesso. Se você pensa que é um seriado junkie, que não tem nada a acrescentar justamente pelo exagero nas cenas chocantes, repense. Os dramas familiares e pessoais escondidos por trás do véu de autoconfiança que ronda os adolescentes é algo similar àquilo que todos nós passamos em algum momento de nossas vidas.
As temporadas foram construídas de forma que, a cada duas temporadas, o elenco se renova, e outras histórias são postas na berlinda. Vou falar apenas das duas primeiras gerações, ou seja, as quatro primeiras temporadas, porque ainda não me sinto preparada para conhecer um novo elenco, do tanto que me apeguei ao antigo.
A primeira temporada serve como uma apresentação aos personagens, e a segunda, considerada sombria por todos, é uma forma de conhecermos a fundo seus dramas. Cada episódio leva o nome de um dos jovens e nos introduz em seu mundo, sua casa, e até, por que não?, sua cabeça.
Tony é o típico mauricinho que conquista o coração de todas as meninas, se acha a pessoa mais linda do universo (embora, na segunda temporada, vamos conhecer seu outro lado) e usa e abusa de sua namorada Michelle, que, por sua vez, apesar de linda, não se sente tão atraente assim. Tem um episódio em especial em que diz para sua amiga Jal que sua única forma de atrair os homens é usando roupas provocantes, a fim de chamar atenção pro seu corpo. Jal é a menos atraente do grupo, mas uma das mais inteligentes. É a menos junkie e tem objetivos palpáveis na vida. Toca clarinete e é repreendida pelo pai por isso, por ele ser um famoso cantor de hip hop. Chris é o que podemos chamar de “bomba humana”. Não liga pra nada e se droga constantemente, principalmente depois que foi abandonado pela mãe. No final da série, descobrimos que ele só tentava viver a vida intensamente.
Anwar é o indiano que contradiz toda sua cultura, ao fumar, usar drogas e transar. É melhor amigo do homossexual assumido Maxxie, que busca seu sonho de ser um dançarino a fundo, abandonando a escola e indo pra Londres dançar.
E, por fim, meus dois personagens favoritos: Sid e Cassie. Sid é o nerd virgem que é apaixonado pela namorada de seu melhor amigo, Tony. Debochado por todos, é alvo de constantes críticas dos amigos e da família, chamado de “inútil” várias vezes durante a série. Quando conhece Cassie, se encanta com seu jeito aéreo e, com o tempo, se apaixona por ela. Cassie, por sua vez, pode ser classificada como a personagem mais problemática: é anoréxica, foi internada em clínicas de rehab, tentou se matar, quase virou prostituta e é extremamente ingênua. No final, percebemos que é tudo fruto da falta de atenção dos pais, e que suas atitudes não justificadas são reflexos de uma menina amedrontada.
Na terceira temporada, todos os personagens são trocados, exceto Effy, irmã de Tony, que apareceu em alguns episódios passados. A série gira em torno dela e três amigos, Cook, Freddie e JJ, todos apaixonados por ela. Porém, com uma qualidade inferior às temporadas passadas, o destaque da terceira e quarta temporadas é o relacionamento entre Emily e Naomi.
Effy é uma garota linda, mas misteriosa. Extremamente manipuladora, consegue quebrar o coração de três garotos, porém não admite que também é capaz de amar. Cook é uma mistura de Tony e Chris: consegue ter o ego ainda maior, se droga muito mais e sua única vontade na vida é transar com todas as meninas possíveis. É abandonado pelo pai e expulso de casa pela mãe, e seu comportamento rebelde o leva a ser preso. Freddie era o personagem que eu mais gostava, por ter a cabeça no lugar, não abusar tanto das drogas e por nutrir um amor saudável por Effy, situação essa que muda na quarta temporada, em que começa a viver somente por ela e para ela, e se afunda num poço sem saída. JJ é o mais inteligente de todos, nunca beijou nenhuma mulher e é autista. Refere a si mesmo como um psicopata, e tem constantes ataques de raiva. Mas é muito justo e leal com seus amigos, e desiste de Effy (mesmo que nunca tenha tido uma chance com ela) para preservar a amizade.
Pandora é a melhor amiga de Effy, é estabanada e exagerada, e nunca conheceu o amor, até a chegada de Thomas, um africano que vem para Bristol a fim de melhorar de vida, e assim começa a traficar.
Katie e Emily são gêmeas, e enquanto a primeira só pensa em namoros e roupas chiques, em aparências e em Freddie (por quem é apaixonada), a segunda carrega a série nas costas. Lésbica reprimida (no início), nutre um amor por Naomi, que, incerta de suas opções sexuais, transa com vários homens a fim de esquecer sua atração por Emily.
Porém, inevitavelmente, a atração entre as duas fala mais alto, e o namoro entre elas é uma das poucas cenas que mereciam maior destaque. Os conflitos de Emily em assumir para a família que é homossexual, a briga com a irmã gêmea por não ser igual a ela, a saída repentina de casa para morar com a namorada, combinados com a negação constante de Naomi em ser lésbica, sua relação conturbada com a mãe e o medo de amar alguém, nos levam à conclusão que o resto do elenco estava alí somente como apoio, a fim de completar uma história que tem somente as duas como protagonistas.
Larissa Nogueira (@gravollet)
Publicação original de 29/04/2011. 4 imagens desta publicação não sobreviveram à migração de 2013.