Resenha de Boku QUEST, de GOLDEN BOMBER (Daiki Sound, 2011). Nota: 8,0.

Que o GOLDEN BOMBER é de uma picaretagem inacreditável, todo mundo já sabe. Porém, é assustador que uma banda de mentira apresente evoluções musicais e variações como um grupo qualquer. Mais ainda quando ela produz material superior ao lançado pela média das bandas de verdade.

“Boku QUEST” investe na faceta mais sombria do visual kei. Mesmo que provavelmente corrigido por softwares mil, Shō Kiryūin possui um domínio invejável de sua voz.

A naturalidade com que o refrão pop surge em meio a todo o clima de tensão deveria ser ensinada para todas as bandas do cenário que diluem seu som quando assinam contratos com grandes gravadoras.

“Rafiora” bebe no oshare kei, alegremente pavimentada por teclados bobinhos. “Kon’ya wa Tonight” toma um rumo oposto, saqueando o instrumental do lado mais tradicional do estilo. Ambas não abandonam as características chaves que povoam todas as músicas da banda — como os refrães chicletes, por exemplo.

Será que os músicos por trás desses quatro caras simpáticos, bonitinhos, seminus e engraçados fariam sucesso caso lançassem suas músicas por si mesmos? Será que eles já tentaram e falharam?

Sem um pingo de sinceridade, o GOLDEN BOMBER parece até uma resposta cínica aos defeitos do próprio estilo que habita: um meandro lotado de pastiches da nova moda que capitalizam os fãs descaradamente. A má-cópia travestida de boa. Um simulacro do visual kei.


Publicação original de 06/06/2011.

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