Bom, muita gente que leu a matéria sobre a banda Settled Fear me pediu que postasse sobre o show em homenagem ao Thiago (o vocalista da banda que faleceu há pouco tempo). Sim, o evento que abrigou a apresentação aconteceu. O show também aconteceu. E o repertório envolveu, sim, “Pegasus Fantasy” (música clichê em eventos de anime? É. Mas, e daí, se a gente gosta e se anima com a música-tema dos Cavaleiros do Zodíaco?). Agora vem você e me pergunta: “ué, Inga, mas por que as palavras do título dão a entender que foi ruim?” E eu respondo: porque, pra ser franca, a apresentação foi mesmo ruim. Mas deixem-me explicar direitinho...

Não foi a banda. Podem dizer o que quiserem, mas todos os integrantes do grupo e os convidados para a apresentação se esforçaram ao máximo para que desse tudo certo. Foi uma maratona de ensaios em preparação para este show, que era especial pelos seguintes motivos: o show foi o primeiro da banda depois da morte de seu idealizador e vocalista, que desejava a continuação do grupo... e a apresentação era uma homenagem a ele. Portanto, demos duro para que tudo saísse da melhor maneira possível. No entanto, querer não é poder... Dias e dias de ensaios até altas horas da noite não nos salvaram (e nem podiam, sejamos francos) do bendito (pra não usar a palavra oposta) equipamento que disponibilizaram pra nós no dia do show.

Mas os ensaios para a apresentação foram simplesmente maravilhosos. Não vou dizer que não houve problemas técnicos, que não houve discussões, que não houve problemas com compatibilidade de horário entre os membros do grupo... porque houve, e negar os problemas é tão inútil quanto negar que a Terra tem formato arredondado.

As horas de ensaio foram duras: saíamos direto da faculdade, do trabalho, do curso, de onde fosse, para a casa do nosso amigo e guitarrista Luciano. Precisamos ignorar o fato de podermos ensaiar somente à noite, ignorar o fato de estarmos constantemente fazendo um barulho gigantesco na casa do Luciano, ignorar o fato de que algumas vezes tínhamos de encher o saco de outros amigos ou de nossos pais para termos como ir pra casa e como ir pros ensaios... ignorar as trocas constantes de cordas quebradas de guitarra, ignorar a troca de microfones e de caixas até acertar, ignorar (no caso dos convidados) que sequer conhecíamos algumas músicas do repertório. Trocar o vocalista pra determinada música, forçar a voz quando não havia mais de um microfone, dar uma de pedestal humano para o microfone do amigo, quando necessário...

E, sabem, eu podia passar horas falando sobre os problemas no dia do evento: problemas com a mesa de som, o local, a falta de um mesista, a organização do evento em si... Mas não vou falar disso, porque não há lógica em falar do que não aconteceu e do que poderia ter acontecido. Vou falar sobre o que realmente importa:

Importa o nosso esforço. Importam as nossas risadas. Importam os litros de Coca-Cola consumidos em cada ensaio (que não foram poucos). Importa a paciência dos donos da casa onde ensaiamos. Importa a ajuda dos amigos. Importa a parceria entre os membros do grupo. Importa convivermos com pessoas que nem conhecíamos antes. Importa esquecermos o cansaço pra continuar. E, acima de tudo, importa que tudo isso foi feito com muita boa vontade e para alguém muito especial que, infelizmente, já se foi.

E, querem saber? Os momentos que passei ao lado dos membros da Settled Fear e dos outros convidados para a apresentação do dia 1 de maio de 2011 foram os melhores da minha vida. Monnisy, Neto, Luciano, Edgley, Hélvio (agora merecidamente um membro oficial da banda: o novo vocalista), Arthur, Débora, Bruno, Tony, Rafaela, Matheus, Monniely, D.Lourdes... Vocês foram maravilhosos, cada um à sua maneira. Obrigada pela oportunidade de estar com vocês... Obrigada pela aceitação, pela amizade, por me aturarem... Obrigada por tudo. E não importam os problemas do show: a homenagem a Thiago foi feita por meio do esforço de cada um para seguir em frente e superar as dificuldades.

Portanto eu, Inga Edulis, aplaudo de pé todos vocês. Vocês que, orgulhosamente, hoje posso chamar de amigos... e dos quais, posso afirmar, serei fã pelo resto da vida.


Publicação original de 04/05/2011.

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