Resenha de LUNA SEA, de LUNA SEA (avex trax, 2011). Nota: 9,5.

Quase vinte anos. Esse é o tempo que separa a nova versão do début do LUNA SEA e o seu lançamento original em meados de 1991. Muita história se passou nesse tempo. Recordes de vendas, estádios lotados, brigas de ego, carreiras solo, separações, shows de reunião, plásticas e quilos a mais.

A idade também transformou drasticamente o som da banda. Você poderia imaginar que aqueles moleques raivosos amansariam ao ponto de fazer parte da trilha sonora de Mulan?

Esse é o ponto que separa o LUNA SEA adolescente do quarentão: os reflexos do passar do tempo. O início do álbum com “FATE” e “TIME IS DEAD” já deixa o jogo claro, tudo soa mais profissional e comedido.

A agressividade e espontaneidade que permeavam o clima jovial das gravações originais se foram em prol de versões polidas de quem já entra em campo com jogo ganho. Nada como a urgência adolescente de quem está tendo a primeira e, talvez, única chance de redenção.

Ao menos, é impressionante como alguns detalhes massacrados pela antiga e fraca produção renascem. As levadas de SHINYA são de tirar o fôlego em muitos momentos.  As explosões das guitarras de SUGIZO e INORAN ganham uma profundidade explicitada por timbres modernos.

Os pontos negativos se devem quase que totalmente ao RYUICHI. A perversidade estranha que imprimia nas músicas mais perturbadas do registro é substituída por um desempenho sóbrio e correto, sem muito da emoção que os berros de outrora exerciam no som praticado pelo grupo.

Compare ambas as gravações de “SHADE”, “CHESS” e, principalmente, “THE SLAIN” para notar como a voz paranóica embelezava os minutos mais desesperados do CD. Pelo menos, nada como aquela versão pavorosa de “PRECIOUS...” na coletânea PERIOD apareceu por aqui.

Sabe-se lá porque os caras resolveram regravar o álbum inteiro. Os arranjos apresentados soam extremamente parecidos com os dos shows e em 2007 eles lançaram uma edição remasterizada das fitas originais pelo Ted Jensen (que trabalhou com Metallica, Alice in Chains e Pearl Jam) que até vinha com DVD bônus.

No entanto, é impressionante que, mesmo após tantos anos, estas canções soem genuinamente sérias e convincentes. Note que é o primeiro álbum da banda e os integrantes mal tinham passado dos vinte anos! A maturidade e a força das composições comprovam a genialidade prematura que influenciaria centenas de bandas nas décadas posteriores.

Mesmo que eles tenham feito isto só para levantar alguns trocados, vale a pena o resgate. LUNA SEA não é só o melhor álbum da banda, mas um daqueles discos pelos quais a gente se apaixona de imediato e gosta de cada faixa. Já percebeu como é raro isso acontecer hoje em dia? Para quem está adentrando agora no tortuoso mundo do visual kei, conhecer este belíssimo punhado de canções (e suas versões originais) é essencial. 


Publicação original de 19/03/2011.

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