Resenha de 1Piko, de Piko (Sony Music Entertainment, 2011). Nota: 4,0.
Conhecer a história da carreira de Piko é como assistir qualquer uma das continuações ou filmes plagiados dos terríveis Todo Mundo em Pânico (ou os Corra que a Polícia Vem Aí, caso você seja mais velho). É um enredo cada vez mais reciclado nos últimos anos: o cara botava uns vídeos na Internet, canta razoavelmente, tem uma imagem que pode ser vendida para garotinhas.Então, uma grande gravadora vê potencial para engordar um pouco mais a sua já farta conta bancária. Contrata aquele moleque, dá um banho de loja, contrata músicos e compositores de alto nível e pronto: é só colocar o produto na estante.
O primeiro álbum do Piko também segue o resultado padrão dessa fabricação nefasta. Todas as canções não têm um pingo de identidade. Não que sejam de qualidade terrível, pelo contrário, são músicas bem-feitas — mesmo quando ele usa seu famoso “talento” de simular vozes femininas.
O problema é que “Rebirth”, “main dish”, “Story”, “Shooting Star” ou qualquer outra faixa do tracklist são burocráticas e derivativas. Poderiam figurar tranquilamente em qualquer CD de qualquer outro pastiche de artista.
A fraqueza está na total falta de sinceridade que o 1Piko tem. O trabalho nem ao menos possui certa homogeneidade, os arranjos disparam para todos os lados dentro do lado pop do visual kei de maneira quase anedótica.
Daqui a alguns anos, Piko vai cair no esquecimento, se afundar nas drogas, virar alcoólatra, criar um barrigão e rugas, parte de seu cabelo vai cair e vai figurar em uma versão nipônica do programa da Márcia Goldschmidt contando como foi sofrer abusos durante seus anos de sucesso. O mundo não precisa de mais um Rafael Ilha...
Publicação original de 18/05/2011.