Resenha de Dark Candy, de Chara (Universal Music, 2011). Nota: 2,5.
O problema da Chara é que ela se esforça demais. Conforme os anos passam, mais e mais adolescentes aspirantes a popstar citam a cantora e compositora como mentora. Em resposta, ela assumiu o compromisso de ser um mero pastiche vergonhoso de seu passado reavaliado.
A coprodução do percussionista mabuana insere batidas inesperadas no pop irregular de “Count Down” e “Rachel”. O cara é assumidamente influenciado por grupos hip hop alternativos como o Digable Planet e Arrested Development. Mas tudo vai por água abaixo quando Chara abre a boca.
Mesmo chegando à meia-idade (tem 43 anos), ela ainda tenta imitar uma menininha de seis anos retardada. Seus susurros em “Little bird” chegam às raias do humor involuntário. Ela soterra qualquer pretensão em propiciar uma boa canção tentando soar exatamente como um passarinho cocainômano!
Dark Candy é só mais um daqueles exemplos de quando o criador é largamente superado pelas criaturas. A maquiagem de palhaço é mais do que mera arte gráfica. Engolida pela própria lenda, Chara parece querer agradar a qualquer custo os fãs dos discos que a consagraram.
Publicação original de 25/04/2011.