Resenha de Osaka Ramones: A Tribute to Ramones, de Shonen Knife (P-VINE, 2011). Nota: 7,0.
Celebrando trinta anos de existência, o Shonen Knife resolveu, por incentivo do baixista do Goo Goo Dolls, Robby Takac, resgatar seu alter ego Osaka Ramones, um tributo de nome autoexplicativo.
O Osaka Ramones era essencialmente uma simples banda cover que fez meia dúzia de shows tocando todos aqueles clássicos imortais do quarteto punk. Logo, o trio preferiu respeitar os arranjos originais em Osaka Ramones: A Tribute to Ramones, não mudando quase nenhuma nota do que fora registrado nos discos da banda que foi sua favorita por pelo menos um dia de toda a vida.
O grande barato do álbum é ver como aquelas composições previamente furiosas e executadas em velocidades atordoantes quando tocadas ao vivo, ganharam uma vibe bem pop. As vozes fofas adornadas por aquele engrish encantador e as doses de testosterona economizadas podem não combinar com as raivosas “We’re a Happy Family” ou “Psycho Therapy”, mas criam muitos momentos curiosamente especiais.
“Rock ’n’ Roll High School” realça sua raiz chiclete num bubblegum dançante, enquanto “Chinese Rock” tem um swing garageiro que a guitarra de Johnny Ramone destroçaria com suas palhetas violentas para baixo. “The KKK Took My Baby Away” virou uma balada roqueira tão bonitinha que nem o fato das meninas alterarem o sexo da personagem para o masculino torna a versão apimentada.
Outro acerto de Naoko e suas companheiras foi resgatar faixas menos prestigiadas, como as esquecidas “We Want the Airwaves”, “Scattergun” ou “She’s the One”; não se limitando só aos hits que aparecem em coletâneas (apesar das obrigatórias “Blitzkrieg Bop” e “Sheena Is a Punk Rocker” figurarem no tracklist).
Osaka Ramones: A Tribute to Ramones deve agradar tanto os fãs de Ramones, acostumados a tributos e sempre sedentos por revisitações da história singular da banda, e os fãs do Shonen Knife, geralmente fãs do quarteto nova-iorquino e que provavelmente estão compartilhando do clima de comemoração das meninas. Para festejar.
Publicação original de 17/08/2011.